Bahamas: entre águas cristalinas e histórias caribenhas
Com população de 400 mil habitantes, a cidade recebe mais de 11,2 milhões de visitantes por ano
NASSAU, BAHAMAS - A capital do arquipélago das Bahamas tem o mar azul-turquesa como protagonista. Mas para além das praias de cartão-postal, Nassau reúne cultura afro-caribenha e história colonial britânica, tem ritmo próprio e resorts de luxo, e oferece um recorte vibrante das Bahamas. Com população de 400 mil habitantes, a cidade recebe mais de 11,2 milhões de visitantes por ano. Mais do que um destino de praia, é um retrato vivo das Bahamas de hoje.
O Centro Histórico de Nassau fica ao lado do movimentado porto de cruzeiros. As ruas coloridas podem ser facilmente percorridas em uma escala de navio. Mas para quem desembarca de avião no aeroporto da ilha de New Providence para ficar mais tempo e explorar o arquipélago, vale programar duas ou três noites na capital para conhecer um pouco da vibrante história do país, da gastronomia e da arte local. E, claro, aproveitar as praias.
Durante o dia, é constante o fluxo de turistas em Nassau. À noite, partem os navios, o comércio fecha e o silêncio cai sobre o Centro. Uma boa maneira de começar o passeio diurno é fazendo um tour gastronômico pelo Centro Histórico e arredores com o Tru Bahamian Food Tour, que faz visitas com pequenos grupos ou privativas. Desacelere, use calçados confortáveis e roupas frescas (sem exageros: roupas de banho não são permitidas), e capriche no protetor solar. O tour original, Bites of Nassau, dura três horas e faz cinco paradas.
O passeio da PANROTAS começou no Towne Hotel, pequena propriedade com um bar simpático e despretensioso onde se pode experimentar os deliciosos conch fritters, bolinhos fritos de moluscos que são um orgulho nacional. Cada cozinha de Nassau garante ter o melhor conch fritter da ilha. Ao turista, cabe apenas provar vários e tentar escolher um favorito.
O tour continuou no elegante restaurante do Graycliff, um dos hotéis de luxo da capital, no entorno do Centro Histórico. A mansão Graycliff une parte do passado de Nassau ao presente. Construída no século XVIII, a propriedade foi refúgio de piratas, residência de capitães e endereço de aristocratas.
Na vida atual, é hotel boutique, restaurante gastronômico e complexo de entretenimento. Há uma fábrica de charutos aberta à visitação, e outra de chocolates. A visita é colorida, gostosa e lúdica para quem viaja com crianças, que podem participar de oficinas para decorar o próprio chocolate. E, também, para adultos, que têm a oportunidade de enrolar três puros com a orientação de funcionários cubanos.
O complexo Graycliff tem ainda uma loja de vinhos com degustação, a Bahamas Barrels Winery, que oferece ao visitante a experiência de fazer seu próprio blend. Durante o passeio, houve uma degustação harmonizada de vinhos e chocolates. Os vinhos vêm da Itália, assim como a família proprietária do Graycliff desde 1974. Todas as atividades disponíveis no complexo podem ser feitas independentemente do tour gastronômico.
Outra parada do passeio que também vale uma visita com calma é o Vell Monkey Foot Grill, bar e restaurante da destilaria de rum John Watling, em um casarão histórico de 1789. O menu prioriza ingredientes locais, como os onipresentes conch fritters e tacos de frutos do mar.
O tour gastronômico é um ótimo aperitivo para ter uma noção da cozinha local. Para uma refeição com mais calma, aposte no casual Wild Thyme, que, como quase todo bar ou restaurante nas Bahamas, anuncia ter os melhores native conch fritters (no caso, com molho de Calypso rum). Como prato principal, aposte no risoto de frutos do mar, com mexilhões, vieiras, camarão e lagosta e molho cremoso, ou no ravioli de blue crab com aspargos.
Para variar um pouco o menu, o simpático Café Matisse é um bom restaurante italiano na Parliament Square, onde construções coloniais em tons pastel concentram boa parte da vida política e institucional do arquipélago. Perto dali, o movimentado e tradicional Straw Market ainda é o melhor lugar para comprar artesanato local e suvenires em geral.
Para conhecer um pouco da produção contemporânea em outro setor, o das artes plásticas, um bom endereço é a National Art Gallery of Bahamas (NAGB), instalada em uma construção colonial perto da John Watling’s Distillery. O acervo reúne obras de artistas locais de diferentes gerações que discutem temas como identidade afro-caribenha, diáspora, passado escravocrata, meio ambiente e impactos do turismo de massa.
Piratas, escravidão e independência
Cristóvão Colombo chegou às Bahamas em 1492, em uma das suas primeiras paradas no Novo Mundo. Na sequência veio uma história que os brasileiros conhecem bem, de dizimação dos povos indígenas e colonização. A localização geográfica do arquipélago proporcionou ainda o cenário perfeito para que se instalasse covis de piratas.
Entre os séculos XVII e XVIII, o arquipélago das Bahamas ficou conhecido como refúgio de corsários que atacavam navios europeus carregados do ouro e da prata das Américas. A posição estratégica, no caminho das rotas marítimas pelo Mar do Caribe rumo ao Oceano Atlântico, e a geografia pontilhada de ilhotas e bancos de areia ajudavam nas emboscadas. O museu de cera Pirates of Nassau recria um pouco dessa história de maneira interativa.
A ausência de um controle da Coroa britânica facilitou o florescimento de uma economia paralela baseada em saques e contrabandos, e piratas como Blackbeard, Calico Jack Rackham e outros menos famosos circulavam entre tabernas e portos em enseadas. Havia mulheres também, como Anne Bony e Mary Read, que passaram um tempo em Nassau.
Em 1718, a Coroa nomeou Woodes Rogers como primeiro governador real das Bahamas, com o objetivo de acabar com a pirataria sem regras. Com o apoio de tropas britânicas, o pirata mercenário oferecia perdão a quem se rendesse e perseguia os resistentes. A partir daí, as Bahamas foram integradas ao então império britânico.
Na segunda metade do século XVIII Nassau viu surgir muitas das construções coloniais, algumas de pé até hoje, com arquitetura inspirada nas casas de fazendas do Sul dos Estados Unidos. Os escravizados só foram emancipados no século XIX, em 1836.
Em 1892, foi registrado pela primeira vez o primeiro Junkanoo, o carnaval das Bahamas, que celebra as culturas africana e caribenha na semana entre Natal e Ano Novo. A independência do Reino Unido veio apenas em 1973, e hoje as Bahamas fazem parte da Commonwealth.
Luxo com alma local
Em poucos quilômetros quadrados, Nassau condensa o contraste entre passado colonial, natureza exuberante e um Turismo voltado cada vez mais para grandes empreendimentos de hotelaria e entretenimento nas praias de areias brancas e macias banhadas por águas azuis. É nessa combinação que a capital do arquipélago revela sua identidade atual.
Do lado oeste, Cable Beach resume o imaginário caribenho em mais de três quilômetros de areias brancas e mar azul-turquesa, com uma sucessão de hotéis, bares, restaurantes e esportes aquáticos. No resort Baha Mar, há um parque aquático, o Baha Bay Water Park, que também funciona como um clube de praia, com piscina de frente para o mar.
Ao Norte, ligada à ilha de New Providence por uma ponte, Paradise Island concentra resorts como Atlantis e The Ocean Club, a Four Season Resort. O Atlantis tem um parque aquático, o Aquaventure. Já Junkanoo Beach, perto do terminal marítimo, é uma praia urbana de estrutura mais simples, frequentada por moradores de Nassau, mas com a mesma areia branca e o mar azul. Fica perto do British Colonial, que hospedou a PANROTAS.
O hotel ocupa o local onde, em 1695, foi erguido o Fort Nassau, para guardar a entrada do porto. Foi construído em 1901 por Henry Flager, o milionário americano que desbravou o estado da Flórida de trem. Hoje é o melhor camarote para ver o vaivém de navios no porto.
Construído em madeira, pegou fogo em 1922. Foi comprado pelo governo, e reaberto um ano depois. Um impressionante mural no teto do lobby, pintado em 1999, mostra a história do arquipélago e seus personagens. Foi cenário de filme de James Bond, Thunderball (1965).
The Ocean Club, a Four Seasons Resort, aparece nas cenas iniciais de Cassino Royale (2006), o primeiro filme com Daniel Craig como 007. James Bond desembarca nas Bahamas em frente às torres do Atlantis Paradise Island, mas a ação logo passa para o vizinho The Ocean Club e seus prédios baixos com vistas panorâmicas para o Oceano Atlântico. O hotel, inaugurado em 1962, é identificado no longa-metragem pelo nome real.
Durante um almoço com vista para o mar no Dune by Jean-Georges, Guilherme Reis, novo resort manager do hotel, contou que os brasileiros estão no top 5 de hóspedes do Ocean Club:
Ainda há muito espaço para ampliar o mercado brasileiro, porque os americanos formam uma grande maioria. Estou impressionado com o interesse que os hóspedes têm pelas locações de Cassino Royale. Até revi o filme para melhor atendê-los”
Já Baha Mar é um complexo de hotelaria e entretenimento que reúne mais de 45 bares e restaurantes, inclusive de chefs estrelados; campo de golfe, cassino (que se apresenta como o maior do Caribe), centro de convenções, flamingos, galeria de arte, lojas de grife, parque aquático, piscinas e três hotéis: Grand Hyatt, Rosewood e SLS. Tudo de frente para o mar cristalino de Cable Beach, e a apenas 15 minutos de carro do aeroporto internacional.
Entre as novidades, estão o John McEnroe Tennis Center, o Jon Batiste’s Jazz Club e o restaurante Leola by Scott Conant. O tenista americano foi o número 1 do ranking da ATP Tour diversas vezes ao longo da primeira metade da década de 1980. Há um ano, fez uma parceria com o centro de tênis do Baha Mar, que reúne oito quadras com dois diferentes tipos de piso.
A casa de shows intimista leva o nome do cantor, compositor e pianista americano premiado com o Grammy e o Oscar (pela trilha sonora original de Soul, da Pixar, 2020), tem programação noturna diária e fica ao lado do cassino, no térreo do Baha Mar.
O Leola é o novo restaurante de cozinha italiana do celebrity chef americano Scott Conant. No menu, há berinjela à parmeggiana, risoto de farro com ragu de costela e tiramisù de doce de leite.Há mais uma torre a caminho, que abrigará 350 acomodações e 60 residências em 30 andares, além de novos restaurantes de chefs premiados. Com projeto do escritório britânico Foster + Partners e inauguração prevista para 2029, será o prédio mais alto do arquipélago.
Out Islands
Nenhuma viagem às Bahamas está completa sem uma escapada para uma das Out Islands. A PANROTAS passou algumas horas em Andros, a maior ilha do arquipélago, onde o verde dá o tom. A ilha é o endereço do Blue Hole National Pond, um entre os cerca de 50 blue holes do parque nacional, com poços no meio da floresta nos quais é possível mergulhar e nadar.
Andros tem também a Androsia Batik Factory, fábrica de batik fundada em 1973, que oferece uma interessante experiência para quem quiser aprender na prática como fazer batik. As estampas são inspiradas no mar das Bahamas e impressas com cera quente em tecidos de algodão cru, que depois são tingidos com cores fortes e usados na confecção de vestidos, camisas, bolsas, toalhas de mesa, guardanapos. Na loja da fábrica, é possível comprar peças prontas ou cortes de tecido para cada um usar a imaginação.
Para se hospedar em Andros e aproveitar um pouco mais da beleza tranquila da ilha, o recentemente renovado Lighthouse Yacht Club é um simpático e confortável hotel, com 20 bangalôs com varanda. O bom restaurante tem mesas ao ar livre e vista para a marina.
A PANROTAS viajou a convite do Ministério do Turismo das Bahamas com seguro GTA.
