Karina Cedeño   |   09/06/2026 12:49
Atualizada em 09/06/2026 13:56

Atrasos de aeronaves e combustível caro seguem pressionando aviação global, alerta Cirium

Rahul Oberai mostra que demanda continua crescendo e que oferta é prejudicada por falta de aeronaves


PANROTAS / Karina Cedeño
Rahul Oberai, Chief Commercial Officer London, UK da Cirium
Rahul Oberai, Chief Commercial Officer London, UK da Cirium

A Cirium realizou hoje (9), em São Paulo, o Latin America Customer Event 2026, encontro que trouxe tendências do setor aéreo para o Brasil e o mundo, além de debates com executivos e especialistas.

No início do evento, o Chief Commercial Officer London, UK da Cirium, Rahul Oberai, trouxe um panorama da indústria aérea global, com base em dados apresentados na Assembleia Geral da Iata, realizada nesta semana no Rio de Janeiro, que contou com cobertura completa da PANROTAS.

“Sabemos que o preço do combustível está cerca de 70% mais alto e continua flutuando, o que resulta na redução das projeções de lucro pela metade. Sendo assim, temos um lucro esperado de US$ 23 bilhões para a indústria aérea. O lucro líquido teve uma queda de 2% e, para vocês terem uma ideia, o lucro por assento é, em média, de apenas US$ 4. Você provavelmente compra uma garrafa de água e um lanche com isso”

Rahul Oberai, Chief Commercial Officer London, UK da Cirium

18 mil aeronaves com atraso na entrega

PANROTAS / Karina Cedeño
De acordo com dados da Iata, hoje há 18 mil aeronaves com atraso na entrega, enquanto 62% da frota global ainda é antiga
De acordo com dados da Iata, hoje há 18 mil aeronaves com atraso na entrega, enquanto 62% da frota global ainda é antiga

Ele afirma que, em termos de oferta, também há um grande desafio para as companhias aéreas no que se refere às entregas de aeronaves.

Hoje há 18 mil aeronaves com atraso na entrega, enquanto 62% da frota global ainda é antiga, pois a produção não acompanha a demanda e não voltou ao nível de 2019. A Airbus tenta atingir 70–75 aeronaves por mês, a Boeing está em 42, ainda abaixo do pico histórico. No segmento de fuselagem larga, a situação é pior. Alguns programas de produção estão em cerca de um terço do nível de 2019”, afirma o executivo.

Enquanto os preços das companhias aéreas estão subindo por causa do combustível mais caro, ainda há demanda e ela continua crescendo, porque os passageiros estão dispostos a pagar esse custo adicional e continuar viajando.

“No que se refere a capacidade total (ASK), vemos uma queda de cerca de 3%. No início do ano, a previsão era de 4% de crescimento em relação ao ano passado. Agora estamos 3% abaixo. Isso significa uma diferença de 7% em relação às expectativas”, disse. Segundo ele, essa queda se dá por três razões principais: problemas de motores, guerra no Oriente Médio e custo de combustível.

Divulgação/Aena Brasil
Enquanto os preços das companhias aéreas estão subindo por causa do combustível mais caro, ainda há demanda e ela continua crescendo
Enquanto os preços das companhias aéreas estão subindo por causa do combustível mais caro, ainda há demanda e ela continua crescendo

“Na prática, isso gera mais foco na otimização de voos. As operações precisam ser otimizadas, com novos motores e aeronaves mais eficientes nas rotas para melhor aproveitamento”, afirma Oberai, ao destacar, ainda, que CEOs de companhias aéreas estão otimistas com mercados como EUA, Europa, China e Ásia.

“Olhando para a questão da capacidade e conectividade, vamos que o maior crescimento em rotas de curta distância (5,7%) se dá nesta região. Pode ser porque no ano passado houve falências e cancelamentos, então neste ano o mercado está mais forte”

Rahul Oberai, Chief Commercial Officer London, UK da Cirium

O tráfego intra-Europa também aumentou, principalmente como resultado dos conflitos no Oriente Médio considerando que passageiros que antes viajariam para a região agora viajam para a Europa.

Queda na confiança do consumidor nas Américas

Outro ponto de análise importante, segundo ele, é a confiança do consumidor. Segundo ele, executivos e líderes do setor devem ficar atentos a esses indicadores de mercado, para tomarem decisões mais assertivas em seus negócios.

“Nas Américas, é interessante observar que a confiança do consumidor, segundo os dados mais recentes de maio de 2026, está em um nível historicamente baixo, o que é contrário ao fato de que os passageiros estão pagando mais. Mas se a confiança do consumidor continuar caindo, podemos ter ventos contrários em alguns mercados”, comentou o executivo.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.