AEROPORTOS

"Mercado aéreo EUA-Cuba irá acabar", diz especialista

Alaska e mais três aéreas já cancelaram voos para Havana após restrição de voos imposta por Trump
Alaska e mais três aéreas já cancelaram voos para Havana após restrição de voos imposta por Trump
Há dois dias, a Alaska Airlines anunciou que encerraria seus voos diários entre Los Angeles e Havana, em Cuba. O argumento foi de que se trata de uma resposta à restrição política colocada em vigor na última semana pelo governo de Donald Trump, que passou a proibir viagens para o país sem autorização e acompanhamento de alguma organização estadunidense. Antes disso, as aéreas Frontier, Spirit e Silver Airways já tinham cancelado seus voos para a ilha caribenha, enquanto a American Airlines diminuiu as frequências.

Para o especialista Aaron Karp, colunista do site norte-americano ATW , o fim da rota Los Angeles-Havana, assim como das demais aéreas, seria um prenúncio da "morte do mercado aéreo entre Estados Unidos e Cuba".

Karp explica que, embora deva continuar existindo uma demanda em voos entre Miami e Cuba, e talvez até partindo de cidades como Washington D.C. e Nova York, se "um voo diário em um Boeing 737 entre o maior mercado da costa oeste dos Estados Unidos (Los Angeles) e a capital cubana não for viável, então o mercado aéreo EUA-Cuba também não é viável".

Divulgação
Alaska Airlines anunciou nessa semana a descontinuação da rota Los Angeles-Havana
Alaska Airlines anunciou nessa semana a descontinuação da rota Los Angeles-Havana
Para o especialista, mesmo antes da administração do Trump rescindir a política de viagens "people-to-people" entre os dois países, método que dava a possibilidade de norte-americanos embarcarem para Cuba individualmente por motivos educacionais, as companhias aéreas já estariam enfrentando dificuldades para manter a rota.

Segundo ele, após a abertura política entre os dois países, muita capacidade inundou o mercado com rapidez, algo não suportado pela infraestrutura da aviação em Cuba, particularmente fora de Havana.

Além disso, um dos motivos seria que embora a política "people-to-people" desse maior abertura para as viagens, não permitia que estadunidenses viajassem a seu bel-prazer para Cuba, ou seja, apenas por Turismo: era necessária alguma justificativa cultural ou por motivos de estudos, voltados para uma relação com a população cubana.

A expectativa das aéreas era de que essas restrições fossem ainda mais afrouxadas, dando seguimento à política de abertura iniciada pelo ex-presidente Barack Obama, mas o oposto aconteceu com Trump.

"Como a Alaska apontou, 80% de seus passageiros viajando de Los Angeles para Havana estavam viajando sob a política "people to people". A aérea decidiu que operar um avião quase vazio para Cuba não fazia sentido. Um Boeing 737-900 é um bem muito caro para ser desperdiçado assim", explicou Aaron Karp em sua coluna, lembrando ainda das demais companhias que cancelaram seus voos para o país.

"Isso deixa a American Airlines, Delta Air Lines, Southwest Airlines, Jet Blue Airways e United Airlines como as aéreas norte-americanas que servem Cuba. Elas têm uma escolha difícil a fazer: seguir a Alaska e acabar com os voos, ou continuar a servir Cuba com capacidade reduzida para manter um pé na rota e reter os direitos de voo para Cuba? Isso provavelmente significa ter perdas econômicas no serviço para Cuba com a esperança de que, eventualmente, uma nova administração irá mudar as regras novamente, o mercado assim dará um retorno financeiro pela rota", afirmou o colunista da ATW.

"As grandes esperanças que as companhias aéreas dos EUA tiveram quando começaram a voar para Cuba em 2016 foram destruídas. O mercado de transporte aéreo entre os EUA e Cuba simplesmente não é viável nas circunstâncias atuais", finalizou Aaron Karp.


*Fonte: ATW

conteúdo original: http://bit.ly/2j2fkeV
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