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Fuja do óbvio em São Paulo: veja como aproveitar a melhor cena de samba de terreiro

Rodrigo Vieira

Editor da PANROTAS dá dicas incríveis de rodas dedicadas a esse repertório

São Paulo tem a maior cena de samba de terreiro do mundo. Não há um ranking capaz de provar isso, claro, mas a quantidade e a variedade de rodas dedicadas a esse repertório fazem da cidade um polo muito especial. Até no Rio de Janeiro esse título é reconhecido.

Bienal do Samba
Bienal do Samba
Samba que não cabe no desfile

Samba de terreiro é uma das matrizes do samba carioca reconhecidas pelo IPHAN, ao lado do partido-alto e do samba-enredo. É o samba cultivado nas comunidades das escolas, nos antigos terreiros, quadras, quintais e botequins. Fala de amores, festas, conflitos e da vida cotidiana. Não é feito necessariamente para o desfile. É música de convivência, transmitida de forma coletiva e muitas vezes cantada em coro.

Em São Paulo, coletivos como Glória ao Samba, Terra Brasileira, Terreiro de Mauá, Consulado da Portela, Terreiro de Jorge e Terreiro Grande ajudaram muita gente mais jovem a conhecer sambas antigos, vários deles ligados à memória de escolas tradicionais do Rio, como Império Serrano, Mangueira, Salgueiro e Portela. Nenhum desses agrupamentos paulistas toca regularmente em alguma casa específica, de maneira que há de se procurar nas redes sociais de cada um deles para saber quando e onde o “couro come”. Vou deixar os perfis ao fim do texto. 

Cristina Buarque de Hollanda, que nos deixou há um ano, teve participação importante nesse movimento. Em 2007, gravou com o Terreiro Grande um disco ao vivo, um álbum que despertou na juventude o interesse pelos sambas em que prevalece a força do conjunto. Quase nenhuma das rodas de samba de terreiro tem o vocal microfonado e, quando tem, eles servem ao coro. Todo mundo canta junto, e é pura energia. 

Só no gogó

Para uma familiarização com esse universo, recomendo o Samba do Morcego, realizado mensalmente na Barra Funda. É uma roda que admiro muito porque os rapazes também cantam só no gogó e selecionam o repertório com cuidado. Eles vão cantar alguns sambas mais famosos, diferentemente dos grupos que mencionei anteriormente, que vão abusar dos lados C e D do samba. 

Ali perto, em Campos Elíseos, o Dois-Dois é um dos melhores espaços para ouvir samba em São Paulo. O palco redondo ocupa o centro da casa e já recebeu nomes como Sombrinha, um dos grandes sambistas ligados à história do Fundo de Quintal.

Outro endereço de alto nível é o Ó do Borogodó, em Pinheiros, na região da Vila Madalena. Pequeno e acanhado, o bar está em atividade desde 2001 e ajuda a manter vivos diferentes estilos de samba e choro. Também vale acompanhar a Comunidade Samba do Maria Zélia e o Quintal dos Prettos, duas rodas importantes da cidade.

Parrilla e botecos sem maquiagem

Na Pompeia, minha dica é o Chimi Parrilla. É uma parrilla argentina de bairro, mas o hambúrguer ganhou fama própria. Em 2025, ficou em primeiro lugar em um ranking de quase 200 hambúrgueres provados por Gastronomium, Taster e O Crítico Antigourmet. Não é uma hamburgueria, e talvez essa seja parte da graça.

Completo a lista com dois botecos de estilos parecidos. A Juriti funciona no Cambuci desde 1957, com ambiente simples e um repertório enorme de aperitivos, como rã à milanesa, frutos do mar, pastel, torresmo e a calabresa assada no fogo de álcool conhecida como Joana D’Arc.

O Jabuti está na Vila Mariana desde 1967 e segue a mesma linha de estabelecimento sem frescura, garçons experientes e petiscos, com atenção especial aos frutos do mar.  Casquinha de siri, lula e iscas de cação estão entre os clássicos associados à casa... e a chance de encontrar Amyr Klink por lá é grande. O velejador é figurinha carimbada no Jabuti. 

Procure as próximas rodas

Aqui estão as contas de Instagram, onde os agrupamentos divulgam as rodas:

@grterreirogrande

@sambadeterreirodemaua

@consuladodaportelasp

@igs.samba

@terrabrasileira2005

@terreirodejorge

@sambadomorcego

Rodrigo Vieira, editor na PANROTAS
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Publicada em 21/10/2026 12:35 - Atualizada em 21/10/2026 12:35
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Rodrigo Vieira

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.

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