Espírito Santo da gastronomia e da cultura: Estado avança na promoção do Turismo em 2026
Estado vem acelerando investimentos para atrair mais turistas, seja na infraestrutura ou na promoção
VITÓRIA (ES) - O Turismo do Espírito Santo tem crescido nos últimos anos. Unindo praia e montanhas, o Estado vem acelerando investimentos para atrair mais turistas, seja na infraestrutura ou na promoção. As belezas da região, no entanto, vão além da natureza: a cultura e a gastronomia são parte fundamental na hospitalidade.
Moqueca e só!
David Santos, chef do Maresia's, destacou como a gastronomia capixaba vem se fortalecendo, ganhando força e fãs. No município de Vitória, a moqueca tem um dia especial de comemoração, 30 de setembro, instituído por lei municipal. Além disso, há lei estadual que institui o prato como comida típica.
A moqueca capixaba se diz a verdadeira. Por isso, na verdade, ela nem precisaria de sobrenome: é moqueca e só. O prato típico do Estado tem suas particularidades, que as diferenciam das concorrentes Brasil afora. No Espírito Santo, o prato não usa dendê nem leite de coco, privilegia frutos e peixes de mar e, principalmente, é preparado em panela de barro.
Ela é a grande estrela da moqueca porque faz parte do cozimento. Uma boa moqueca leva dez minutos sendo preparada: cinco no fogo e a outra metade com ele desligado. Por isso, quando servimos o prato, o caldo ainda está fervendo: quer dizer que ela segue no processo de cozimento. Sem panela de barro, não tem moqueca capixaba"
explicou David Santos
Óleo de urucum, cebola, tomate, limão, coentro e a proteína do mar. Esses são os ingredientes da moqueca capixaba. David conta que a mais nova versão do prato, que tem pouco mais de 70 anos, é a opção com banana da terra, que substitui os peixes e frutos do mar. Ainda assim, a história da moqueca capixaba remete a história do Espírito Santo, sendo uma mistura de tradições indígenas com traços portugueses.
Sempre que nossos clientes sentam para comer aqui nós fazemos uma apresentação do prato, explicando as características da nossa moqueca, para as pessoas interagirem e entenderem sobre os produtos capixabas e não deixar de comprar e consumir. Depois que o cliente experimenta o produto capixaba, ele entende a qualidade e espalha para o Brasil afora”
Tradição indígena das panelas de barro
As panelas de barro são confeccionadas no bairro de Goiabeiras, em Vitória. Lá, nasceu a Associação das Paneleiras de Goiabeiras, que hoje possui um espaço que une a fabricação, exposição e venda dos utensílios.
A história das panelas de barro remontam a tradições indígenas da região, principalmente das culturas Tupi Guarani e Una. O processo artesanal é feito com modelagem manual da argila, retirada do Vale do Mulembá. Depois, o material é deixado para secagem ao sol e então é feito o polimento com pedra. Por fim, a panela passa por queima a céu aberto e impermeabilização com tanino, uma tintura de mangue-vermelho. Todo esse passo a passo pode ser observado no galpão da Associação.
A produção artesanal das panelas de barro foi considerada patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Elas ainda possuem indicação geográfica chancelada pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Os tipos incluem: Moquequeira ou Frigideira, Panela de Arroz ou Pirão, e o Caldeirão, utilizadas principalmente na moqueca capixaba. Outras opções são as Assadeiras, onde é assada e servida a torta capixaba, e as Panelas de Caldo, com bastante demanda entre os restaurantes.
Da moqueca ao arroz de polvo
O Espírito Santo ganhou recentemente outro prato típico, reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Vitória. O arroz de polvo tem mais de 45 anos de tradição na capital do Estado e se tornou oficialmente símbolo da culinária da região em setembro deste ano.
ARROZ DE POLVO DO MARESIA'S
“Vitória é uma cidade que encanta pelo mar, pelas paisagens e também pela mesa farta. O arroz de polvo faz parte da nossa história, é tradição nos quiosques da Curva da Jurema, na Ilha das Caieiras e em tantos restaurantes que levam o nome da capital para além do Espírito Santo. Transformá-lo em patrimônio cultural é reconhecer a força da nossa gastronomia e garantir que essa tradição seja preservada e valorizada”, destacou o vereador Armandinho Fontoura, idealizador do projeto para tornar o prato patrimônio cultural imaterial da gastronomia da cidade.
EMPREENDEDORISMO NO TURISMO CAPIXABA
Tanto o restaurante Maresia’s como as Paneleiras têm parceria com o Sebrae-ES. A entidade tem trabalhado neste sentido para impulsionar o Turismo do Estado, que segundo Pedro Rigo, superintendente do Sebrae, vem cada vez mais se fortalecendo com a parceria no mercado nacional e fortalecimento da governança.
“Desde 2024 temos nos empenhado de forma prioritária para desenvolver o Turismo no Espírito Santo. Então a gente tem trabalhado com os empreendimentos, com os empreendedores, trabalhado o mercado, a visibilidade do mercado nacional para o Turismo e o fortalecimento da governança”.
Dessa forma, segundo Pedro, o Sebrae-ES está envolvido em pilares considerados essenciais para sustentar o desenvolvimento do Turismo de médio e longo prazo no Espírito Santo. Com isso, em 15 meses, o número de pequenas empresas ligadas ao Turismo cresceu 23%, alcançando mais de 15 mil negócios ativos, de acordo com dados da Receita Federal, gerando cerca de seis mil empregos para capixabas.
A PANROTAS viajou a convite do Sebrae-ES.