Maria Izabel Reigada   |   20/05/2013 15:04

Flávio Dino escreve sobre dez anos da "nova Embratur"

O presidente da Embratur, Flávio Dino, escreveu artigo sobre os dez anos do que denomina como "nova Embratur". Para ele, neste ano será alcançada a meta de seis milhões de turistas estrangeiros no País

O presidente da Embratur, Flávio Dino, escreveu artigo sobre os dez anos do que denomina como "nova Embratur". Para ele, neste ano será alcançada a meta de seis milhões de turistas estrangeiros no País - algo necessário para que após 2016 o Brasil recebe dez milhões de visitantes do Exterior. Para isso, ele saliente a necessidade de que pelo menos sete milhões desses visitantes sejam da América Latina, defendendo a tendência mundial do crescimento do turismo regional. Leia, abaixo, a íntegra do artigo.

"DEZ ANOS DE UMA NOVA EMBRATUR

Há dez anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou o Ministério do Turismo, com competências para elaborar políticas públicas para esse setor tão dinâmico de nossa economia. Simultaneamente, Lula definiu que a Embratur – criada há 47 anos – passasse a se dedicar mais à promoção turística do Brasil no Exterior.

Foi uma decisão extremamente sensata. Os destinos turísticos mais consolidados do mundo possuem importantes órgãos de promoção turística, a exemplo do Visit Britain, do Reino Unido. Vários países emergentes, como África do Sul e México, seguiram o mesmo caminho visando um lucrativo mercado internacional de turismo, que contou com mais de um bilhão de viagens no mundo no ano passado.

Não seria o Brasil, com todas as suas belezas naturais e com a hospitalidade de seu povo reconhecida internacionalmente, que ficaria atrás. A constituição de um órgão responsável por promover os atrativos turísticos do Brasil foi essencial para garantir um crescimento impressionante para o turismo internacional no País.

Em 2003, eram quatro milhões de turistas por ano. No ano passado, chegamos a 5,7 milhões. E, este ano, tenho convicção de que, pela primeira vez na história do Brasil, alcançaremos o recorde de seis milhões de turistas estrangeiros, consolidando um crescimento de 35% no período analisado. Importante lembrar que essa década foi marcada pela quebra da Varig – nosso principal elo internacional – e pela gigantesca crise que se estende de 2008 até hoje, colhendo em cheio países essenciais para nosso turismo, tais como Espanha, Portugal e Itália.

Para alcançar novos recordes, temos algumas barreiras. As geográficas são bem evidentes: um oceano nos separa dos principais emissores de turistas no mundo, os europeus. Também guardamos certa distância dos EUA, que podem escolher no Caribe praias mais próximas que as brasileiras, e estamos do outro lado do mundo em relação ao país que mais cresce em emissão de turistas, a China. Tudo isso faz com que o trabalho de promoção turística seja essencial para garantir o crescimento da entrada de estrangeiros no País, aumentando assim o ingresso de divisas.

Por essas razões, decidi priorizar as ações voltadas para as Américas. Basta observar um dado científico: em todo o mundo, mais de 80% do turismo é intrarregional. Portanto, oito em cada dez turistas que visitam a França, são europeus. O mesmo ocorre com o México, que recebe grande aporte de turistas norte-americanos.

Assim, somente alcançaremos a meta ambiciosa – mas factível – de dez milhões de estrangeiros após os Jogos Olímpicos de 2016, se tivermos algo como sete milhões de turistas latino-americanos.

Para além das questões geográficas, temos um desafio central para o produto turístico Brasil: os altos custos de elementos básicos para o turismo, como as passagens aéreas e hotelaria. Não poderemos avançar sem enfrentar essa questão. Por isso, criei, no ano passado, a Pesquisa Internacional de Preços da Hotelaria, para acompanhar o preço cobrado pelos hotéis dos principais destinos turísticos do Brasil e do mundo. É uma forma de colocar o problema sobre a mesa para que possamos conversar, governo e mercado, para chegar a soluções – a exemplo da redução das tarifas de energia e a desoneração tributária efetuadas pela presidenta Dilma.

Somente com atitudes como essas vamos superar possíveis desvantagens competitivas e reforçar nossas imensas vantagens de um destino turístico único, preparado para a visita de ao menos dez milhões de estrangeiros por ano. E esse trabalho tem um importante reflexo interno. Graças à extensa cadeia produtiva do turismo, que vai do dono de restaurante ao artesão, cada dólar que entra no País pela mão de um estrangeiro vai diretamente para o bolso de milhares de profissionais envolvidos nessa atividade. É esse fruto do meu trabalho que me satisfaz e enche de orgulho. Seguirei trabalhando por mais e melhores resultados neste ano de 2013, que será ainda melhor do que 2012.

Flávio Dino
Presidente da Embratur"





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