Filip Calixto   |   14/01/2026 12:17

Latam celebra crescimento operacional e reforça posição após reestruturação

Companhia combina controle de custos, foco em rentabilidade e expansão seletiva no pós-pandemia

PANROTAS / Emerson Souza
Jerome Cadier, CEO da Latam comentou o atual momento de recuperação da empresa
Jerome Cadier, CEO da Latam comentou o atual momento de recuperação da empresa

A Latam vem consolidando uma trajetória de recuperação consistente no período pós-pandemia, em um momento em que o setor aéreo brasileiro ainda convive com desafios financeiros e operacionais.

Primeira companhia do País a recorrer à recuperação judicial em meio à crise provocada pela Covid-19, a empresa deixou o processo nos Estados Unidos (Chapter 11) no fim de 2022 e, desde então, passou a apresentar uma evolução contínua de resultados, com crescimento operacional, melhora da rentabilidade e ganho de participação de mercado.

Ao Estadão, em entrevista recente, a companhia enfatizou que, desde a saída do Chapter 11, registrou aumento superior a 10% no lucro operacional em praticamente todos os trimestres, na comparação anual.

O desempenho também se refletiu no mercado financeiro: as ações da companhia negociadas em Nova York acumularam valorização de 118% em um ano. Analistas de instituições como BTG Pactual e Itaú BBA apontam que a empresa reúne hoje fatores pouco comuns no setor aéreo, como disciplina de custos, demanda aquecida e um ambiente competitivo menos pressionado.

Reestruturação antecipada como diferencial

Reprodução/Facebook/Latam Airlines
Um eixo central da estratégia, segundo o executivo, é o foco na rentabilidade, e não apenas na expansão da oferta
Um eixo central da estratégia, segundo o executivo, é o foco na rentabilidade, e não apenas na expansão da oferta
Na entrevista, o CEO da empresa, Jerome Cadier, afirma que a retomada não se explica apenas pelo cenário externo ou pelas dificuldades enfrentadas por concorrentes. Segundo ele, o principal diferencial foi a decisão de realizar uma reestruturação ampla logo no início da pandemia, envolvendo não apenas o balanço, mas toda a operação da companhia.

"Renegociamos praticamente todos os contratos com fornecedores logo no começo da pandemia. Isso nos permitiu estar com custos mais baixos quando a demanda começou a voltar", afirmou. Cadier destaca que esse movimento antecipado colocou a Latam em posição de crescer a partir de 2022, enquanto outras empresas do setor ainda precisavam adotar uma postura mais conservadora.

Crescimento com ocupação e rentabilidade

Outro eixo central da estratégia, segundo o executivo, é o foco na rentabilidade, e não apenas na expansão da oferta. A Latam conseguiu crescer ocupando mais assentos e elevando a receita por passageiro, especialmente por meio do fortalecimento do segmento de clientes de "alto valor".

"Crescemos ocupando mais assentos e com uma rentabilidade melhor, com uma receita maior para cada assento colocado", disse Cadier no mesmo bate-papo. A estratégia envolve investimentos em produtos como a classe premium economy, melhorias no atendimento ao passageiro corporativo e uma presença mais forte em vendas de última hora, que tendem a ter tarifas mais elevadas.

Concorrência e ambiente de mercado

O executivo reconhece que a situação financeira considerada mais frágil de concorrentes como Gol e Azul contribuiu para um ambiente de menor pressão competitiva, mas ressalta que isso não explica sozinho o desempenho da Latam.

"Tem mais a ver com o meu desempenho do que com o desempenho do outro", afirmou. Segundo ele, além de ampliar a capacidade, a companhia conseguiu manter um fator de ocupação superior ao das rivais.

Relatórios do BTG Pactual classificam o momento da empresa como uma "combinação e tanto" para uma companhia aérea. Já o Itaú BBA aponta melhora relevante no perfil de endividamento e estima uma economia anual de cerca de US$ 33 milhões com a reestruturação.

Os analistas também destacam que, enquanto as concorrentes passaram por ajustes, os preços das passagens permaneceram em patamar saudável para a Latam.

Entre os vetores de crescimento, analistas e executivos destacam a decisão da Latam de adquirir jatos E195-E2 da Embraer. Com menor capacidade do que os aviões atualmente usados nos voos domésticos, as novas aeronaves permitirão à companhia operar rotas para cidades do interior que hoje não são viáveis com modelos maiores.

A empresa espera iniciar a operação desses aviões a partir do segundo semestre e já começou a contratar pilotos para a nova frota.

Riscos e perspectivas

Apesar do cenário positivo, Cadier ressaltou ao Estadão que o setor aéreo segue exposto a riscos estruturais, como a volatilidade do dólar e do preço do combustível. Outro ponto de atenção é o impacto de mudanças tributárias, especialmente a reforma tributária, que tende a elevar de forma significativa a carga de impostos sobre passagens aéreas no Brasil.

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Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes