Filip Calixto   |   19/02/2026 10:05
Atualizada em 19/02/2026 10:07

Greve geral contra reforma trabalhista na Argentina cancela voos no Brasil

Paralisação contra reforma trabalhista afeta 31 mil passageiros e gera alertas de segurança

Unsplash/Gustavo Sánchez
A greve foi convocada pela CG (Confederação Geral do Trabalho) e teve início à meia-noite, em protesto contra a proposta de reforma trabalhista
A greve foi convocada pela CG (Confederação Geral do Trabalho) e teve início à meia-noite, em protesto contra a proposta de reforma trabalhista

A greve geral convocada por centrais sindicais da Argentina contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei provocou o cancelamento de voos entre o Brasil e o país vizinho nesta quinta-feira (19). A paralisação coincide com o início da discussão do projeto na Câmara dos Deputados argentina e é acompanhada por protestos nas proximidades do Congresso, em Buenos Aires.

No Aeroporto Internacional de São Paulo, ao menos dois voos da Latam com destino à capital argentina foram cancelados nas primeiras horas do dia. A Gol também confirmou a suspensão de operações. Em Brasília, um voo com saída às 9h foi cancelado.

No Rio de Janeiro, conforme apurou o portal g1, o RIOgaleão registrou 16 cancelamentos de chegadas e 15 de partidas envolvendo a Argentina, embora tenha informado que a operação geral do aeroporto segue normal. No Rio Grande do Sul, houve cancelamentos em voos entre Porto Alegre e Buenos Aires.

Na Argentina, o Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, conhecido como Ezeiza, concentrava ao menos 18 voos cancelados até a última atualização. A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros - a maioria em rotas domésticas.

Companhias detalham impactos

Em comunicado, o Grupo Latam informou que precisou alterar sua operação “de/e para a Argentina no dia 19 de fevereiro, devido à greve geral anunciada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e diante da notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo”.

A empresa ressaltou que “alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados” e recomendou que passageiros verifiquem o status antes de ir ao aeroporto.

A Gol Linhas Aéreas também confirmou os impactos. Segundo a companhia, “devido à greve estabelecida em aeroportos argentinos, diversos voos foram impactados entre o Brasil e a Argentina”, orientando passageiros a buscar informações junto aos aeroportos afetados.

Em nota, acrescentou que “devido à greve geral que impossibilitará todas operações aeroportuárias nas cidades de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário nesta quinta-feira (19/02), alguns voos de/para a Argentina que estavam programados para esta data foram cancelados”.

Comunicado do Grupo Latam na íntegra

“O Grupo Latam informa que precisou alterar sua operação de/e para a Argentina no dia 19 de fevereiro, devido à greve geral anunciada pela Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT) e diante da notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo (empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos da Argentina).

Diante disso, alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados. Por isso, recomendamos que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto.

Os passageiros afetados pelos cancelamentos e/ou reprogramações do dia 19 de fevereiro poderão optar por uma das seguintes alternativas:

  • Alteração sem custo (podendo ser ida e/ou volta) para uma nova data dentro de um ano a partir da data original do voo;
  • Reembolso integral da reserva.

Todas as informações e a gestão das alternativas oferecidas estão disponíveis na seção ‘Minhas Viagens’, no aplicativo Latam ou em latam.com.

O Grupo Latam lamenta os transtornos que essa situação, totalmente alheia ao seu controle, possa causar aos seus passageiros e clientes de carga.”

Comunicado da Gol na íntegra

“Hoje, devido à greve estabelecida em aeroportos argentinos, diversos voos foram impactados entre o Brasil e a Argentina. Para uma apuração mais completa sobre a situação de cancelamentos, recomendamos que entre em contato com os aeroportos afetados.

A Gol informa que, devido à greve geral que impossibilitará todas operações aeroportuárias nas cidades de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário nesta quinta-feira (19/02), alguns voos de/para a Argentina que estavam programados para esta data foram cancelados.

Os Clientes impactados estão sendo comunicados via e-mail, e podem remarcar seus voos sem custo para outras datas ou solicitar reembolso em créditos no site da Gol. Mais informações podem ser obtidas com a Central de Relacionamento pelo 0300 115 2121.

Para compras com milhas, o Cliente deve procurar diretamente a Smiles pelos telefones 0300 115 7001 (Smiles ou Prata) ou 0300 115 7007 (Ouro ou Diamante).”

Protestos e alerta do governo

A greve foi convocada pela CG (Confederação Geral do Trabalho) e teve início à meia-noite, em protesto contra a proposta de reforma trabalhista já aprovada pelo Senado e agora em debate na Câmara.

Além da paralisação, são esperadas manifestações nos arredores do Congresso. Diante desse cenário, o Ministério da Segurança da Argentina recomendou que a imprensa adote "medidas de segurança" e evite posicionar-se entre manifestantes e forças policiais. O governo advertiu que poderá agir diante de eventuais episódios de violência e informou que haverá uma área exclusiva para jornalistas em ruas laterais à praça do Parlamento.

Na semana passada, protestos durante a votação no Senado terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos.

Pontos centrais da reforma

Considerada uma das mudanças mais amplas na legislação trabalhista argentina em décadas, a proposta integra um pacote de reformas estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego formal.

Entre os principais pontos estão:

  • Ampliação do período de experiência para até seis meses, podendo chegar a 12 em alguns casos;
  • Flexibilização da jornada, com possibilidade de até 12 horas diárias mediante compensação;
  • Redução e parcelamento de indenizações por demissão;
  • Restrições a greves em setores essenciais, com exigência de funcionamento mínimo entre 50% e 75%;
  • Férias mais flexíveis e mudanças na negociação coletiva;
  • Reconhecimento de trabalhadores de plataformas digitais como autônomos.

O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara. A expectativa do governo é votar a proposta até o fim de fevereiro, antes da abertura das sessões ordinárias do Congresso.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes