Impacto da covid-19 reduzirá volume de passageiros em 5 bilhões

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Novos dados do Conselho Internacional de Aeroportos (Airport Council International - ACI) mostram que o impacto adverso da crise de covid-19 deve reduzir o volume de passageiros em mais de 5 bilhões de usuários até o final deste ano, em comparação com a previsão anterior à pandemia.

Felipe Menezes/Inframerica
Impacto da covid-19 reduzirá volume de passageiros em mais de 5 bilhões até o final do ano
Impacto da covid-19 reduzirá volume de passageiros em mais de 5 bilhões até o final do ano
Em relação aos níveis de 2019, espera-se que a redução seja de 47,3% até o final do ano, com o tráfego doméstico de passageiros se recuperando mais rapidamente do que o internacional. Globalmente, o tráfego doméstico continuará a recuperação iniciada em 2020 com perspectivas de atingir cerca de 3,3 bilhões de passageiros até o fim de 2021 (61,4% dos níveis de 2019).

Além da redução do tráfego, a entidade estima que, globalmente, os aeroportos sofrerão uma redução de receita de mais de US$ 108 bilhões até o final deste ano, menos da metade do previsto inicialmente (-54,6%). A expectativa é de que cada trimestre apresente avanços em relação ao anterior, passando de uma queda de 71,4% no primeiro trimestre de 2021 para uma queda de 37,2% no quarto trimestre.

À medida que a vacinação avance e as restrições às viagens diminuam lentamente, mais pessoas devem voltar a viajar no segundo semestre do ano. Embora o tráfego internacional de passageiros tenha permanecido fraco na primeira metade de 2021, os sinais apontam para um aumento na demanda por viagens aéreas na segunda metade do ano, mas muitas incertezas ainda cercam a recuperação de longo prazo da indústria da aviação.

Embora o primeiro semestre tenha sido mais lento do que o esperado, a ACI espera que o tráfego global de passageiros se recupere aos níveis de 2019 até o final de 2023, o que será impulsionado principalmente pela retomada do tráfego doméstico de passageiros, mas amortecido por uma recuperação mais lenta das viagens internacionais. No longo prazo, prevê-se que o tráfego global possa levar até duas décadas para retornar aos níveis projetados anteriormente.

"Apesar dos crescentes sinais positivos, a covid-19 continua sendo uma crise existencial para aeroportos, companhias aéreas e seus parceiros comerciais, e a aviação ainda precisa de apoio e decisões políticas razoáveis dos governos para que haja uma recuperação uniforme e sustentada", diz o diretor-geral do órgão, Luis Felipe de Oliveira.

De acordo com Oliveira, à medida em que o tráfego diminui, a capacidade dos aeroportos de cobrar taxas de passageiros e despesas relacionadas com aeronaves diminui proporcionalmente e, com pouca flexibilidade nas despesas operacionais juntamente com custos de capital que são amplamente fixos, a pandemia representa um desafio sem precedentes para a viabilidade financeira da indústria aeroportuária.

As implicações disso vão além dos aeroportos, mas estes desempenham um papel central no ecossistema da aviação, crucial para a recuperação econômica global do impacto e dos efeitos do novo coronavírus. A aviação contribui com trilhões para o produto interno bruto mundial, sustenta milhões de empregos e promove o desenvolvimento sustentável das comunidades.

"ACI World está otimista, mas considera que o fundamental para reconectar o mundo será uma abordagem harmonizada e baseada no risco para as restrições de viagens sustentadas por ações governamentais, de forma a promover viagens seguras e com testes e vacinação. Persistir nas restrições em grande escala e medidas de quarentena abrangentes coloca em risco as perspectivas de uma recuperação segura, centrada no passageiro e sustentável do sistema de transporte aéreo, o que resultará em uma perda prolongada e prejudicial da conectividade global e do crescimento”, afirma.

INFRAESTRUTURA
Uma nova e aprimorada infraestrutura aeroportuária será fundamental para o desenvolvimento contínuo do transporte aéreo, além da recuperação da pandemia de covid-19. O crescimento sustentável de longo prazo para a indústria virá de um maior investimento de capital em aeroportos, políticas razoáveis para o uso de slots e medidas que promovam desenvolvimento econômico, social e ambiental dos aeroportos.

ACI World publicou recentemente dois estudos (que podem ser encontrados aqui e aqui) que exploram como o atual déficit financeiro da indústria aeroportuária apresenta desafios significativos para a modernização de infraestrutura e a meta de longo prazo de operações com emissão zero carbono até 2050.

"Receitas aeroportuárias, drasticamente reduzidas, trouxeram desafios ainda maiores para atender às necessidades de capacidade de longo prazo, sem mencionar o compromisso de longo prazo da indústria aeroportuária global de atingir emissões líquidas de carbono zero até 2050. Precisaremos que os governos trabalhem com os aeroportos para apoiar e incentivar a recuperação e para mitigar os riscos de não atingir o crescimento sustentável de longo prazo para a indústria”, finaliza Oliveira.
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