Beatrice Teizen   |   09/06/2026 18:42
Atualizada em 09/06/2026 18:43

Reforma tributária exigirá revisão de contratos e políticas em viagens corporativas

Especialista da Taticca explica como novo sistema pode alterar a análise de custos, créditos e contratos

PANROTAS / Emerson Souza
Luiz Carlos Benner, da Taticca
Luiz Carlos Benner, da Taticca

A reforma tributária promete simplificar o sistema de impostos brasileiro no longo prazo, mas, durante o período de transição, exigirá atenção redobrada das empresas – especialmente das áreas responsáveis por viagens corporativas.

O alerta foi feito pelo sócio de Impostos e Consultoria da Taticca, Luiz Carlos Benner, durante o GBTA Business Travel Forum São Paulo, nesta terça-feira (9).

Segundo Benner, a principal mudança não está apenas na área fiscal, mas na operação das empresas. A partir da implementação gradual do novo modelo tributário, gestores de viagens precisarão acompanhar mais de perto contratos, fornecedores e processos internos para garantir o aproveitamento correto dos créditos tributários.

Em março, inclusive, o TMG realizou uma de suas reuniões mensais focadas no tema, trazendo dicas para o travel manager construir um plano de ação. Confira aqui.

"O impacto da reforma será muito mais operacional do que tributário. Quem compra, negocia contratos e gerencia viagens precisará entender as novas regras"

Luiz Carlos Benner, sócio de Impostos e Consultoria da Taticca

Uma das novidades é que despesas comuns das viagens corporativas, como passagens aéreas, locação de veículos e serviços de agenciamento, passarão a gerar créditos tributários para as empresas. Por outro lado, gastos com hospedagem continuam entre os pontos mais controversos, já que a legislação atual restringe a tomada desses créditos.

Outro aspecto destacado pelo especialista é a necessidade de avaliar com mais cuidado os fornecedores. No novo sistema, o aproveitamento de créditos estará diretamente ligado ao recolhimento dos tributos pelo prestador do serviço. Na prática, isso significa que empresas deverão monitorar a regularidade fiscal de parceiros para evitar prejuízos.

Revisar políticas e contratos

Benner também chamou a atenção para a importância de revisar contratos e políticas de viagens antes do início da transição. Para ele, áreas como Compras, Financeiro, Jurídico e Gestão de Viagens precisarão atuar de forma integrada para evitar aumento de custos e garantir o melhor aproveitamento das oportunidades trazidas pela reforma.

"O preço mais baixo nem sempre será a melhor escolha. Será preciso avaliar o custo real da operação, considerando os créditos que poderão ser recuperados", afirma.

Apesar dos desafios iniciais, o especialista acredita que o novo modelo tende a trazer mais transparência para a composição dos preços e para a tributação dos serviços, permitindo que empresas tenham uma visão mais clara dos custos envolvidos em suas viagens corporativas.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação