Beatrice Teizen   |   09/06/2026 11:05

Economia, geopolítica e IA transformam viagens corporativas em plataforma estratégica

Consultor em Business Strategy abordou temas no GBTA Business Travel Forum São Paulo


PANROTAS / Emerson Souza
Marco Penteado falou sobre geopolítica, economia e IA nas viagens corporativas
Marco Penteado falou sobre geopolítica, economia e IA nas viagens corporativas

O ambiente previsível que durante décadas sustentou as viagens corporativas ficou para trás. Em palestra no GBTA Business Travel Forum São Paulo, nesta terça-feira (9), o consultor em Business Strategy Marco Penteado mostrou que o setor entrou na era da "volatilidade estrutural", marcada por oscilações cambiais, tensões geopolíticas, juros elevados, eventos climáticos extremos e o avanço acelerado da inteligência artificial.

Como é possível acompanhar nos últimos anos, atores econômicos e geopolíticos passaram a influenciar diretamente a gestão de viagens. A alta dos juros encarece o capital das empresas e aumenta a pressão para justificar cada deslocamento, enquanto a volatilidade cambial reduz o poder de compra dos orçamentos já aprovados e torna mais caros itens como passagens aéreas, hospedagem e locação de veículos.

“Além disso, conflitos internacionais afetam o preço do petróleo, impactando rapidamente as tarifas aéreas. As companhias aéreas não vendem apenas assentos, elas vendem precificação de risco futuro. Por isso, acompanhar indicadores econômicos deixou de ser algo restrito aos CFOs e passou a ser uma competência fundamental para quem gerencia viagens corporativas"

Marco Penteado, consultor em Business Strategy

Nesse contexto, o travel manager assume um papel cada vez mais estratégico. Para o especialista, os profissionais precisam ir além da análise de relatórios históricos e desenvolver capacidade de antecipar tendências, interpretar cenários macroeconômicos e adaptar políticas de viagens de forma dinâmica.

"A volatilidade cambial representa uma mudança de comportamento corporativo. O gestor atual não pode olhar apenas para o que está acontecendo hoje; precisa acompanhar indicadores macroeconômicos para antecipar tendências", ressalta

TMCs e gestores do futuro

Ao abordar o futuro da distribuição e da gestão de viagens, Penteado afirmou que as TMCs precisarão migrar de um modelo somente operacional para uma atuação consultiva. Segundo ele, a inteligência artificial já permite automatizar processos, gerar recomendações contextuais e otimizar custos, mas o diferencial competitivo estará na capacidade de interpretar cenários complexos para os clientes.

"As TMCs mais valiosas do mundo venderão leitura de cenários, não apenas emissão de bilhetes. A diferença da TMC do futuro estará em deixar de ser operacional para se tornar consultiva e estratégica", pontua.

Para ele, o futuro da gestão de viagens corporativas estará apoiado em quatro pilares: antecipar, interpretar, proteger e liderar. "O travel manager virou inteligência adaptativa em tempo real", conclui.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação