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FUJA DO ÓBVIO
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Fuja do óbvio em Inhotim (MG): um lugar mágico que precisa ser Top Choice

Artur Luiz Andrade

Instituto que está completando 20 anos fica a cerca de uma hora e meia de Belo Horizonte

A cerca de uma hora e meia de Belo Horizonte, em Brumadinho, existe um lugar onde arte contemporânea, arquitetura e natureza se misturam de tal maneira que fica difícil definir o que estamos contemplando, visitando, tocando. Uma experiência multissensorial que nunca mais nos deixará. Um projeto ousado e visionário que vai além do óbvio, mas que deveria ser o óbvio: objeto de desejo de qualquer viajante.

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Em 2026, o Instituto Inhotim completa 20 anos e, apesar das milhares de pessoas que por lá passam todos os dias, ainda é uma joia a ser descoberta. Parece a história do caviar, que muita gente só ouve falar, e quando chega no espaço, se surpreende com o tamanho, com a disposição de tudo, com a floresta que nos envolve, com o profissionalismo e a organização, com obras que espelham o nosso tempo.

Parque-museu a céu aberto, com obras para interagir, contemplar e sempre se impressionar, jardim botânico com espécies do mundo todo, em um processo de reflorestamento de área degradada pela mineração, grande espaço de experiências para visitantes de todas as idades – projeto que só os loucos e visionários conseguem tirar do papel (obrigado, Bernardo Paz).

As obras estão dentro de galerias, em pavilhões especialmente construídos para os artistas e nenhuma galeria é igual à outra. Há instalações espalhadas pelos jardins e, em alguns casos, praticamente escondidas na paisagem. Outras são esculturas isoladas ou espaços onde entramos, nos deitamos, tocamos, experimentamos – e entendemos ou não. Mas sentimos. Mas não adianta ficarmos aqui descrevendo Inhotim. Vá e aproveite. Porém, algumas dicas valiosas irão fazer a diferença:

1.

É um lugar para ser percorrido sem pressa. Se tiver tempo, reserve dois dias para conhecer e sentir Inhotim.

2.

Também é possível fazer um bate-volta a partir de Belo Horizonte. Nesse caso, planejar bem a visita, saber o que quer visitar, é essencial. E, claro, comprar o ingresso que dá direito ao transporte interno, em carrinhos de golfe. O lugar é enorme e há muitas galerias com acesso via ladeiras ou ribanceiras.

3.

A Belvitur, do grupo BeFly, é a agência oficial do Inhotim, e oferece transfer entre a capital mineira e o instituto, além de ingressos, transporte interno e visitas guiadas. O percurso permite passar o dia no parque e retornar a Belo Horizonte no fim da tarde.

4.

Inhotim é grande, há muito o que caminhar e, principalmente, há muito o que descobrir. Quem fica apenas algumas horas acaba concentrando a visita nas galerias mais conhecidas e deixa de perceber uma parte importante da experiência: a relação entre as obras, a arquitetura e a paisagem.

5.

Para quem está visitando pela primeira vez, contratar um guia pode mudar completamente a experiência. A Belvitur oferece guias que têm conhecimento profundo e conseguem passar as informações de forma bem fácil e coloquial, com histórias que só eles sabem. Enriquecem a visita. Falando com o guia, pode-se personalizar a visita de acordo com o que cada visitante quer conhecer.

Você pode não gostar de uma obra. Pode achar outra estranha. Pode não entender uma terceira. Tudo bem. As informações dos guias vão te ajudar a olhar de uma outra forma Inhotim e cada galeria visitada – além da vegetação, pois eles sabem tudo sobre cada árvore.

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6.

Inhotim tem subidas e descidas, e as distâncias entre algumas galerias são consideráveis. Existe um sistema de transporte interno com carrinhos elétricos para facilitar o acesso aos pontos mais altos e distantes do parque. Atualmente, o serviço pode ser adquirido antecipadamente pela Belvitur, ou pela plataforma Sympla, a bilheteria oficial. O serviço compartilhado opera em rotas predeterminadas. Não entre em Inhotim sem acesso ao transporte interno. Aviso de amigo.

7.

Há também a opção de transporte exclusivo, em que um condutor fica à disposição do visitante e seu grupo por uma hora ou pelo tempo contratado. Paga-se mais pelo luxo de fazer seu próprio roteiro. Todas as modalidades podem ser obtidas via Belvitur.

8.

Fuja dos feriados

Outra recomendação é escolher bem a data. Inhotim fica muito mais agradável quando não está lotado. Nos feriados e nos períodos de grande movimento, podem surgir filas para as galerias mais disputadas, para algumas instalações, para os carrinhos e também para os restaurantes.

A experiência muda completamente quando você consegue entrar em uma galeria com poucas pessoas, caminhar pelo jardim sem pressa e observar uma obra durante alguns minutos sem precisar disputar espaço.

O Inhotim tem dias de entrada gratuita — atualmente, as quartas-feiras e o último domingo de cada mês, mediante as condições estabelecidas pelo instituto.

Mas atenção: gratuito não significa necessariamente tranquilo. Se o objetivo é ter uma visita mais confortável, pode valer a pena escolher um dia de menor movimento, mesmo pagando ingresso.

9.

Clara Arte Resort

Para aproveitar dois dias de Inhotim, dormir nas proximidades é uma boa estratégia. E existe uma opção especialmente integrada ao parque: o Clara Arte, parceiro oficial do Inhotim.

A proposta do resort é justamente combinar hospedagem, arte, natureza e gastronomia, criando uma experiência que vai além de simplesmente ter um lugar para dormir depois da visita. 

Para quem se hospeda ali, a vantagem é não precisar transformar a visita em uma corrida contra o relógio. É possível passar algumas horas no parque, voltar para descansar, aproveitar o hotel, retornar para uma caminhada e terminar o dia com uma refeição tranquila.

O próprio hotel passa a fazer parte da viagem, já que tem uma bela arquitetura, obras de arte espalhadas pelo ambiente, atendimento excepcional, uma das melhores gastronomias em resorts no País, e bangalôs modernos, espaçosos, onde a família, o casal ou os amigos desfrutarão de momentos de puro luxo e conforto. Vá sem pensar. Vale muito.

10.

A gastronomia também ganhou uma nova fase no Inhotim. E ficar dois dias ou mais na região vale também para podermos experimentar as delícias locais.

O Grupo Capim Santo assumiu a operação gastronômica do instituto, levando para o parque a experiência comandada por Morena Leite. A Comedoria Oiticica é um dos espaços de alimentação, enquanto o Café das Flores também integra essa nova operação. A recomendação, para quem passa o dia inteiro no parque, é não transformar o almoço em uma obrigação logística. A refeição faz parte da experiência e até o hot dog local faz muito sucesso. No mais, ande sempre com água, seja na sua própria garrafa (que pode ser enchida em diversos pontos) ou as vendidas nos pontos de apoio.

Na saída, não perca a lojinha de Inhotim. Mais um luxo necessário, assim como conhecer a arte do seu tempo, produzida à sua frente, por mentes contemporâneas desse tempo louco que todos compartilhamos. 

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O QUE É ARTE PARA VOCÊ?

Uma das grandes atrações de Inhotim é justamente apresentar uma maneira diferente de entrar em contato com a arte. Estamos acostumados aos museus tradicionais, onde percorremos salas e observamos pinturas, esculturas e objetos de artistas renomados como Picasso, Rembrandt, Da Vinci e tantos outros nomes consagrados mundialmente.

No Inhotim, a experiência é outra

A arte contemporânea é, por definição, a arte do nosso tempo. Muitos dos artistas representados no parque ainda estão vivos, produzindo e, em alguns casos, acompanhando ou modificando seus trabalhos. Isso significa que o visitante está vendo a história da arte acontecer. E também está diante das questões do seu próprio tempo. Natureza, mudanças climáticas, identidade, povos indígenas, desigualdade, memória, colonialismo, questões sociais e políticas aparecem de diferentes maneiras nas obras. Qual ficará para a história? O tempo dirá.

Não existe necessariamente uma resposta pronta. E algumas das obras nem sequer foram feitas para ser apenas observadas.

Há instalações em que é preciso entrar, caminhar, ouvir, tocar ou mudar de posição. Algumas brincam com sons, outras com luz e espaço. Há trabalhos nos quais o visitante precisa praticamente deitar-se para descobrir a obra. Ou entrar em espaços pequenos com efeitos visuais. Arriscar para experimentar. É uma arte que pede participação.

Tunga, Adriana Varejão e grandes nomes

Entre os artistas brasileiros, Tunga é um dos nomes fundamentais para compreender a identidade do Inhotim. Sua produção, marcada por instalações de grandes dimensões e associações entre materiais, símbolos e ideias, ocupa uma das galerias permanentes mais importantes do parque.

Adriana Varejão é outro destaque. Sua obra dialoga com a história brasileira, a arquitetura, a azulejaria, o corpo e a violência, criando trabalhos que muitas vezes parecem, à primeira vista, uma coisa e, quando observados com atenção, revelam outra. A presença de um guia da Balvitur será enriquecedora. Vale a pena a visita guiada para ir além do que vemos e sentimos.

O visitante também encontra trabalhos de nomes como Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Miguel Rio Branco, Doris Salcedo, Matthew Barney, Olafur Eliasson, Cristina Iglesias, William Kentridge, Claudia Andujar, Doug Aitken e muitos outros.

Há ainda galerias que recebem exposições temporárias, fazendo com que o Inhotim esteja em constante transformação.

Yayoi Kusama: uma visita que ganhou outro significado

Entre os nomes mais conhecidos internacionalmente está Yayoi Kusama. A artista japonesa morreu em 14 de agosto de 2026, aos 97 anos, em Tóquio. Kusama ficou conhecida pelas pinturas e esculturas cobertas de pontos, em instalações imersivas que transformam espaço, luz e espelhos em experiências de infinito.

No Inhotim, sua presença ganhou uma galeria própria, inaugurada em 2023. O projeto arquitetônico é assinado por Fernando Maculan, do MACh, e Maria Paz, do Rizoma, e foi concebido especialmente para receber a produção da artista.

A visita à galeria já era uma das experiências mais procuradas do parque. Depois da morte de Kusama, ganha também uma dimensão de homenagem e de legado.

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A PANROTAS viajou a convite da Belvitur

Publicada em 26/10/2026 14:28 - Atualizada em 26/10/2026 15:26
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Artur Luiz Andrade

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.

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