MERCADO

Economia compartilhada é o modelo do futuro? Veja prós e contras

Texto publicado originalmente na Revista HRS: Hotel Expert, edição de fevereiro de 2015. A autoria é de Jürgen Baltes.

Uber, Airbnb ou serviços de compartilhamento de veículos (carsharing): novos modelos no mercado alteram os hábitos dos viajantes. Baseadas na filosofia da economia compartilhada, essas novidades valorizam a redução de custos através do compartilhamento de um produto ou serviço. Esse modelo supre as necessidades dos viajantes corporativos? A questão levanta diferentes opiniões. Confira:

Reprodução / Pixabay
Economia compartilhada tem prós e contras para viajantes corporativos
Economia compartilhada tem prós e contras para viajantes corporativos
PRÓS - ARNBJÖRN EGGERZ, PROPRIETÁRIO DA CONSULTORIA DE EMPRESAS ICEVENTURE
"Quero viajar a negócios como viajo a lazer".

Quando viajo a lazer, sempre faço as reservas de hospedagem com a Airbnb. A praticidade é comprovada, especialmente nas regiões que não dispõem de muitos hotéis. Assim, está claro que resolvemos utilizar estas boas experiências em nossas viagens de negócios, já que meus colegas e eu viajamos muito. O procedimento não poderia ser mais simples: a minha assistente está instruída a verificar portais de hotéis e também plataformas de compartilhamento. Para mim, o mais importante é um alojamento agradável, com um preço justo, localização próxima do local onde preciso ir.

Neste contexto, a "sharing economy" (economia compartilhada) oferece bons resultados. O único ponto negativo é: as vezes, a confirmação da reserva demora vários dias. Assim sendo, quando temos pressa, os hotéis reagem mais rápido. Mas se eu tiver que passar uma semana em Berlim, daqui a um mês, para visitar um cliente, eu utilizo uma hospedagem particular, o que me agrada o espaço que é, quase sempre, maior e mais confortável do que nos hotéis.

Se bem que isto não é nada de novo. Quem frequenta a Feira Cebit há mais tempo deve lembrar que o mercado hoteleiro em Hannover e arredores sempre foi muito pequeno para o fluxo de visitantes do evento. Assim, a organização da feira intermediava alojamentos em casas particulares que, na época, não eram locatários profissionais. Esta nova técnica ajudou a promover estas ofertas para um grande público.

Sem dúvida, somos uma empresa pequena. Não dispomos de parceiros contratuais no setor de viagens e podemos agir de modo absolutamente flexível. Em uma grande empresa isso, provavelmente, seria diferente. Eu conheço empresas que têm tarifas tão boas com seus parceiros, que não precisam procurar alternativas.
Mas, este desenvolvimento ainda está no início. Não vejo porque, futuramente, as empresas não devam negociar também com a Airbnb, por exemplo, para conseguir tarifas reduzidas ou para ter uma oferta mínima em determinados destinos.

Pessoalmente, acho muito interessante a seguinte questão: quais ofertantes terão, de fato, um futuro brilhante com um bom modelo de negócios? Neste contexto, considero ofertas de pernoite mais duradouras do que os serviços de transporte, como Uber, onde vejo pouca diferença em relação aos serviços dos táxis. O próximo impulso para inovações, no setor da mobilidade corporativa em trajetos curtos, pode ser a utilização de veículos autônomos, como o Google Car.


CONTRAS - ANDREA ZIMMERMANN, PROPRIETÁRIA DA BTM4U, ASSESSORAMENTO DE GESTÃO DE VIAGENS
"Existem muitas questões em aberto".

Airbnb, Uber e Co. se apresentam de modo autoconfiante. Querem fazer parecer que todos utilizam esses novos serviços. Porém, até agora, não vejo isso nas empresas, inclusive a nível internacional. Sem dúvida vejo vantagens, por exemplo, preços reduzidos, boa localização, ambiente confortável e infraestrutura para cozinhar. Inclusive a variedade de modelos de carsharing e similares, fazem sentido até por motivos ecológicos.

Mas muitas coisas que eu, pessoalmente, considero interessantes, não apetece os gestores de viagens, e eu os entendo. Eles são responsáveis por seus viajantes, eles tem uma obrigação de diligência estipulada por lei. Eu conheço grandes grupos norte-americanos que, segundo suas diretrizes internas, só podem reservar quartos de hotel acima do terceiro andar se as janelas não puderam ser abertas, por medo de acidentes e indenizações. Não é à toa que hotéis têm que cumprir muitas demandas de segurança.

Quais padrões de segurança são garantidos pela Airbnb? Quais os critérios referentes às escadas de incêndio, saídas de emergência e sensores de fumaça? Quantas pessoas têm uma chave extra do apartamento e podem entrar e sair a qualquer hora? Quem se responsabiliza pelo fator segurança em táxis particulares, por exemplo, em zonas conhecidas por sequestros relâmpago?

Entendo que as grandes empresas têm que ser muito mais cuidadosas quanto a todos estes aspectos. Por um lado, os responsáveis têm um distanciamento maior em relação aos seus viajantes e, por vezes, não se dão conta de eventuais problemas. Por outro lado, o risco de que algo possa dar errado, em se tratando de 10 mil viajantes, é consideravelmente maior do que no caso de 50.

Ainda existem outras questões em aberto que dificultam a utilização, por exemplo, a inclusão em processos de reservas e faturamento das empresas ou a forma correta de elaborar uma fatura. Mas penso que isto são questões que serão esclarecidas com o tempo. Por que a Airbnb não deve aceitar cartões de crédito corporativos ou oferecer alojamentos de negócios "controlados" no futuro?

Não podemos parar o tempo. Jovens que já tinham o hábito de viajar, transportam os seus hábitos para as empresas, demandam menos regras e mais confiança no senso comum. Vivemos em uma época muito interessante, onde as necessidades dos viajantes e a oferta do mercado aumentam todos os dias. Mas isso demanda um grande equilíbrio entre os processos existentes e as novas demandas. As empresas não irão mudar suas filosofias da noite para o dia apenas porque a Airbnb existe.
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