Alta pressiona Argentina sobre alta de taxas aéreas e alerta para perda de competitividade
Para a associação, combinação de aumentos cria um ambiente de custos asfixiante para as aéreas

A Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta) pediu ao governo da Argentina a revisão imediata de medidas recentes que elevaram custos do setor aéreo. Em comunicado oficial, a entidade criticou as resoluções 258/2026 e 265/2026 da Administración Nacional de Aviación Civil (Anac) da Argentina.
Segundo a Alta, as novas regras vão na contramão da agenda de competitividade defendida pelo governo do presidente Javier Milei e colocam em risco os avanços recentes da aviação no país. Isto porque as resoluções questionadas elevam significativamente as taxas cobradas no setor.
A norma 258/2026, por exemplo, aumenta a taxa de segurança (de 20 para 6,5 mil pesos em voos domésticos) além de reajustes em rotas regionais e internacionais. Já a resolução 265/2026 amplia as tarifas de navegação aérea cobradas pela Empresa Argentina de Navegación Aérea (Eana), em 15% para voos internacionais e em até 359% para operações domésticas.
Para a associação, a combinação de aumentos cria um ambiente de custos “asfixiante” para as aéreas. Antes mesmo dos reajustes, um passageiro que embarcava de Buenos Aires para Miami já pagava cerca de US$ 76 em taxas e impostos locais, valor muito superior aos US$ 12,9 cobrados em São Paulo, por exemplo.
Outro ponto criticado pela Alta é a ausência de consulta prévia à indústria. A entidade afirma que a decisão contraria diretrizes do Documento 9082 da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), que estabelece princípios de transparência e diálogo na definição de tarifas aeronáuticas.
Na avaliação da associação, a manutenção das medidas pode comprometer a conectividade do país, encarecer passagens e reduzir a competitividade regional da Argentina.
"Por isso, a Alta insta a Anac Argentina a revisar a decisão e a fazê-lo com clareza: sobre os custos que acabam sendo assumidos pelos passageiros e sobre o destino dos recursos arrecadados. A entidade confia que o presidente Javier Milei, fiel à sua agenda de competitividade e fortalecimento do setor privado, adotará as medidas necessárias para reverter a decisão e avançar rumo a um modelo equilibrado e construído em diálogo com a indústria"
Alta, em comunicado oficial