Artur Luiz Andrade   |   22/09/2011 18:26

Ministro foca no aspecto social e quer mais na Copa

O novo ministro do Turismo, o deputado federal Gastão Vieira, em seu primeiro encontro com a imprensa especializada em turismo mostrou disposição, articulação e clareza sobre o que fazer com o turismo

BRASÍLIA — O novo ministro do Turismo, o deputado federal Gastão Vieira, em seu primeiro encontro com a imprensa especializada em turismo, nesta quinta-feira, 22, pela manhã, em Brasília e durante a audiência privada que concedeu ao presidente da PANROTAS, Guillermo Alcorta, e ao editor-chefe da empresa, Artur Luiz Andrade, deu bons motivos para que olhemos com otimismo (cauteloso, como sempre) para o futuro das políticas públicas do Turismo e o próprio ministério.

1 - Vieira tem um bom background, seja na experiência parlamentar, nas vezes em que foi secretário estadual de Planejamento em seu Maranhão ou em sua formação econômica. Voltar a olhar para o turismo com o viés da economia foi uma das certezas que ele passou nesse encontro.

2 - Gastão Vieira é um homem articulado, inteligente e interessado. O MTur caiu em suas mãos e ele podia olhá-lo com desdém ou com a cabeça de “cumprir tabela”. Mas se espelha no melhor exemplo, que conheceu quando da criação do ministério. “Acompanhei a criação do MTur, era assíduo interlocutor do ministro Mares Guia e sei o que o turismo pode fazer pelo País”, afirmou. No trabalho com a Câmara dos Deputados e o Senado, sua articulação política será de grande ajuda.

3 - O novo ministro está entusiasmado. “Em menos de uma semana, a equipe do MTur, como a secretária Bel Mesquita (de Políticas do Turismo), os números e os cenários possíveis me entusiasmaram. Não temos de ficar olhando pro passado e sim para o futuro”, disse ele, que já deu ordem, como adiantou do Portal PANROTAS, para a volta imediata do programa Viaja Mais Melhor Idade, que Bel Mesquita quer estender a outros nichos de mercado, como os jovens, os turistas LGBT, entre outros.

4 - Alinhado com o governo, ele quer enfatizar o lado social do turismo. Ele vem de um dos Estados mais pobres e mais carentes em infraestrutura e usa o exemplo da cidade de Barreirinhas, portão de entrada para os Lençois Maranhenses, para mostrar como o turismo pode criar empregos, dar novas perspectivas de vida e desenvolver uma região. “Depende do governo. Temos em Barreirinhas um aeroporto não homologado, por exemplo. Por que o governo não resolve isso? Com pouco investimento podemos capacitar e ensinar profissões novas aos moradores da região. Eles com certeza já acolhem e acolherão ainda mais turistas de todos os níveis”, explica.
Dois projetos que ele já abraçou e está contando como certos são o Pronatec para o Turismo, que seria lançado pela presidenta Dilma, e 100 mil vagas de cursos técnicos para o Turismo, prometidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O Pronatec é um programa do governo que deve abrir 84 mil vagas técnicas exclusivamente voltadas ao turismo para estudantes de escolas públicas.

5 - Ele sabe do papel do MTur na Copa de 2014 (o Bem Receber Copa, programa de capacitação de profissionais), mas quer mais, pois sabe que o Turismo pode mais. “Além de podermos fazer mais no evento, como sinalização, acessibilidade, queremos ir além e pensar no após-Copa. O que será dos trabalhadores temporários que atuarão na Copa e na Olimpíada. Daí a necessidade de um programa amplo de capacitação”, disse ele. Além claro de aproveitar os eventos para promover o Brasil como nunca antes foi possível.

6 - O ministro ainda não montou sua equipe. Portanto, há vagas para secretários, diretores e técnicos que demonstrem não apenas afinidade com o Turismo, mas um certo conhecimento. Não dá para começar do zero novamente.

E o que falta no novo ministro?
Com disposição para ouvir e aprender, as coisas virão com o tempo, mas é importante o trade estar bem perto do ministério, para que se evitem novas aberrações, como o cancelamento de programas importantes, ou ações que não estejam alinhadas com o mercado. O setor privado tem de mostrar que é quem move a indústria, quem executa as políticas e precisa ser ouvido. Estar sempre presente e mostrar números consistentes é importante neste momento, também para evitar que os aproveitadores de sempre continuem querendo levar vantagens (e a gente sabe muito bem quem são).

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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.