Azul vê oportunidades no codeshare com Latam; mas descarta fusão

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Artur Andrade, da PANROTAS, John Rodgerson, da Azul, Marco Aurélio Di Ruzze, do Grupo BRT, e Jacqueline Conrado, da United Airlines
Artur Andrade, da PANROTAS, John Rodgerson, da Azul, Marco Aurélio Di Ruzze, do Grupo BRT, e Jacqueline Conrado, da United Airlines

A crise do covid-19 mudou bastante a rotina, o tamanho e a operação das pequenas, médias e grandes companhias aéreas do mundo. Com as mudanças, surgiram também muitas oportunidades para cada uma delas. No caso da Azul, segundo o seu presidente John Rodgerson, a maior delas foi a realização de um codeshare com a sua concorrente local, a Latam Brasil.

Em resposta à diretora da United no Brasil, Jacqueline Conrado, o executivo falou dos ganhos desta parceria durante sua participação no programa Check Point, no Portal PANROTAS, nesta quinta-feira. “O acordo nasceu da oportunidade que aparece com a crise. Com ele, conseguiremos trazer demanda, ser ainda mais eficientes e ajudar as duas empresas simultaneamente. Já se passaram dez dias do início das vendas do codeshare e eu posso afirmar que está indo muito bem”, adiantou o executivo.

Para Rodgerson, o benefício da parceria aos passageiros já é perceptível. A empresa, por exemplo, já se mudou do Terminal 1 para o Terminal 2 do GRU Airpot, tudo para estar mais próxima de suas parceiras, que além da Latam inclui também a United Airlines e a Tap. Outro ponto destacado por ele é o ganho na conectividade e a união de forças das duas companhias aéreas.

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Se por um lado Gol e Latam possuem uma grande similaridade em suas malhas, a Azul faz um pouco diferente. Enquanto a Azul voa para 120 cidades brasileiras, a Latam está presente em apenas 42. “A Azul cresceu muito rápido, mas muita gente ainda não conhece todas as cidades que são servidas por nós”, avalia Rodgerson. Da mesma forma serão fortalecidos os hubs de cada companhia. Congonhas, Guarulhos e Brasília são os destaques na malha da Latam, mas que não atende tão bem cidades como Campinas e Recife, dois dos três aeroportos com maior frequência de voos da Azul (o outro é Confins, em Minas Gerais).

“Por que a ponte aérea foi tão importante para a aviação doméstica brasileira?”, questionou John. “Porque as pessoas sabiam que podiam chegar no aeroporto e sair voando logo na sequência. Elas podiam marcar suas reuniões antes mesmo de marcarem suas viagens”, relembra.

Na avaliação de John Rodgerson, o codeshare vai trazer melhores cenários. “É melhor um avião de uma das duas voando do que os dois aviões, um de cada empresa, no chão”.

E A FUSÃO?
Mas há alguma possibilidade de fusão entre as duas empresas?

“Não está nos planos. O que estamos fazendo é focar nas melhorias, no relacionamento e principalmente nas vendas. O oxigênio da aviação é venda, por isso precisamos tanto da retomada da demanda”, explica Rodgerson. “Uma fusão dá muitos problemas com liderança, com pessoas, com sistemas... É uma dor de cabeça que ninguém quer no momento, isso eu posso garantir. Eu já passei por um processo de fusão na Trip e sei muito bem o que estou falando. Uma fusão pode ser o sonho de um ou dois malucos, mas não corresponde com o que queremos”, concluiu.

Presente na live, Jacqueline Conrado, aproveitou a ocasião para diferenciar a parceria de sua companhia com a Azul com a relação estabelecida entre Azul e Latam. “Nós, da United, vemos esse acordo com muita naturalidade, partindo do principio que toda a indústria está preocupada em estimular o mercado e aumentar a capacidade neste momento. O acordo da United com a Azul está em outro patamar. Nós somos acionistas e temos uma cadeira no conselho de administração. A Azul é uma parceira muito importante para a United”, ponderou a diretora.

O Check Point é uma parceria da PANROTAS com a Imaginadora, e com apoio da R1.

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