Fuja do óbvio em Pernambuco: Luck percorre do Litoral Sul ao Norte, passando pelo Agreste
Conheça as mais diversas opções que o Estado oferece, incluindo praia, natureza, cultura e gastronomia
Pernambuco é um destino que permite combinar praias conhecidas com lugares mais reservados, experiências de natureza, gastronomia e passeios que fazem parte da memória de quem vive no Estado. Entre o Litoral Sul, o Agreste e o Litoral Norte, há roteiros para quem quer sair do caminho mais convencional e aproveitar cada paisagem com tempo, sem aglomerações.
Mamucabinhas, no Litoral Sul
Localizada ao lado de Tamandaré e da Praia dos Carneiros, Mamucabinhas é uma praia quase deserta, justamente porque o acesso é feito a pé, de bicicleta, em veículo 4x4 ou de lancha. Para tornar o passeio ainda mais especial, é importante contratar as comidas e bebidas a bordo.
No litoral pernambucano, há diversas piscinas naturais, famosas pelos banhos em águas mornas e cristalinas. Minha preferência é embarcar pela Praia de Tamandaré na maré baixa, para aproveitar melhor o tempo e curtir um pouco mais o banho nas piscinas naturais.
De lá, seguimos para a Praia de Porto de Nassau, conhecida como a praia do Coqueiro Solitário. O apelido nasceu de uma história curiosa: um coqueiro cresceu naturalmente em meio às rochas, mas acabou sendo cortado. O prefeito da época mandou plantar três coqueiros no lugar, para ver se algum deles se adaptaria. Os três vingaram perfeitamente e, desde então, a praia deixou de ter apenas um coqueiro solitário. Acho que precisarão adotar outro apelido.
Depois da parada para fotos, seguimos para Mamucabinhas. O local é onde deságuam o Rio Ilhetas e o Rio Mamucabas e reúne vegetação de mangue, sombras e águas transparentes. É uma parada perfeita para banho, boas conversas, comidas e bebidas e para deixar o tempo passar sem pressa. Também é possível levar um chef de cozinha a bordo e transformar o momento em uma experiência ainda mais especial.
Retornamos por volta das 16h30, já com a maré cheia, em direção à marina da Praia dos Carneiros. No caminho pelo Rio Formoso, chega o momento de apreciar um dos mais bonitos pôres do sol de Pernambuco. O sol desce no rio como uma enorme bola de fogo. Lindo de viver.
Serra Negra, no Agreste
O Agreste pernambucano reúne cultura, clima serrano, feiras populares e belezas naturais. No inverno, a vegetação fica bem verdinha e a paisagem ganha outra aparência.
Estou numa fase de programas de vó e gosto de proporcionar boas lembranças para os netinhos. Um dos passeios que curtimos fazer é ir de carro até Bezerros, entre Gravatá e Caruaru, e alugar uma “limusine do Agreste” só para o nosso grupo. Trata-se de uma Toyota Bandeirante alongada, veículo perfeito para subir as ladeiras íngremes e as estradas de terra da famosa Serra Negra.
No ponto mais alto da serra, fazemos uma trilha relativamente curta, que adultos e crianças conseguem concluir. É um trecho em que se concentram formações rochosas naturais típicas da região. Os nativos e contadores de histórias também dão um toque de lenda ao percurso.
A Gruta do Amor é formada por pequenas fendas e cavernas de fácil acesso espalhadas pela trilha. Há também o Pau Santo Casamenteiro, uma árvore famosa na região. Dizem que quem der três voltas ao redor dela atrairá boa sorte no casamento.
A gastronomia da serra
Na Serra Negra, encontramos restaurantes com comidas típicas, assinados por chefs de cozinha, que vão das famosas carnes de sol e de charque, a carne seca, às raras tanajuras, que aparecem durante o inverno.
Recomendo o Restaurante Laus, que tem um ambiente pequeno, uma vista bonita e comida muito boa. É preciso provar a tanajura com farofa. Outra opção é o restaurante Flor da Serra, também com boa comida e um ambiente aconchegante para grupos.
No fim da tarde, a Bodega do Veio é uma parada obrigatória para comer um bom petisco e se divertir com o ambiente criativo.
Papangus e a memória de Bezerros
Outra curiosidade da região é o Carnaval dos Papangus, uma das festas mais tradicionais de Bezerros. A tradição começou no início dos anos 1900, na zona rural, quando familiares e amigos queriam brincar o Carnaval e visitar os vizinhos sem serem reconhecidos.
Eles usavam máscaras que cobriam toda a cabeça, feitas de papel machê, além de roupas largas e compridas. Os mascarados iam de casa em casa para festejar, enquanto os moradores ofereciam angu, comida preparada com fubá de milho e galinha. Como eles comiam muito sob as máscaras, ficaram conhecidos como papangus.
É um Carnaval colorido, vibrante e familiar. Eu costumava ir no domingo de Carnaval, no dia seguinte ao Galo da Madrugada, que até hoje não perco por nada neste mundo. Depois, vinha o repouso merecido nas praias pernambucanas.
Croa da Baleia, no Litoral Norte
Igarassu é uma cidade histórica, conhecida por abrigar a mais antiga igreja do Brasil ainda em funcionamento. A região também inclui a Ilha de Itamaracá, com o famoso Forte Orange, cenário de batalhas e parte da história da colonização do Brasil.
Esse trecho do litoral também marcou minha adolescência e a de muitos pernambucanos, que passavam o verão nas praias de Maria Farinha e Itamaracá e frequentavam os bares à beira-rio. Era um point muito antes de Porto de Galinhas se transformar em um dos principais polos turísticos de belezas naturais do País.
Como a região é cortada por vários braços de rios que deságuam no Atlântico pelo Canal de Santa Cruz e pelo Rio Timbó, há diversas opções de bancos de areia entre os rios e o mar. São praias acessíveis por lancha e frequentadas pelos pernambucanos, mas que, durante os dias de semana, reservam espaços mais tranquilos para quem busca sossego. Também é importante contratar as comidas e bebidas a bordo.
O embarque acontece pela Marina do Catamaran Beach Praia. A primeira parada é no banco de areia de Igarassu, considerado o maior viveiro de marisco de Pernambuco, que aparece na maré baixa. É gostoso sentar na água rasa e pescar mariscos simplesmente colocando as mãos na areia.
Depois, seguimos para a Croa da Baleia, que recebe esse apelido porque, em algumas marés, o banco de areia toma o formato do mamífero. Sempre escolho essa prainha rústica para tomar banho de mar, caminhar pela areia branca, tirar fotos e saborear um churrasco preparado pelo marinheiro.
Enquanto os bancos de areia continuam aparecendo, novas paradas para banho em águas rasas e longe da praia podem surgir ao longo do roteiro.
Para curtir o entardecer, seguimos pelo Rio Timbó, margeado pela vegetação de manguezal. O passeio termina com um pôr do sol acompanhado de espumante e tábua de frios com frutas.
Esta e outras experiências fazem parte do Guia de Férias PANROTAS 2027, que já está disponível em versão impressa e digital. Leia agora: