Terremotos fecham principal aeroporto da Venezuela e afetam voos na região
Danos no terminal de Caracas levaram à suspensão das operações e cancelamentos

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo da Venezuela e porta de entrada para a capital Caracas, teve suas operações suspensas após dois fortes terremotos atingirem o norte do país na tarde de quarta-feira (24). Os tremores, de magnitudes 7,5 e 7,2, ocorreram com menos de um minuto de diferença e provocaram danos estruturais no aeroporto, incluindo o desabamento de parte do teto do terminal.
Localizado em Maiquetía, o aeroporto atende a região metropolitana de Caracas e movimenta cerca de 4 milhões de passageiros por ano. Imagens registradas por viajantes mostram o momento em que parte da estrutura cede, levantando uma grande nuvem de poeira e causando correria entre passageiros e funcionários. Até o momento, não há informações sobre feridos no local.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o momento do desabamento.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o fechamento do aeroporto após os danos causados pelos tremores. Dados de rastreamento de voos indicaram a interrupção total das chegadas e partidas após o evento, levando ao cancelamento e ao desvio de diversas operações programadas para a capital venezuelana.
Segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), o epicentro do tremor mais forte foi registrado na região de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, com profundidade de 13 quilômetros. O órgão alertou para a possibilidade de um elevado número de vítimas e danos extensos em áreas afetadas pelo terremoto.
Os tremores foram sentidos em diversas cidades venezuelanas e também em países vizinhos. No Brasil, moradores de estados da Região Norte, como Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, relataram ter sentido os abalos. O Itamaraty informou que, até o momento, não há registros de vítimas brasileiras.
Em Caracas, moradores relataram momentos de pânico durante os terremotos. De acordo com a agência Reuters, pessoas deixaram prédios às pressas enquanto o solo tremia. Testemunhas também relataram o surgimento de rachaduras em edifícios da capital.
Além dos impactos diretos sobre a infraestrutura aeroportuária, o fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar também afetou a operação de companhias aéreas que atendem o mercado venezuelano. Em comunicado divulgado nesta hoje (25), a Avianca informou o cancelamento dos voos AV122, programado para 24 de junho, e AV123, AV142 e AV143, previstos para 25 de junho, na rota Bogotá–Caracas–Bogotá.
A companhia afirmou que a decisão foi tomada para garantir a segurança de passageiros, tripulações e da operação diante da situação enfrentada no aeroporto de Caracas. A empresa também anunciou medidas de flexibilização para clientes com viagens marcadas de ou para a capital venezuelana entre 24 de junho e 1º de julho.
Entre as alternativas oferecidas estão o reagendamento sem cobrança de multa ou diferença tarifária, sujeito à disponibilidade, para viagens realizadas até 15 dias após a data original; a alteração da rota para voos de ou para Cúcuta, na Colômbia, sem custos adicionais; e o reembolso integral dos trechos não utilizados.
A Avianca informou ainda que seguirá monitorando a evolução da situação e orientou os passageiros a consultarem o status de seus voos pelos canais oficiais da companhia. O fechamento do principal aeroporto venezuelano evidencia os desafios enfrentados pelo setor aéreo diante de eventos naturais de grande magnitude, com reflexos que ultrapassam as fronteiras do país e afetam a conectividade regional.