PANROTAS+
PERFIL E HISTÓRIA
sandi

Do cinema a Paraty: a história de amor de 60 anos que deu origem ao Sandi Hotel

Da Redação

Em seis décadas, Sandi Adamiu transformou casa onde cresceu em um ecossistema de hospitalidade e cultura

Há histórias que começam com um plano de negócios. A de Sandi Adamiu começou com uma viagem. Em 1966, o industrial paulista Joviro Foz foi levado a Paraty por Jamil Klink, pai do navegador Amyr Klink. Foz havia vendido uma fazenda e estudava investir em outro destino do litoral. Ao conhecer Paraty, porém, os planos mudaram.

Sandi Adamiu, sócio do Sandi Hotel, ao lado do primeiro cartaz de um filme distribuído pela Paris Filmes no Brasil

Sandi Adamiu, sócio do Sandi Hotel, ao lado do primeiro cartaz de um filme distribuído pela Paris Filmes no Brasil

Encantado pelo encontro da Mata Atlântica com o mar, comprou o Sítio Bom Jardim, uma propriedade onde havia uma pequena casa de pescador com acesso exclusivamente em barco. Reformada, a casa passou a ser usada pela família nos fins de semana e nas temporadas de verão.

Sessenta anos depois, o lugar é conhecido como Vila Bom Jardim, uma propriedade de superluxo, acessível prioritariamente por barco, onde o hóspede encontra piscina aquecida com vista para o mar, chef e equipe exclusivos, embarcações, caiaques, sauna ecológica e sete suítes — número que deverá chegar a dez.

Área Gourmet Villa Bom Jardim
Área Gourmet Villa Bom Jardim

A transformação não apagou a memória familiar. Ao contrário: ela virou parte do produto. As coleções de louças de Sandra Foz, mãe de Sandi, são usadas na montagem das mesas. A antiga casa de barco tornou-se o Loft Bom Jardim. Uma lancha clássica icônica, adquirida pelo pai — a primeira Oceanic 36 fabricada pela Intermarine — continua navegando pelas águas de Paraty. E até dois King Kongs gigantes, usados na divulgação de um filme distribuído pela Paris Filmes, permanecem na propriedade.

Nosso negócio não é apenas um produto. É uma história de amor”

diz Sandi

O encontro de dois legados

Depois da morte precoce de Joviro Foz, Sandra conheceu Alexandre Adamiu, herdeiro e já então presidente da Paris Filmes. Alexandre também se apaixonou por Paraty. Ampliou a casa de Bom Jardim e passou a usá-la não apenas como refúgio da família, mas como lugar de networking internacional com pessoas ligadas ao cinema.

Sua relação com a cidade, no entanto, não pararia ali.

Em uma ida ao Centro Histórico, Alexandre decidiu comprar um conjunto de imóveis e criar o que imaginava ser o primeiro hotel de luxo de Paraty. A pousada foi concebida como um presente para Sandra, que tinha fama entre familiares e amigos pela maneira cuidadosa de receber e montar suas mesas.

O empreendimento recebeu o nome de Sandi, em homenagem ao fundador da Paris Filmes e também nome dado ao filho do casal.

Depois de aproximadamente seis anos entre obras, processos de aprovação e restauração dos imóveis, nasceu a Pousada do Sandi, inaugurada em 1987. O empreendimento é apontado como a primeira pousada de luxo de Paraty e que posteriormente passou a se chamar Sandi Hotel.

Fachada do Sandi Hotel (antigamente Pousada do Sandi
Fachada do Sandi Hotel (antigamente Pousada do Sandi

O hotel também ganhou uma ferramenta de divulgação que nenhum concorrente poderia reproduzir: antes dos filmes distribuídos pela Paris Filmes, nos cinemas e posteriormente nas fitas VHS, o público assistia a uma propaganda da pousada.

A estratégia levou Paraty e o empreendimento para as casas de milhares de brasileiros durante os anos 1980 e 1990. O próprio hotel ainda recupera, em sua comunicação, as propagandas exibidas nas antigas fitas da Paris Filmes. 

Cinema e hospitalidade passaram, assim, a fazer parte de uma mesma narrativa.

A relação voltaria às telas décadas depois. À frente da Paris Filmes, Sandi participou da produção realizada no Brasil das cenas de lua de mel de "A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1", gravadas na região do Saco do Mamanguá.

VEJA MAIS FOTOS DO SANDI HOTEL
  • +7

A sucessão aos 17 anos

O roteiro ganhou um capítulo inesperado em 1999. Alexandre Adamiu morreu aos 52 anos. Sandi tinha apenas 17 e, ainda muito jovem, passou a conviver com a responsabilidade de preservar dois negócios familiares: a Paris Filmes e o hotel em Paraty. Nesse período, encontrou dois mentores.

Carlos Alberto de Oliveira, fundador do Emiliano, colocou a estrutura e os executivos do grupo à disposição de Sandi para ajudá-lo a profissionalizar a operação hoteleira. Lírio Parisotto, que tinha negócios com a Paris Filmes, tornou-se padrinho e conselheiro importante na reorganização da distribuidora.

No hotel, uma das primeiras medidas tomadas pelo jovem sucessor foi simbólica: os quartos ocupados por amigos e convidados durante o Réveillon passariam a ser comercializados. O lugar criado inicialmente para receber a família e seu círculo de relacionamentos precisaria se tornar uma empresa.

“Meu pai era um hoteleiro que não gostava muito de hóspede”, brinca Sandi. “Ele queria o hotel para ele e para os amigos. Quando assumi, a primeira decisão foi: agora todo mundo paga.”

A pousada começou então a se transformar em uma operação profissional.

A escolha por Paraty
A escolha por Paraty

Durante os anos seguintes, Sandi dividiu-se entre o cinema e a hotelaria.

Na Paris Filmes, participou de um ciclo de crescimento que incluiu fenômenos de bilheteria como a franquia "Minha Mãe É uma Peça". Em 2019, porém, decidiu vender sua participação na companhia e concentrar sua energia em Paraty. A decisão ocorreu pouco antes da pandemia, quando cinemas e shopping centers permaneceriam fechados durante meses. Em Paraty, Sandi enxergou a paralisação do Turismo como uma oportunidade de fazer a reforma que não poderia ser realizada com o hotel em funcionamento.

Reuniu os funcionários, garantiu que ninguém seria demitido por causa da obra e transformou o empreendimento em um grande canteiro. Banheiros, apartamentos, piscinas, áreas comuns e serviços foram revistos.

Ao mesmo tempo, comprou imóveis vizinhos e ampliou o complexo. “Foi quando percebi que tínhamos dois ativos extraordinários. A casa poderia virar uma vila de superluxo e a pousada poderia se tornar um hotel boutique internacional”, afirma.

O antigo empreendimento ganhou uma nova dimensão, mas manteve sua arquitetura histórica. Atualmente, o Sandi Hotel ocupa um conjunto de imóveis do século 18 no Centro Histórico de Paraty e reúne 31 acomodações, entre elas a nova suíte FUGU. Desenvolvida em conceito de co-branding com o restaurante e galeria de arte de mesmo nome, a unidade segue o conceito de "everything is for sale": todos os móveis, objetos de decoração e obras presentes no ambiente podem ser adquiridos pelos hóspedes. O hotel também conta com piscinas aquecidas, spa, academia, adega e operações gastronômicas. 

A casa onde tudo começou

Vista da Suíte Ocean View 2 Villa Bom Jardim
Vista da Suíte Ocean View 2 Villa Bom Jardim

A Vila Bom Jardim representa outro momento dessa transformação. A antiga casa da família passou a ser comercializada exclusivamente em sistema de buy-out. Em vez de reservar uma suíte, o cliente aluga toda a propriedade e a utiliza como sua casa particular em Paraty.

A vila acomoda atualmente até 14 pessoas em sete suítes. Ao lado dela, a antiga casa de barco foi transformada no Loft Bom Jardim, com três suítes e capacidade para seis hóspedes. Os dois produtos podem ser reservados juntos, alcançando dez suítes e até 20 pessoas. 

Chef, arrumação, limpeza e traslados entre a propriedade, a marina e o Centro Histórico fazem parte do serviço. Alimentos, bebidas e embarcações são organizados de acordo com as escolhas de cada grupo.

Mais que um projeto imobiliário, a vila preserva hábitos da família.

CONFIRA MAIS FOTOS DA VILA BOM JARDIM
  • +8

“Minha mãe sempre recebeu muito bem. Cada almoço tinha uma louça e uma montagem diferentes. Colocamos isso no produto porque esse é o nosso DNA”, explica Sandi.

O luxo, em sua visão, não está apenas na qualidade dos materiais ou no valor da diária. Está na possibilidade de o hóspede encontrar uma casa viva, com objetos, memórias e pessoas capazes de contar sua história.

É por isso que, mesmo depois de tantas reformas, os dois King Kongs continuam lá.

São vestígios de uma família que chegou a Paraty quando o acesso ainda era difícil, aproximou o cinema da hotelaria e transformou uma casa de pescador em um dos produtos de hospedagem mais exclusivos da região.

“Durante muito tempo, o negócio era movido pelo amor da família por Paraty”, diz Sandi. “Hoje o amor também virou negócio. Mas continua sendo amor.”

Se tiver interesse em falar com o Sandi Hotel, entre em contato com eles:

Reservas:

Aparecida – (11) 99789 0528 aparecida@sandihotel.com.br

Munir – (11) 94878 9898  munir@sandihotel.com.br

Publicada em 30/07/2026 12:16 - Atualizada em 30/07/2026 12:31
Tópicos relacionados
Avatar padrão PANROTAS Quadrado azul com silhueta de pessoa em branco ao centro, para uso como imagem de perfil temporária.

Conteúdos por

Da Redação

Colaboração para o Portal PANROTAS

Ver todos os conteúdos publicados por Da Redação no Portal PANROTAS.