Gol cresce 30% com TMCs Abracorp e avança na representação da Avianca; veja entrevista
Agências de viagens e consolidadoras são fundamentais nessa estratégia, diz diretor Danillo Barbizan

A Gol chega à Abav Expo 2026 reforçando uma mensagem de solidez em meio a um ano marcado por desafios externos e, ao mesmo tempo, por expansão de oferta, avanço no internacional e maior aproximação com os canais indiretos.
Em entrevista ao Portal PANROTAS, o diretor comercial Danillo Barbizan falou sobre o crescimento da companhia, o papel do Grupo Abra, a representação comercial da Avianca, a importância das agências de viagens e consolidadoras e os próximos passos da aérea.
Portal PANROTAS — Como a Gol chega à Abav Expo 2026 diante dos desafios deste ano?
DANILLO BARBIZAN — A Gol está estável em oferta e produto, mesmo com desafios externos como QAV, guerra, conflitos e eleição. É importante que o agente de viagens e o consolidador saibam da nossa solidez, porque são parceiros fundamentais para a estratégia.
Mesmo com o QAV altíssimo, mantemos o padrão de experiência, a jornada do cliente e o crescimento da oferta de assentos. Isso está ligado ao Grupo Abra, que traz solidez, gestão e robustez financeira à Gol.
PANROTAS — Sem contar a mudança de frota, depois de décadas operando apenas B737.
BARBIZAN — Exatamente. Veja, anunciamos o A330 para voar a Nova York e Lisboa antes da alta brusca do QAV. Se não tivéssemos um grupo tão robusto por trás da operação, teríamos de pausar o projeto. Outro exemplo: soubemos que o avião chegaria à nossa frota em novembro do ano passado e, em setembro deste ano, já estamos voando duas rotas com o A330. Isso é muito difícil para uma empresa que sempre teve uma frota unificada. Estamos mais ágeis, com gestão e processos muito mais robustos.
PANROTAS — Fale sobre a alta na oferta.
BARBIZAN — Crescer em assentos é sinônimo de oportunidade para o agente de viagens. Na alta temporada, cresceremos 12% em assentos no doméstico e internacional.
No doméstico, vamos crescer no Norte e Nordeste. No Galeão, onde já temos mais de 60% da oferta de assentos, cresceremos 15%. São mais voos para vender no Rio e mais opções para Norte e Nordeste utilizarem o Rio como hub.
No internacional, Lisboa vem com desempenho muito positivo. Vamos aumentar de quatro para cinco frequências semanais no fim de novembro. Teremos também Assunção–Florianópolis direto na alta temporada, importante para o receptivo e o emissivo brasileiro. Estamos bem no Uruguai e aumentando a oferta de alta temporada da Argentina.
PANROTAS — E como a estrutura comercial acompanha esse crescimento?
BARBIZAN — Estamos mais estruturados para trabalhar os canais, com times dedicados para operadoras, OTAs, consolidação e viagens corporativas.
Crescemos mais de 30% nas vendas nas TMCs Abracorp ao longo de 2026. Isso tem relação com estarmos mais próximos e entendermos onde somos competitivos. Ano contra ano, o canal indireto cresce mais, mostrando que estamos muito ativos e próximos dos canais de vendas.
PANROTAS — Como a representação comercial da Avianca entra nessa estratégia?
BARBIZAN — Dentro do contexto do Grupo Abra, estamos fomentando mais a Avianca no Brasil. Ela passa a ter toda a estrutura da Gol para fomentar suas vendas. A Avianca ganha gestores e vendedores para ampliar sua capacidade comercial e passa a ter mais de 70 frentes de atendimento com a Gol. Essa representação tem cerca de um mês e meio.
Fizemos homologação e certificação e agora o agente de viagens pode falar tudo com a Gol. Estamos trabalhando esses clientes e fortalecendo a relação. Clientes que já eram da Gol e não eram da Avianca também estão sendo observados.
PANROTAS — Como essa transformação da Gol mudou o seu próprio trabalho, sua carreira?
BARBIZAN — Eu digo que, na vida passada [Danillo Barbizan foi executivo da Delta Air Lines], era impactado pelas informações que vinham de fora. Agora isso é o dia a dia. Quando chegam novos lugares, temos de pensar como o time vai vendê-los, antecedência, canal, treinamentos.
Não é só a chegada das aeronaves, mas saber como vender aquilo. Preciso ficar de olho no que está sendo feito pelas companhias europeias e americanas, no doméstico e internacional. A partir do momento em que você passa a vender internacional de longa distância, tudo muda.
PANROTAS — E essa expansão internacional aumenta a importância das consolidadoras e agências de viagens?
BARBIZAN — Quanto mais internacional é a venda, maior a aderência aos canais indiretos. Culturalmente, o brasileiro emite sua passagem no doméstico. No internacional, há tíquete médio mais alto, visto, barreiras culturais e mais informações.
Quanto mais você precisa de gestão de venda, mais o canal indireto ganha valor. Nas rotas internacionais de longo curso, ele tem um peso muito maior.
O internacional precisa de venda assistida. Há muito mais informações, da refeição à conexão, da mudança de cabine a outros detalhes. Venda assistida é canal indireto.
PANROTAS — Qual é o horizonte da Gol para os próximos anos?
BARBIZAN — A Gol vem trabalhando com planos de cinco anos, o que começou como mandatório no Chapter 11, mas agora se tornou uma estratégia. Esse plano nos dá um farol importante.
Hoje, o internacional representa entre 18% e 20% da venda. No plano de cinco anos, temos de chegar a 25%. É algo que nos faz olhar todos os meses para os impactos.
PANROTAS — Qual mensagem a Gol passa ao trade na Abav Expo 2026?
BARBIZAN — Quero reforçar a importância do trade na nossa distribuição. Nosso estande vem sendo cada vez mais aberto e existe uma mensagem por trás disso: tiramos as paredes porque isso reflete a maneira como a Gol faz negócio hoje, sem barreiras, aberta.
Quem vier consegue conversar com a Gol. É a importância do cafezinho. Temos um bar de café com essa mensagem de proximidade. A Air France-KLM está conosco há 12 anos e, neste ano, a Avianca ganha outro corpo na exposição. Antes tinha uma mesa no estande e agora tem uma presença maior.

PANROTAS — Isso também aparece nos resultados do corporativo?
BARBIZAN — Esses números do corporativo e da Abracorp são muito importantes. Retomamos a maneira de fazer negócio com esse mercado, revisamos os contratos corporativos com as empresas e fizemos boas negociações. Quando você faz um contrato, precisa estar muito próximo do time da agência e da TMC para as coisas fluírem bem.