Cenipa aponta falhas da tripulação e sistema de degelo desligado em acidente da Voepass
Relatório final cita falhas diante de alertas de gelo, mas não aponta causa única da tragédia

O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, concluiu que a a tripulação não respondeu adequadamente aos alertas de risco de formação de gelo emitidos pela aeronave.
A investigação também revelou que o sistema de degelo permaneceu desligado durante parte do voo, mesmo após sucessivos avisos, e que os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais em momentos críticos da operação.
Segundo o relatório, o ATR 72-500 acionou diversas vezes o alerta electronic ice detector, que indica condições favoráveis à formação de gelo e exige procedimentos como o acionamento do sistema de degelo e ajustes na velocidade da aeronave. Durante um dos alertas, o copiloto admitiu ter esquecido de ligar o sistema. Em seguida, o comandante afirmou que havia acionado todos os sistemas de de-icing, mas, de acordo com a investigação, eles permaneceram desligados.
Em outro momento, durante uma nova detecção de gelo, a gravação da cabine registrou os pilotos conversando sobre temas pessoais. Em coletiva para apresentação do relatório, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, do Cenipa, afirmou que grande parte do áudio da cabine mostra diálogos sem relação com a operação do voo.
O órgão também avaliou que, embora os pilotos tivessem recebido os treinamentos exigidos para operar em condições severas de formação de gelo, as ações adotadas durante o voo "não se mostraram condizentes com o nível mínimo de proficiência desejado", sem resposta adequada aos alertas emitidos pela aeronave.
A investigação ainda identificou que o comandante enfrentava problemas pessoais que poderiam ter afetado seu desempenho. No entanto, tanto essa condição quanto a conduta da tripulação foram classificados como fatores indeterminados, ou seja, o Cenipa não pôde concluir que tenham contribuído diretamente para o acidente.
O voo 2283 decolou de Cascavel (PR) em 9 de agosto de 2024 com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante a aproximação de São Paulo, a aeronave perdeu sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo - 58 passageiros e quatro tripulantes - morreram.
Em nota, enviada à reportagem do G1, a Voepass afirmou que o acidente foi o episódio mais grave de sua história, reiterou solidariedade às famílias das vítimas e disse que continua colaborando de forma transparente com as investigações.