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Rio 2016 não deixou legado cultural, afirma estudo

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Victor Fernandes Victor Fernandes

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Neste sábado, completa-se um ano do fim da Olimpíada do Rio de Janeiro. O evento, que custou bilhões de dólares aos cofres públicos e deveria ter sido um marco na história do País, difundindo os aspectos culturais e fortalecendo a imagem do Brasil, não deixou marcas permanentes no imaginário popular, seja aqui ou no Exterior.

Esta é a conclusão do estudo “Legado Cultural dos Jogos Olímpicos do Rio 2016”. Realizado pelo Institute of Cultural Capital, instituição ligada à Universidade de Liverpool, em parceria com a Escola de Comunicações e Artes da USP e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), com o apoio do Newton Fund, agência de fomento à pesquisa em humanidades e ciências sociais do governo britânico.

No total, foram analisados mais de 330 artigos publicados pelos veículos de comunicação no Brasil e outros 144 na mídia britânica em busca das narrativas estabelecidas pela imprensa sobre os jogos em momentos chave: a escolha do Rio como cidade-sede (2009), um ano antes (2015), o período dos Jogos (2016) e as retrospectivas do ano, em dezembro de 2016 e início de 2017. As análises de mídia foram relacionadas ao contexto sócio-político brasileiro nos mesmos períodos, para contextualizar a informação. Isso permitiu ao estudo comparativos entre os Jogos de diferentes anos, sobretudo os de Londres 2012.

“Nossa pesquisa engloba todo o ciclo das Olimpíadas do Rio, desde o momento da escolha do Brasil como país sede até a cerimônia de encerramento do evento. Infelizmente, os escândalos de corrupção e a grave crise financeira pela qual o país atravessa fez com que as notícias relacionadas ao esporte e à cidade do Rio de Janeiro ficassem em segundo plano”, afirma a coordenadora do trabalho e membro do Comitê Olímpico Internacional, Beatriz Garcia, que analisa o impacto cultural dos Jogos Olímpicos desde Sydney, em 2000.
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OUTROS FATORES
Outros elementos que contribuíram fortemente para a geração de pautas negativas após os Jogos foram os escândalos de corrupção envolvendo membros do Comitê Olímpico Internacional e a construção das arenas olímpicas, o abandono das estruturas após os Jogos, as dívidas milionárias deixadas pelo evento, a falência do estado do Rio de Janeiro, além da suspensão dos patrocínios de vários atletas brasileiros, entre eles alguns medalhistas olímpicos. Essas notícias ocuparam o espaço que poderia ter sido usado para lembrar dos êxitos do evento.

“A imprensa tradicional, brasileira e britânica, nos períodos imediatamente pré e pós Jogos, destacaram os recordes de violência, corrupção e instabilidade política. Nesse período, o Brasil queimou em uma pira de maus acontecimentos, deixando de lado a diversão, inovação e diversidade, aspectos culturais que seriam destacados pelos Jogos”, diz o professor da ECA-USP e presidente da Aberje, Paulo Nassar.

O estudo completo será apresentado no próximo dia 15, em São Paulo, e no dia 17, no Rio de Janeiro, em eventos promovidos pela Aberje com a participação de Beatriz Garcia, Paulo Nassar e outros profissionais ligados à organização da Rio 2016.
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