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Publicada em 29/12/2009 09:17:00

Professores da UniverCidade criticam Plano Aquarela

Na home e acima, Maurício Werner e Bayar Boiteux
Na home e acima, Maurício Werner e Bayar Boiteux
Os professores Bayard Boiteux e Maurício Werner, coordenador do curso de Turismo e diretor do curso de Turismo da UniverCidade (RJ), respectivamente, enviaram um artigo ao Portal PANROTAS que aborda a promoção turística do Brasil no Exterior. No texto, eles lamentam que os esforços para atrair turistas não tenham surtido efeito e apontam falhas do Plano Aquarela. Leia abaixo, na íntegra, o artigo dos professores.

“A promoção do Brasil no exterior
Por Bayard Boiteux e Mauricio Werner

O Brasil, infelizmente, não tem conseguido aumentar o número de turistas estrangeiros que nos visitam, apesar de todos os esforços promocionais do governo federal, sobretudo aqueles oriundos do Plano Aquarela. Não recebemos nem sequer um por cento de todos os turistas internacionais que viajam pelo mundo e o governo resolveu apenas falar em receitas geradas pelo turismo, sem mencionar o fluxo quantitativo.

O Plano Aquarela, que conceitualmente traz ações pontuais nos mercados prioritários não apresenta nenhuma inovação nas formas de promoção. Repete programas anteriores como escritórios no Exterior, tours de familiarização, press trips e participação em eventos internacionais. Tal fórmula é a mesma apresentada nos últimos 20 anos e não nos trouxe aumento significativo de consumidores. Ao analisar o Plano Aquarela, vejo exatamente o trabalho revolucionário, a época de Oswaldo Trigueiros e Glória Britto Pereira, na Funtur mas que para nossa tristeza não evoluiu.

O trabalho das grandes empresas de turismo, com raras exceções, não tem nenhuma criatividade, nem no formato e nem na inovação. Eventos de turismo discutem os mesmos problemas, quase sempre ligados a comissionamento de empresas aéreas.

Estamos no século 21 e precisamos mostrar uma nova cara ao mundo globalizado. Não a de programas assistencialistas, baseados numa filosofia política ultrapassada mas num país que possui grandes talentos e pesquisadores, que podem revolucionar a atividade com base na criatividade.

O mundo ainda nos percebe como um grande balneário, repleto de música e futebol. Pouco avanço houve numa promoção de nossa gente e de nossos valores culturais. A segmentação passa por uma efetiva visão do potencial local ancorado em tendências como as experiências culturais, o viajar por conta própria e a internet como instrumento de escolha de produtos, com verdadeiras viagens virtuais com visão prévia de nossos sonhos. Estamos muito mas muito longe de tal realidade: cidades mal sinalizadas turisticamente, falta de centros de informações turísticas, inexistência de um toll free em vários idiomas, funcionando 24 horas, para orientar o turista. É tão pouco e já fizemos tais sugestões inúmeras vezes. Não seria mais evidente cuidar melhor de dita infraestrutura primária, para depois promover melhor e com uma nova política para os fluxos que aqui chegam?

É triste e desculpe novamente a utilização de tal expressão de não vermos um efetivo benchmarketing com destinos que estão dando certo e que poderiam nos ajudar. Chega de tanta foto e tanto sorriso de autoridades e vamos passar para um trabalho efetivo.

Nos últimos anos,vimos nascer os Embaixadores do Rio, os cafés da manhã com o Corpo Consular, os seminários educacionais para vendas de destinos, o Rio é de vocês, Rio Convention and Visitors Bureau sem um aproveitamento melhor do Poder Público. Cada governo quer apenas dizer o que está fazendo e desconhecer o passado do Turismo. Em sã consciência, ninguém pode ignorar a revolução nas gestões Caio Luiz de Carvalho, João Dória Junior, Miguel Colassuano, Roberto Gherardi, Trajano Ribeiro, Alfredo Laufer, para citar apenas alguns exemplos. Não seria vital criar um conselho de notáveis que pudessem se posicionar? Vejo no Conselho de Turismo da CNC uma voz que quer colaborar e que pode, sem conotação governamental, ser uma forma de assessoria nas políticas públicas e privadas de turismo.

Precisamos nos conscientizar que o mundo anda muito rápido e que não podemos perder o trem TGV, caso contrário ficaremos fora do circuito internacional, apesar da captação de grandes eventos esportivos, que são momentâneos mas não geram um aumento real de turistas nos anos subsequentes.

Vamos olhar para os mercados mais próximos e investir mais no Mercosul e na preparação de nossos recursos humanos para recebimento de tais visitantes, como faz muito bem o Estado de Santa Catarina. Nossa preparação tem que ser mormente presencial e não à distância. É pouco provável que cursos de idiomas ministrados pela internet possam trazer melhorias reais.

Não quero ter uma visão pessimista mas com a proximidade das eleições e as visões de crescimento de 100% de turistas em dez anos, apresentadas no Rio, pelas autoridades federais, que não condizem com a realidade que se nos apresenta, precisamos mudar.

É uma reflexão, de alguém que com muita humildade e parcimônia deseja colaborar e quer ver um Brasil diferente na percepção de possíveis compradores do produto mas sobretudo que a Lei Geral do Turismo, o PNT e o Plano Aquarela possam ajudar no aumento de turista e no market-share.

Maurício Werner e Bayard Boiteux"
Gabriel Guirão
comentários
BAYARD DO COUTTO BOITEUX
UNIVERCIDADE-ESCOLA DE TURISWMO E HOTELARIA
enviado:
31/12/2009 07:31:50
O Sr Luiz Chamisohn deveria ler melhor o artigo.Nossa crítica é num primeiro momento a falta de criatividade do Plano Aquarela e sobretudo a ineficácia no aumento de turistas.Sinceramente,a utilização "politiqueira" é totalmente inadequada. Sabemos bem que a promoção institucional é de competência dos órgãos públicos mas só se torna produtiva,se for acompanhada de um trabalho comercial,com investimentos efetivos da iniciativa privada. Apenas,para informação do mesmo,já estive 5 vezes na Fitur,10 vezes no ITB,4 na WTM,3 no IT and ME,por exemplo,onde inclusive fiz apresentações/palestras. Fica o registro. Feliz Ano novo ao senhor.
João Luiz Franco Coelho
Heliance Turismo
enviado:
30/12/2009 11:41:38
Portanto acho que tambem tem que se fazer um estudo menucioso e trabalhar com as Operadoras, pois sem elas sempre vamos ter este turismo de formighinha que temos no Brasil. Vamos a Feira na Inglaterra e a onde estão os turistas inglese,Italianos e espanhois. Se não for feito parcerias e depois a divulgação do destino nos paises que realmente podem enviar turista vamos continuar engatinhando no turismo. Mirem-se no Exemplo de destinos que tem como grande emissores Operadoras como a TUI a Thomas cook Neckermann, Kuoni e várias outras, onde eles estão o destino está cheio de turistas.
João Luiz Franco Coelho
Heliance Turismo
enviado:
30/12/2009 11:32:43
Concordo plenamente com os prefessores Bayard Boiteux e Maurício Werner, acho que o governo coloca muito dinheiro fora, focando em ações que já estamos cançados de saber, que não vai ter retorno nenhum. Quanto a participação de feiras até acho que são válidas, mas não adianta nada gastar rios de dinheiro com um grande estande e com custos altissimos de pessoal de viagens e etc. Em 2002 minha empresa em parceria com uma empresa européia captamos para Fortaleza 8 vôos charters semanais o que hoje transformou-se em dois, pois todo o investimentos para vinda destes charters foi nosso. O porque de hoje só dois: Pedimos a ajuda dos governos estadual e Federal para promoção dos destinos juntos as operadora que se propunham a investir o mesmo valor aplicado pelo governo e infelizmente, nada.
JUAREZ CARVALHO FILHO
enviado:
30/12/2009 11:00:01
Acompanho o trabalho dos professores a muito tempo, mas gostaria de fazer um pequeno comentário. Ao mencionar os trabalhos realizados por Caio, Jorge Doria etc...deveriam ser mais específicos. O que realmente ele fizeram de diferente do que está sendo feito?
LUIZ GOLTZ
Bergen Consultoria
enviado:
29/12/2009 23:22:09
O artigo dos professores da UniverCidade é muito bom e coerente. Antes de fazer famtour, divulgação cara no exterior e outros "investimetos" é preciso se preparar de forma adequada. Um turista que chegue ao Brasil já leva susto no desembarque em GRU, com a bagunça e falta de espaço. E seguem os problemas em qualquer lugar para onde se dirijam. Mesmo no aeroporto não é comum achar quem saiba falar inglês (alguns acham que falam, mas deviam voltar para a escola...). Um turista que alugue um carro para viajar pelo BR vai ter muitas surpresas... Por isto a grande maioria dos turistas que nos visitam vem por motivos profissionais ou porque tem parentes ou amigos (que servirão de Guias) ou, o que se justifica pela nossa imagem no exterior, o "turista" que vem atrás de sexo barato.
Aguinaldo Luiz Martins deAlbuuerque
Autonomo
enviado:
29/12/2009 23:07:29
Simplesmente sensacional. Os escritorios no exterior, basta fazer um teste, não tem material, ninguem atende, ninguem sabe dar informações. Famtour, sempre foi e será farra. Bastam copiar as ações do Governo Municipal de Gramado, política que deu e tem dado certo, e, vai dar por muito tempo devido ao comprometimento das pessos envolvidas... Também temos que torcer para a melhoria dos cursos de nivel superior na área de Turismo, Hotelaria, Eventos, Ciências Politicas e Sócio Econômicas, isto em âmbito nacional, que neste momento são deficientes. Somente com profissionais qualificados podemos então ter o turista estrangeiro em nosso PAÍZ. E, para finalizar vamos começar a tratar com mais seriedade a nossa tão querida "FEIRA DAS AMERICAS" ABAV, e, não para aqueles que vulgarizam a FEIRA...
Edvaldo Castro
enviado:
29/12/2009 16:52:06
Josevaldo...Farra com o dinheiro dos outros, em muitos casos o estado gasta pra colocar um estande em uma feira internacional e chegando lá você não encontra um técnico pra dar informações do destino, apenas pessoas que ganham dinheiro levando material de dezenas de empresas locais para divulgação usando o estande do estado. Faltam pessoas capacitadas nas Secretarias de Turismo dos estados, quantos estados não tem um concurso para as suas SETUR há vários anos? Vários...onde estão as pessoas capacitadas para trabalhar com o internacional? Não existem... a capacitação tem de começar fazendo o dever de casa, colocando pra fora apadrinhados sem experiência e sem ao menos falar outro idioma. Aí fica a pergunta, quem tem coragem de fazer isso?
Josevaldo Anizio Silva
enviado:
29/12/2009 11:52:43
Simplesmente sensacional. Os escritorios no exterior, basta fazer um teste, não tem material, ninguem atende, ninguem sabe dar informações. Famtour, sempre foi e será farra. Bastam copiar as ações do Governo Municipal de Gramado, política que deu e tem dado certo. Muito bom a análise feita pelos Professores. Muito real e pertinente. Parabéns.
Luiz Chaimsohn
TransIbérica Viagens e Turismo Ltda
enviado:
29/12/2009 10:37:47
A analise desses professores me parece bastante "politiqueira" e nada técnica ao criticarem o plano aquarela em suas principais estratégias. A promoção institucional tem que ser sim feita por órgãos governamentais , nenhuma empresa, mesmo em época de Papai Noel , vai investir para promoção de um destino , a empresa promove seu produto . E justamente as principais ações que eles criticam : escritórios no exterior,tours de familiarização,press trips e participação em eventos internacionais . São constantemente utilizadas por governos de vários paises, Espanha, França, Itália etc e cá entre nós ninguém pode dizer que eles não sabem o que estão fazendo e quantos as participações em feiras internacionais, se eles fossem a Fitur por exemplo, veriam que o Brasil está bem mais profissional

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