Casos envolvendo passageiros aéreos indisciplinados crescem 66% em 2025
Empresas aéreas registraram 1.764 episódios ano passado. Do total, 288 foram considerados graves

O número de casos envolvendo passageiros indisciplinados em aeroportos ou a bordo de aeronaves cresceu 66% em 2025, em relação a 2024, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Ao todo, foram registrados 1.764 episódios no ano passado e 1.059 em 2024.
Os números revelam uma tendência de crescimento já que a Abear havia contabilizado uma alta de 22% no número de casos com passageiros indisciplinados em 2024 na comparação com 2023, que teve uma média de quase três incidentes por dia.
Chama a atenção o aumento de 30% nos casos considerados graves. Em 2025, foram registrados 288 episódios da categoria 3 - contra 222 no ano anterior. São situações que comprometem a segurança dos passageiros e da tripulação, como agressões físicas, ameaças ou intimidações, tentativas de fumar a bordo e falsas ameaças de bomba.
Para inibir esse tipo de episódio, a Abear defende a implementação da “no fly list” pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), regulamentando o que já está estabelecido no Código Brasileiro de Aeronáutica. Com essa medida, passageiros indisciplinados enquadrados nos casos mais graves não poderão voar por um determinado período.
“Tivemos um aumento significativo do número de casos de passageiros indisciplinados no Brasil, que terminam acarretando atrasos e cancelamentos de voos, além de poder colocar em risco a segurança dos passageiros e da tripulação. Também são inaceitáveis agressões aos colaboradores das companhias aéreas, profissionais treinados e comprometidos com a segurança e com a boa experiência dos passageiros”, explicou o diretor de Segurança e Operações de Voo da Abear, Raul de Souza.
A Abear entende que é preciso interromper essa tendência de crescimento por meio da aplicação de medidas capazes de coibir esse tipo de comportamento, sobretudo aqueles considerados graves. Já adotada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, a “no fly list” tem se mostrado uma medida eficaz para mitigar condutas indisciplinadas nos aeroportos ou a bordo de aeronaves”, completou.