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Publicada em 10/12/2009 17:04:00

Aeroportos brasileiros operam no limite de espaço

O professor Elton Fernandes e o diretor do Snea, Ronaldo Jenkins
O professor Elton Fernandes e o diretor do Snea, Ronaldo Jenkins
Um convênio entre a Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) acaba de resultar no estudo “Transporte aéreo: estudo preliminar das capacidades dos aeroportos”. Coordenado pelo professor Elton Fernandes, especialista em Tecnologia, Gestão e Logística, o material apresenta uma situação alarmante, o que não chega a ser exatamente uma surpresa.

“Nosso problema não é para a Copa de 2014, mas para já”, afirma o diretor técnico do Snea, Ronaldo Jenkins. Segundo ele, o tráfego aéreo tem crescido mensalmente em cerca de 30%. Porém, não há contrapartida de investimento na infraestrutura aeroportuária.

“Os maiores aeroportos brasileiros não estão nem entre os 30 maiores do mundo”, diz o professor Elton Fernandes. Além disso, 50% dos vôos estão concentrados em três cidades – São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo ele, se forem consideradas as 12 cidades-sedes para a Copa de 2014, a concentração é ainda mais excessiva – elas detêm 82% dos passageiros e 61% dos vôos. Com isso, uma das constatações do estudo é que há mais aeronaves no pátio do que a capacidade de vários aeroportos permite, o que os faz operar já em uma situação limite.

“Daqui a pouco, e não é preciso esperar a Copa de 2014, não teremos mais onde colocar aeronaves, isso vai gerar atrasos, congestionamentos e uma ineficiência em que todos pagam”, ressalta. “Se todos os vôos decolassem e pousassem no horário em que está previsto em aeroportos como Guarulhos, Congonhas e Santos Dumont, por exemplo, não caberiam as aeronaves no pátio”.

Por isso, segundo os especialistas, a Infraero e a Anac acabam gerenciando os vôos para que essa saturação não aconteça. Atrasa-se um vôo em terra, alonga-se um pouco mais o tempo de distância entre duas cidades. “Mas esse manejo daqui a pouco não vai dar mais conta”, diz Ronaldo Jenkins. “Já está ficando difícil de gerenciar”.
Fabíola Bemfeito
comentários
Olavo Leal
Pessoa Física
enviado:
11/12/2009 11:42:28
Caro Rodrigo: você tem razão, em parte. No período entre 77 e 85, só existia GIG. Mas, quem acompanhou a construção de GIG e GRU, sabe que o governo militar"determinou"que aquele fosse o Aept Int'l Principal do Brasil, após estudos, cujos"parâmetros"foram determinados pelos"técnicos"de então, notoriamente preocupados com o impacto negativo sofrido pelo Rio, como ex-capital. Mas, à época, o maior tráfego Int'l e doméstico do País já era de/para SAO(CGH, que não permitia a operação de voos diretos para Europa e EUA). Assim, foi priorizada a construção de T1/GIG("decretado"Int'l principal), inaugurado em 77; somente após foi autorizada a construção de T1/GRU(restringido, por projeto, a voos Int's para Cone Sul). A ordem natural das coisas(sérias) seria a inversa: 1º, T1/GRU; depois, T1/GIG.
Rodrigo Mota
Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa S/A
enviado:
11/12/2009 10:25:32
Olavo, que mal lhe pergunte, como o senhor queria que GRU fosse o principal aeroporto do Brasil na época do governo militar se ele nem ao menos existia, já que só foi inaugurado em 1985?
Marcos Estevao Vajas Hernandez
enviado:
10/12/2009 19:31:11
Ainda ontem, comentando a preocupacao do Min. Barreto com os aeroportos para a Copa do Mundo, disse --- como ja sabemos eu, voces e eles! --- que os varios problemas ja se acumulam no dia a dia dos maiores deles, gerando atrasos, problemas e prejuizos. Hoje temos uma informacao tecnica, baseada em estudo serio de quem entende do assunto, que corrobora com toda a irresponsabilidade que vem sendo tratada na esfera de investimento, ou a contra partida publica. Parece carta marcada de um jogo que premia o blefe, pois torrarao vosso dinheiro, brasileiros, com as obras 'urgentes' e sem concorrencia que beneficiarao os de sempre. O gestor ja opera com atrasos de voos para garantir as operacoes. Um absurdo! Que uma tragedia nao sirva de palanque para costumeiros bla bla bla. Assunto serissimo!
Olavo Leal
enviado:
10/12/2009 18:27:16
Esta nota diz tudo! Só falta mostrar que o problema teve origem na má escolha do GIG como"Aept Int'l Principal do Brasil", ainda no governo militar, ficando GRU como Aept Int'l para o Cone Sul. Parecia brincadeira: todo o tráfego Int'l de SAO seria deslocado para conexão em GIG --imaginem isso HOJE!. É claro que não deu certo: a Lei da O&P é cruel com os que a desdenham e os voos foram aos poucos transferidos de GIG para GRU, a pedido das próprias Cias estrangeiras, que não entendiam por quê fazer conexão no RIO, quando o maior volume de Paxs ia para SAO! GRU ganhou logo seu TPS2 e, quando se imaginava o (mais que necessário) TPS3, a Infraero investiu no... TPS2/GIG(!), ferindo mais uma vez a Lei O&P. É duro saber que somos "governados" por gente assim, tão despreparada! Privatização já!

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