Belém: conheça as novidades para o turista na capital paraense depois da COP 30
Cidade se mostrou como uma vitrine amazônica e se posicionou como porta de entrada para a floresta.
BELÉM – Quando a capital paraense esteve no centro das discussões globais sobre mudanças climáticas, durante a COP 30, realizada em novembro de 2025, a cidade se mostrou como uma vitrine amazônica e se posicionou como porta de entrada para a floresta.
Pouco mais de seis meses após o evento, quem visitar Belém pode usufruir de novidades trazidas pelos investimentos feitos para sediar a conferência das Nações Unidas. Como um novo armazém restaurado, ao lado da Estação das Docas, dedicado exclusivamente à gastronomia e parte do complexo Porto Futuro.
A cozinha paraense já é razão o suficiente para passar uns dias na cidade. Mas não é só isso. Ao lado do novo Armazém 4, também no Porto Futuro, fica o Museu das Amazônias (MAS), inaugurado com uma exposição de Sebastião Salgado e fechado temporariamente para a montagem de duas mostras de arte e ciência.
Em frente ao Porto Futuro, encontra-se o Tivoli Maiorana, o primeiro hotel de alto padrão de Belém, também aberto pouco antes da COP 30. Atrações incontornáveis, como o Mercado Ver-o-Peso, umas das maiores feiras da América Latina, e a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré foram renovadas.
A seguir, listamos alguns programas imperdíveis:
Passeios
Armazém da Gastronomia
O restaurado galpão 4 é uma extensão da Estação das Docas e fica entre o Museu das Amazônias e a Baía de Guajará. Conta com mais de uma dezena de opções, entre elas filiais do Puba Bar, tasca amazônica que é o novo empreendimento do chef Thiago Castanho; da regional Sorveteria Cairu, e da premiada loja de chocolates Gaudens. Alguns bares e restaurantes têm mesas ao ar livre com vista para o pôr do sol na baía.
Estação das Docas
Desde o início deste século, é o cartão-postal e uma das principais atrações turísticas da capital. Três armazéns de ferro reformados, parte do antigo porto fluvial da cidade no início do século 20, hoje abrigam espaços culturais, lojas, bares e restaurantes, como a cervejaria Amazon Beer. Legado da COP 30: estações de água potável.
No Armazém 1 da Estação das Docas há um terminal de passageiros para barcos de passeios pela baía formada pelas confluências dos rios Guamá e Acará. O cruzeiro da Vale Verde ao pôr do sol, que oferece paisagens panorâmicas da cidade ao entardecer e apresentação de carimbó, é uma das boas opções entre os vários roteiros fluviais.
Mercado Ver-o-Peso
Também às margens da Baía de Guajará, ao lado da Estação das Docas, uma das mais conhecidas atrações turísticas da capital paraense e, sem dúvida, a mais colorida e caótica, tomou um banho de loja para a COP. O entorno está organizado e um sobrado do século 19, o Solar da Beira, foi restaurado e aberto ao público, abrigando estandes de artesanato no térreo. Dezenas de barracas de peixe com açaí, farinhas variadas, litros de tucupi e cachaça com jambu, e frutas frescas e ervas continuam atraindo moradores e visitantes.
Mangal das Garças
Às margens do Rio Guamá, perto do Centro Histórico, o parque zoobotânico completou 20 anos em 2025. Com 40 mil m² onde antes era apenas um aningal, reúne hoje diversas espécies da fauna e da flora amazônica e uma bem-montada exposição náutica no Memorial Amazônico da Navegação. Tem ainda dois pontos de observação, o Farol de Belém, estrutura metálica com 47 metros de altura, e o Mirante do Rio.
Complexo do Círio de Nazaré
A Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em estilo neoclássico, com colunas em granito, passou pela primeira restauração em cem anos. A parte interna apresentou o brilho renovado no Círio de 2025. Já as intervenções na fachada estão na fase final. No segmento de turismo religioso, vale a pena visitar também o Museu Memória de Nazaré, em frente à igreja, que conta um pouco da história da festa católica que mobiliza milhares de pessoas todo mês de outubro em Belém. Destaque para a sala que reúne oferendas dos fiéis (algumas são obras de arte popular) e para a exposição de mantos bordados usados pela imagem de Nossa Senhora. Nazinha, como é carinhosamente chamada pelos paraenses, sempre estreia no Círio um modelo novo, a cada ano desenhado por um estilista diferente.
Gastronomia
Amazônia na Cuia
A bossa do restaurante regional, aberto em 2018, é servir entradas, pratos principais e sobremesas nas tradicionais cuias, de diferentes tamanho, riscadas com reproduções de padrões marajoaras. No menu degustação, as cuias chegam à mesa em tábuas de madeira também decoradas com desenhos marajoaras. No cardápio, há moqueca de filhote ou camarão rosa, caranguejo com farofa pai d’égua, filé com queijo do Marajó, creme de bacuri ou cupuaçu. São três unidades na cidade, e a mais recente fica no Porto Futuro.
Casa do Saulo
O palacete histórico Casa das Onze Janelas, do século 18, na praça da Catedral, é o endereço da Casa do Saulo, restaurante do chef tapajônico Saulo Jennings. Fica no hoje chamado Complexo Feliz Lusitânia, que reúne o Forte do Presépio, erguido no início do século XVII, a Catedral e outras construções históricas do período colonial. No menu, pode-se começar com bolinhos de piracuí, burrata paraense, carpaccio de pirarucu, pastéis de aviú, tacacá, unha de caranguejo, e continuar com moquecas, piracaia, tambaqui de banda...
Celeste Restaurante
Também na praça da Catedral, o bistrô da chef Esther Weyl, inaugurado em 2024, tem bar de drinques autorais e clássicos. O cardápio de cozinha paraense com toques contemporâneos apresenta crocante de tapioca com tartare de carne de búfala, costela com aligot de macaxeira e couve tostada, e bolo com caramelo de cumaru para sobremesa.
Gaudens
Perto da Praça Batista Campos, a loja principal da premiada chocolateria, comandada pelo chef-chocolateiro Fábio Sicília, oferece uma boa experiência de degustação. Destaque para o cacau da Amazônia recheado com frutas locais, como bacuri e cupuaçu.
A nova casa do chef Thiago Castanho, no Porto Futuro, tem bar de vinhos e vista para a baía. O sucesso do menu é o sanduíche de peixe frito em brioche de macaxeira. Se estiver na temporada, vale experimentar também as ostras no vapor com tucupi, gengibre e cebola roxa. São da Amazônia Atlântica, cultivadas em Soure, na Ilha de Marajó, e Salinas.
Seen Belém
Fica no 17º andar do novo Tivoli Belém, hotel do grupo Minor inaugurado pouco antes da Cúpula de Líderes Mundiais, evento que antecedeu a COP 30. Assim como o Seen paulistano, tem DJ, sushi bar e menu assinado pelo chef português Olivier da Costa. Ao entardecer, na área ao ar livre no terraço, o panorama é o pôr do sol na Baía de Guajará. A combinação de gastronomia e entretenimento, como em todos os Seen, agradou aos moradores da cidade, e o local “para ver e ser visto” é um sucesso de público.
Ver-o-Pesinho Casa & Café
Colorida loja de artesanato local e bistrô amazônico, para pedir qualquer coisa com queijo do Marajó, perto da Praça Batista Campos. “Descoberto” pelos visitantes durante a COP 30, é forte concorrente a endereço mais charmoso de Belém.
A PANROTAS viajou a convite do Tivoli Maiorana Belém