O que os agentes de viagens esperam das operadoras? Veja as respostas
Ouvir o agente deixou de ser apenas proximidade e passou a ser um caminho para entender o presente

Linha de frente da cadeia produtiva, o agente de viagens sabe melhor do que ninguém quando algo está fora do lugar. Trata-se do elo mais sensível a falhas, como um suporte que não chega no momento certo ou ruídos na comunicação com o fornecedor.
Em um setor que passou por transformações profundas nos últimos anos, essa percepção ganhou ainda mais peso. Ouvir o agente deixou de ser apenas um gesto de proximidade e passou a ser um caminho essencial para entender o presente e projetar o futuro das operadoras. Para facilitar a fluidez entre as operadoras e as agências de viagens, a Revista PANROTAS perguntou aos agentes: "O que você espera das operadoras de Turismo em 2026 para ajudar nas suas vendas e no seu trabalho? O que espera da parceria neste ano e além?"

Acumulamos mais de 30 respostas, e a seguir apresentamos os resultados e os principais depoimentos:
Ranking dos temas mais citados
- Atendimento e relacionamento humano (19 menções)
- Pós-venda e suporte 24 horas (15 menções)
- Treinamentos e capacitação (14 menções)
- Famtours e incentivos (12 menções)
- Preços e condições comerciais (11 menções)
- Tecnologia e sistemas (9 menções)
- Marketing e apoio comercial (8 menções)
- Comunicação e informação (7 menções)
- Responsabilidade e burocracia (5 menções)
- Proximidade com agências menores (4 menções)
Com a palavra, os agentes de viagens
Silvana Aragão Brazil, da Aventura Sem Fim

"Melhores valores, condições de pagamento em boleto e que as operadoras se responsabilizem pelos seus atos, entendendo 100% que os agentes apenas são intermediários nas vendas."
Ana Karolina Fernandes Barbosa, da KF Viagens e Turismo

"Parceria e preços iguais aos das companhias aéreas ou mais baratos. Na verdade, as companhias aéreas que não são parceiras geralmente têm preços mais baixos do que no site das consolidadoras e operadoras."
Luciana Rinco, da Luciana Rinco Especialista em Viagens

"Espero preços mais competitivos com os das OTAs e valorização das parcerias para treinamento, eventos e famtours. Que entendam a diferença que uma 'Eugência' e uma agência com vários funcionários têm em volume e valorizem nosso negócio. Saibam mensurar que muitas vezes levamos todo nosso movimento para aquele parceiro."
Clarissa Fusco, da IT Clarity Viagens

"Uma base de marketing digital para as agências seria muito bom. Além de nos auxiliar com paridade tarifária nos hotéis."
Rita de Cássia Leite Menezes, da Rita Menezes Viagens e Turismo

"Espero das operadoras uma parceria real, com: tarifas mais competitivas, atendimento ágil, informações claras, suporte no pré e pós-venda, processos simples, comissões justas e comunicação transparente. O agente precisa de operadoras que resolvam, não que dificultem."
Marcia Regina de Siqueira Teruya, da Imagine Tour

"Eu espero das operadoras muito mais do que produtos. Espero uma parceria de verdade. No dia a dia, estamos na linha de frente com o passageiro, lidando com expectativas, sonhos e também com problemas quando eles surgem. Por isso, preciso de operadoras que caminhem junto com o agente, que entendam o peso da nossa responsabilidade e nos ajudem a vender com segurança, clareza e confiança.
O que eu espero das minhas operadoras parceiras:
- Atendimento humano, acessível e resolutivo, principalmente quando algo não sai como o planejado;
- Agilidade nas respostas, tanto na pré-venda quanto no pós-venda. Tempo faz diferença;
- Informações claras, completas e atualizadas, para que eu possa orientar bem meus passageiros;
- Suporte real ao agente, sem nos deixar sozinhos diante do cliente;
- Treinamentos e capacitações constantes, que ajudem a vender melhor e com mais propriedade;
- Respeito pelo papel do agente de viagens, entendendo que somos parceiros estratégicos, não apenas um canal de vendas."
Carlos André de Brito, da Briturismo

"Temos ótimas operadoras no mercado. Para 2026, desejo mais velocidade nas respostas e sistemas de informações cada vez mais inteligentes e seguros."
Eliane Renata Ferreira, da Tapira Expeditions

"Não quero ser apenas um canal de distribuição, mas uma extensão especializada da sua marca. Espero que a operadora me veja como seu consultor em campo, e eu espero que ela seja meu backoffice especializado e tecnológico, fornecedor de produtos com alma e parceiro de confiança para garantir a melhor experiência ao meu cliente final. O futuro é das operadoras que entenderem que o agente de viagens não é um intermediário a ser eliminado, mas um curador de experiências e um consultor de confiança cujo sucesso é interdependente do delas. A tecnologia deve nos empoderar, não nos substituir."
Paula Beatriz Ladeira, da Pequenos Detalhes Turismo

"Mudança de postura de algumas operadoras e executivos, que pós-pandemia, quando passamos a ser home office, substituíram o calor humano por lista de transmissão. Isso não basta..."
Fernanda Cristina Duarte da Silva Braga, da Fe Braga Tour

"Espero das operadoras de Turismo em 2026 uma parceria verdadeira, com comissões justas, produtos atualizados e flexíveis, tecnologia simples e eficiente, capacitação prática para vendas e suporte ágil no pós-venda. Que valorizem o agente como profissional estratégico, apoiem ações de marketing e construam relações de longo prazo, focadas em crescimento conjunto e na melhor experiência para o cliente final."
Márcia Giorgi, da Magic Moments Turismo

"Espero preços bons, parcelamento e clareza nas informações nos portais de reserva, pois muitas vezes faltam muitas informações e temos que ficar perguntando ou buscando no Google."
Alessandra Merighe, da AVM Turismo

"Condições do portal iguais para todas as agências. Já vi que em algumas operadoras eles não abrem todas as abas de negociação para agências pequenas."
Samantha Beyruth Casellato Perrucci, da Blessingtravel Viagens e Turismo

"Mais capacitação de destino, de preferência pessoalmente. Famtrip não deve ser somente para os que mais vendem, pois sempre acabam indo os mesmos, mas deve ser sim um incentivo aos que vendem menos, justamente para aumentar as vendas daquele destino, pois o que conhecemos podemos vender muito melhor com conhecimento de causa. Assim como foi o Integra+ em Bonito, muito enriquecedor e agora consigo vender muito melhor."
Priscila Lado Cruz, da Mania de Destinos

"Formas de pagamento, lâminas de divulgação e materiais prontos para redes sociais, treinamentos, pós-venda e emergencial eficientes, campanhas de incentivo e famtours."
Jonas Finazzi, da IT Turismo Jimbaran

"Atendimento! Os atendentes não fazem mais atendimentos. Nem todo destino somos expert, e precisamos de ajuda."
Fernanda Gattringer, da Certeza Viagens

"Seria ótimo se tivéssemos o mesmo apoio e atenção em momentos de algum imprevisto, em horários fora do comercial ou quando algum problema ocorre. Que dedicassem nestes momentos a mesma preocupação e carinho que dedicam quando realizam visitas e precisam de vendas."
Janaína Lopes, da Viiajar.com

"Unificação sistêmica: ajudaria muito para importarmos dados para nossos sistemas; rotina mensal de treinamento de destinos; aumento de mão de obra de suporte nos finais de semana e plantões noturnos, principalmente para clientes em viagem. Mais network com as companhias aéreas e flexibilidade no atendimento ao agente."
Patricia Figueiredo Carvalho, da L&L TurViagens

"Espero mais treinamentos, e que os mesmos sejam abertos às novas agências, como a minha, pois é importante conhecer as pessoas e as operadoras. Faço a minha parte indo às feiras e eventos que sou chamada, mas sinto que falta mais abertura, principalmente para os novos no Turismo. Além disso, espero que os famtours não sejam apenas para quem vende muito. Pelo menos uma vez pode ser dado aos novos e, se tiver retorno, que só faça o próximo se vender. Mas como vamos vender com propriedade sem conhecer os destinos?"
Karla Brito, da Giro Pelo Mundo Viagens

- "Comunicação clara e detalhada sobre os produtos/serviços ofertados às agências, visando, além de uma venda mais assertiva, melhor rentabilidade e rendimento a longo prazo.
- Canais e campanhas dedicadas aos agentes identificados como alta performance dentro da companhia.
- Programa de premiação e viagens de incentivo para quem realmente faz jus à oportunidade (equidade).
- Suporte e parceria contínua e irrestrita no que se refere à cadeia de fornecimento.
- Enxergar o agente de viagens como agregador a ponto de desenvolver uma espécie de comitê para ações estratégicas mais profundas.
- Avaliação 360 e divulgação dos resultados.
- Preparar os executivos e equipe de atendimento (linha de frente ao B2B) para uma comunicação gentil e acolhedora, principalmente na gestão de crise.
- Fortalecer o pós-venda.
- Desburocratizar o que for possível e conscientizar a importância do procedimento.
- Responsabilidade jurídica compatível ao percentual de recebimento da agência, bem como formalização de contratos que sejam justos na relação B2B e não coloquem o agente de viagens como único responsável."