Beatrice Teizen   |   07/05/2026 13:50
Atualizada em 07/05/2026 13:51

WTTC vê Turismo mais forte que economia global mesmo com crise no Oriente Médio

Entidade alerta para impactos na conectividade aérea, mas reforça resiliência do setor


PANROTAS / Beatrice Teizen
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC

CANAL DE SUEZ (EGITO) – O WTTC realiza pela primeira vez o WTTC Leadership Cruise, evento a bordo do Crystal Serenity que navega pelo Canal de Suez, no Egito, justamente em um período desafiador em meio ao conflito no Oriente Médio.

Ao reunir mais de 300 líderes e players globais do Turismo, o órgão almeja debater o futuro do setor, assim como os obstáculos que a indústria vem enfrentando com a crise, mostrando, também, o potencial do Egito e da região que o navio atravessa, um dos corredores comerciais mais estratégicos do mundo.

Ao abrir oficialmente o encontro nesta quinta-feira (7), a presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara, apresentou números que demonstram a fragilidade do momento, mas que reforçam que o setor de Viagens e Turismo é resiliente e que vai se recuperar, mais uma vez.

“O Turismo global segue crescendo acima da economia mundial mesmo diante de guerras, desafios geopolíticos, eventos climáticos extremos e problemas de conectividade. Enquanto a economia global cresceu 2,8% em 2025, o setor de Viagens e Turismo avançou 4%, atingindo contribuição recorde de US$ 11,6 trilhões para o PIB mundial. Se o Turismo fosse um país, seria a terceira maior economia do mundo”

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC

De acordo com o WTTC, o setor sustenta atualmente 366 milhões de empregos – um em cada nove postos de trabalho no planeta. Nos últimos cinco anos, um em cada três novos empregos criados globalmente veio direta ou indiretamente do Turismo.

A executiva destacou ainda que houve 1,5 bilhão de chegadas internacionais com pernoite em 2025, o maior número já registrado pela indústria. O crescimento aconteceu em diferentes indicadores, incluindo viagens corporativas, lazer, gastos domésticos e internacionais e investimentos.

Impacto (enorme) do conflito no Oriente Médio

Entre as regiões de melhor desempenho no ano passado, Ásia-Pacífico liderou com crescimento de 8%, seguida pelo Oriente Médio (5,3%) e África (5%). Segundo Gloria, o Egito, inclusive, foi o destino com melhor performance no Norte da África.

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Números do WTTC sobre o impacto do conflito no Oriente Médio
Números do WTTC sobre o impacto do conflito no Oriente Médio

Apesar dos números positivos – que ainda dizem respeito a 2025 –, a CEO do WTTC chamou atenção para os impactos da crise no Oriente Médio sobre a conectividade global. Segundo a entidade, a perda apenas com gastos internacionais na região chegou a US$ 600 milhões por dia.

“O maior impacto não é apenas financeiro. É a conectividade. Um em cada sete viajantes internacionais passa pelos hubs do Oriente Médio”

Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC

Segundo ela, a redução da oferta aérea e o aumento do custo do combustível afetaram não apenas a região, mas também mercados como Europa, Índia e Austrália. “Temos menos assentos e passagens mais caras”, diz.

Em números:

  • Impactos estimados do conflito no Oriente Médio
    • Perda de US$ 600 milhões por dia em gastos de visitantes internacionais;
    • Oriente Médio representa 5% das chegadas internacionais globais;
    • Região concentra 14% do tráfego internacional em trânsito – o equivalente a um em cada sete viajantes no mundo;
    • Gastos internacionais de visitantes na região devem alcançar US$ 183 bilhões em 2025.
  • Perspectivas para o setor
    • WTTC considera o Turismo uma indústria altamente resiliente, com possibilidade de recuperação em cerca de dois meses;
    • Entidade alerta para impactos nos preços do combustível de aviação e das passagens aéreas;
    • Segundo dados da Iata apresentados no evento, o preço do combustível de aviação saltou de US$ 95,95 por barril em fevereiro para US$ 181,22 por barril em maio.


Gloria reforça, porém, que o Turismo segue sendo uma das indústrias mais resilientes do mundo. Ela pontua que as pessoas nunca vão parar de viajar. A questão é apenas a velocidade da recuperação.

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Gloria Guevara trouxe perspectivas e esperanças para o setor
Gloria Guevara trouxe perspectivas e esperanças para o setor

A executiva defendeu ainda maior alinhamento entre governos e iniciativa privada para acelerar a retomada em momentos de crise. Análises do WTTC sobre mais de 90 crises globais indicam que o setor pode recuperar rapidamente seus níveis de atividade quando há coordenação entre os diferentes players da indústria.

Além da conectividade, Gloria Guevara apontou temas como facilitação de viagens, gestão de crises, escassez de mão de obra, vistos, sustentabilidade, inteligência artificial e investimentos como prioridades do órgão para os próximos anos.


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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação