Estou até com medo de retornar e estragar a imagem que tive este ano (maio de 2009) de uma viagem perfeita. Tudo deu muito certo e quando choveu, foi durante a Indaba, feira de turismo, e aí eu passava o dia dentro do centro de convenções.
Tudo isso para dizer: vale investir no luxo, na sua gratificação. Vale investir no melhor. E na África do Sul, esse melhor, além de mais acessível, tem muito mais opções que, por exemplo, no Brasil. Luxo pode ter diversas definições, mas quando o tema é viagem não pode fugir de conforto, qualidade, atendimento, infraestrutura, personalização, diferenciação. Também tem que ter ou dar acesso a itens como gastronomia refinada ou típica de qualidade, spa/relaxamento, passeios exclusivos (que não estão disponíveis no turismo de massa), enfim, experiências únicas e que justifiquem o (justo) preço pago.
Juntar tudo isso não é fácil. Muitas vezes frequentei, a trabalho, locais, como hotéis e restaurantes de luxo, e essa receita não teve uma elaboração perfeita. O atendimento de luxo em geral peca no excesso de formalidade (ou esnobismo). O cliente pode ser esnobe e ter empáfia (e se não houver grosseria, o hotel ou restaurante acabam engolindo ou absorvendo isso), mas o atendente não. Ele não pode querer ser o que não é – cliente. Ou o que sua função (fazer com que tudo esteja a contento para o cliente) não requer. Minha estada no Singita Ebony, em Sabi Sands, e no Singita Lebombo, no Kruger Park, me mostraram um padrão de excelência que eu poucas vezes tinha visto. Os funcionários (do ranger até o mordomo de cada apartamento) sabem que aqueles hóspedes têm de ser mimados (e são a todo instante), mas mostram isso com gestos habituais e ações não-esperadas. Não tentando pegar intimidade dos hóspedes, ou agir como mordomo inglês de livro de Agatha Christie. Até hoje me lembro dos rostos e gestos de cada um deles. Dois lodges belíssimos, integrados a suas regiões, com passeios perfeitos, ótima estrutura, excelente gastronomia e recordações permanentes.
Os dois são all inclusive, com diárias por pessoa altas (cerca de US$ 850), mas tudo é personalizado. O Ebony tem apenas 12 quartos (que são verdadeiras casas) e o Lebombo 15. Ou seja, são exclusivos. No Ebony, os apartamentos têm piscina individual, lareira, mimos diversos (de guloseimas a livros, de cremes a qualquer bebida, de Ipod com seleção variada a aquarela para pinturas), vista espetacular, e decoração colonial, com presença marcante da cor vermelha. Como a área é particular (Sabi Sands fica na fronteira com o Kruger), os safáris são em carros exclusivos e somente para quem está em um dos lodges Singita, no caso o Ebony ou o Boulders, vizinho. Os hóspedes são surpreendidos com jantares ao ar livre, fondue no quarto (basta dizer que está comemorando algo com sua esposa/marido, de preferência na reserva), game drives (safáris) particulares e exclusivos, tudo em um ambiente sofisticado (decoração que não deixa dúvidas – estamos em uma África de luxo), com poucas pessoas e onde o hóspede manda. Ele pode pedir qualquer comida fora do menu, o vinho que vai tomar no wine cellar do hotel (incluso na diária), pode fazer um safári noturno, comer fora do horário, comemorar a sua data. Tudo em um ambiente incrível.
Detalhe de luxo do Singita Lebombo. Como o lodge não pode ter piscina privativa, devido ao contrato de concessão da água com o governo, colocou uma cama na varanda. À noite, ela é montada com mosquiteiro, lampião, lanterna e telefone sem fio, além de um kit de emergência. Uma noite sob as estrelas sul-africanas é um luxo que com certeza surpreende.
* Editor-chefe da PANROTAS
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