Filip Calixto   |   16/07/2026 10:22

Comissários da WestJet aprovam greve e paralisação pode ocorrer em agosto

Sindicato autorizou greve com 99% dos votos; negociações seguem sem acordo

Divulgação
Um dos principais pontos de impasse que pode gerar a greve de comissários da WestJet é a remuneração pelas atividades realizadas em solo
Um dos principais pontos de impasse que pode gerar a greve de comissários da WestJet é a remuneração pelas atividades realizadas em solo

A possibilidade de uma nova paralisação no setor aéreo canadense ganhou força nesta semana. Comissários de bordo da WestJet aprovaram, por ampla maioria, a autorização para uma greve que poderá ser iniciada a partir de 2 de agosto, caso a companhia aérea e o sindicato não cheguem a um acordo sobre um novo contrato de trabalho.

Segundo informações do Travel Industry Today, 99% dos tripulantes que participaram da votação apoiaram a autorização da greve, com comparecimento superior a 97% dos cerca de 4,4 mil comissários de bordo representados pelo Sindicato Canadense dos Empregados Públicos (CUPE).

A aprovação não significa uma paralisação imediata, mas permite que o sindicato convoque uma greve após o cumprimento do período legal de negociação.

Salários e condições de trabalho

Ainda de acordo com o Travel Industry Today, as negociações entre a WestJet e o sindicato se arrastam há meses. Embora o CUPE afirme que houve avanços em alguns temas, as principais reivindicações continuam concentradas em melhores salários e condições de trabalho.

Um dos principais pontos de impasse é a remuneração pelas atividades realizadas em solo. O sindicato defende que os comissários recebam por todas as horas efetivamente trabalhadas, incluindo o período anterior à decolagem e outras tarefas desempenhadas em terra.

Durante uma manifestação realizada em Calgary, a presidente da seção 8125 do CUPE, Alia Hussain, afirmou que o atual sistema de remuneração utilizado pela companhia não reflete adequadamente o trabalho realizado pelos tripulantes.

Sistema de horas de crédito

A WestJet, por sua vez, informou que reconhece a importância dos comissários de bordo e reafirmou o compromisso de chegar a um acordo com a categoria.

Conforme explica a companhia, a empresa utiliza o sistema de "horas de crédito", modelo tradicional na América do Norte que reúne em uma única taxa de remuneração o tempo de voo, atividades em solo, atrasos e outras tarefas obrigatórias.

Segundo a empresa, uma jornada integral corresponde a 80 horas de crédito por mês. A remuneração varia entre US$ 28,45 e US$ 53,61 por hora de crédito, o que representa salários mensais entre US$ 2.304 e US$ 4.289.

Pressão aumenta

Esta semana, cerca de 250 comissários participaram de um ato em frente à sede da WestJet, em Calgary. Em silêncio, os trabalhadores exibiram cartazes com mensagens como "Prontos para a greve" e "Trabalho não remunerado não decola", em mais um gesto de pressão sobre a companhia.

O debate sobre o pagamento pelas atividades em solo ganhou força no Canadá após comissários da Air Canada conquistarem, neste ano, remuneração para parte desse trabalho. Em 2025, uma paralisação envolvendo cerca de 10 mil tripulantes da empresa foi encerrada somente após intervenção do governo federal canadense.

Em nota, o CEO da WestJet, Alexis von Hoensbroech, afirmou que a autorização para greve faz parte do processo normal de negociações coletivas e não significa, necessariamente, que haverá uma paralisação. Segundo ele, a companhia segue empenhada em firmar um acordo que reconheça o trabalho dos tripulantes e preserve a competitividade da empresa.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes