Aéreas projetam 2026 sólido, mas veem risco com reforma tributária e demais desafios
CEOs avaliam que o setor atravessa um momento mais disciplinado após as suas reestruturações financeiras

As três maiores companhias aéreas do País, que levaram seus respectivos CEOs para o tradicional painel das companhias aéreas no Fórum PANROTAS 2026, projetam um 2026 relativamente sólido, mas demonstram uma preocupação crescente com o horizonte de médio e longo prazo.
Em comum, Jerome Cadier (CEO da Latam Brasil), John Rodgerson (CEO da Azul) e Celso Ferrer (CEO da Gol) avaliam que o setor atravessa um momento mais disciplinado após as reestruturações financeiras, mas alertam para riscos estruturais que podem afetar o crescimento a partir de 2028, como a reforma tributária.
De acordo com Cadier, a Latam já joga com crescimento planejado entre 8% e 10%, ritmo que pode se repetir em 2027. A preocupação maior está adiante. "A grande preocupação é no longo prazo. Quando eu falo é 2028 para frente. Tem duas variáveis muito importantes para a gente acompanhar. A primeira delas é a taxa de juros, que vai determinar crescimento e investimento. A outra é a distribuição de renda", disse ele.
Cadier destacou que o Brasil ainda tem um enorme potencial de expansão no transporte aéreo, mas depende de fatores econômicos e sociais. “Hoje a gente tem 120 milhões de passageiros e cerca de 20 milhões de pessoas que voam. É muito pouco para um país de mais de 200 milhões de habitantes. A distribuição de renda pode ajudar a trazer mais gente para voar, além do crescimento econômico”, afirmou.
Outro ponto de preocupação para o executivo é a reforma tributária, que, segundo ele, pode elevar significativamente a carga de impostos do setor aéreo nos próximos anos.
“O setor aéreo passa a ser um setor extremamente tributado com essa nova reforma tributária. Se para o país como um todo o plano era não aumentar a carga, alguns setores tiveram redução e outros aumento. Se a média ficou igual, claramente a gente está subsidiando outros setores, porque o setor aéreo vai ter uma das mais altas taxas de imposto do mundo aqui no Brasil. Isso vai valer tanto para o voo doméstico quanto para o internacional. E isso vai ter impacto na demanda, na medida em que o imposto vai aumentando a partir de 2028”
Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil

Para John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas, a prioridade agora é manter um plano sustentável de crescimento e reduzir o nível de endividamento. “Como eu falei antes, estou feliz com as cartas que eu tenho na mão. Nosso plano é muito mais sustentável, pouco crescimento nos próximos anos e desalavancar, desalavancar, e vamos ver as oportunidades lá na frente”, afirmou.
Já Celso Ferrer, CEO da Gol, deu destaque a um momento mais disciplinado da indústria, mesmo diante das pressões de custo. “Temos um setor que está mais disciplinado. As companhias aéreas têm maiores compromissos e vão estar muito bem geridas para que a gente consiga ter um setor sustentável”, afirmou.
“Apesar de tudo que foi falado aqui, temos demanda. Eventualmente ajustes nas tarifas podem acontecer em função do preço do combustível, mas ainda vão existir tarifas muito baratas e gente voando. E as pessoas estão gastando mais do orçamento delas com Turismo. A gente ainda não consegue precisar exatamente o tamanho desse fenômeno, mas é algo que está ajudando a explicar o crescimento que estamos vendo no mercado brasileiro”
Celso Ferrer, CEO da Gol