Bruno Hazov   |   07/08/2023 09:17   |   Atualizada em 08/08/2023 09:48

Conheça a nova operadora dos aeroportos Campo de Marte/SP e Jacarepaguá/RJ

CEO da Pax Aeroportos, do grupo XP Asset, revelou os planos de investimento da operadora de aeroportos


Divulgação
Campo de Marte (SP) é um dos dois aeroportos sob concessão da Pax Aeroportos por 30 anos
Campo de Marte (SP) é um dos dois aeroportos sob concessão da Pax Aeroportos por 30 anos
A recém-criada Pax Aeroportos, do grupo XP Asset, iniciou oficialmente suas operações em junho deste ano, ao assumir a concessão de dois aeroportos nas principais capitais urbanas do Brasil. Ao 100X BRASIL, Rogério Prado, CEO da empresa, revelou os planos de investimento da Pax e as melhorias previstas para os dois ativos.

100X BRASIL - Como a PAX Aeroportos foi criada?

ROGÉRIO - A XP Asset participou do 7º leilão de concessão de aeroportos no ano passado e foi vencedora, arrematando os aeroportos de Campo de Marte (SP) e o Aeroporto de Jacarepaguá (RJ), pagando uma outorga de R$ 141 milhões pelos contratos de concessão de 30 anos desses dois ativos. Para administrar esses aeroportos, o grupo XP Asset criou uma Sociedade de Propósito Específico, e assim surgiu a PAX Aeroportos - cujo nome é inspirado na sigla para passageiros e contém as iniciais do grupo XP Asset.

100X BRASIL - Qual foi o investimento total nesses dois aeroportos?

ROGÉRIO - Além dos R$ 144 milhões pedidos pela concessão dos ativos, a ANAC estabeleceu uma série de compromissos que devem ser cumpridos pela empresa vencedora do certame, como o pagamento de R$ 121 milhões de verba indenizatória para cobrir um provável desligamento de funcionários da Infraero, mais os reembolsos de todos os estudos de viabilização desses aeroportos, mais os honorários da B3 - a bolsa de valores brasileira - que gira em torno de R$ 6 a 7 milhões. Então podemos afirmar que o investimento para ter o "ticket de entrada" para administrar esses aeroportos foi de R$ 272 milhões, fora o que será investido em infraestrutura nos 30 anos de concessão.

100X BRASIL - Quais serão os investimentos estruturais nos aeroportos?

ROGÉRIO - Hoje, os dois aeroportos operam em categoria visual, e uma das obrigações é subir para a categoria de instrumento de não-precisão. Isso significa que, hoje, esses dois aeroportos operam decolagens e pouso de maneira puramente visual, fechando as pistas quando o tempo não está favorável. Elevando a categoria para instrumentos de não-precisão, o aeroporto poderá operar com condições melhores, pois terá equipamentos mais modernos e capazes de auxiliar pousos e decolagens mesmo com condições não favoráveis de clima. Essa elevação de categoria também eleva o tamanho das aeronaves que podem operar nesses aeroportos, ainda dentro da categoria de aviação executiva (que não incluem jatos do tamanho daqueles dedicados a aviação comercial) a partir de intervenções de ampliação e readequação das pistas de pouso e decolagem.

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Rogério Prado, CEO da Pax Aeroportos, do grupo XP Asset
Rogério Prado, CEO da Pax Aeroportos, do grupo XP Asset

Para os próximos anos, também pretendemos investir em aeronaves elétricas para voos urbanos aqui no Campo de Marte, com foco ainda na aviação executiva, servindo um raio de 100km. São os chamados eVTOLs, (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical) que passarão a ser lançados nos próximos dois a três anos por diversas empresas, inclusive uma startup da brasileira Embraer, cujo valor na bolsa de valores já supera o da própria matriz. Para isso, precisamos ouvir os principais players desse mercado para entender quais as necessidades de infraestrutura e poder adequar nossos hangares e pistas para, por exemplo, poder carregar essas aeronaves.

100X BRASIL - Como está a operação da Pax no presente momento?

ROGÉRIO - No presente momento estamos passando por um processo de operação assistida, ou seja, nosso time acompanha a operação da Infraero para depois assumir 100% das operações. Em paralelo a isso, estamos realizando estudos de necessidade de melhoria de toda a infraestrutura aeroportuária. Inicialmente, já estão previstas reformas no nosso plano de ações imediatas que visam corrigir potenciais deficiências estruturais já identificadas nesses aeroportos. Há um marco contratual previsto de que a PAX precisa realizar, em um período de três anos, intervenções que melhorem a categoria de operação do aeroporto.

100X BRASIL - Há planos de participar de mais leilões de aeroportos?

ROGÉRIO - A Pax Aeroportos não participa da tomada de decisões de novos investimentos da XP Asset, mas enxerga com naturalidade que o grupo participe de mais leilões, como já o fez, a fim de arrematar mais estruturas aeroportuárias, uma vez que o grupo já está bem estruturado neste mercado, com dois ativos importantes. Esses dois ativos servirão de vitrine e balizador para que a XP enxergue esse tipo de investimento com bons olhos, ampliando a quantidade de aeroportos sob sua gestão no futuro.

100X BRASIL - Há planos para aumentar rotas após a elevação de categoria?

ROGÉRIO - Com certeza há. Embora não dependa de nós, e sim de uma demanda que deve ser enxergada pelas companhias aéreas, nós já estamos em contato com a Azul, que hoje opera, por meio da Azul Conecta, cerca de sete voos diários de até 9 passageiros em uma rota direta entre Jacarepaguá e Congonhas. Essa rota é muito bem vista pela Azul e, com a ampliação dos nossos aeroportos, tenho certeza que mais rotas irão surgir.

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