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Influenciadores digitais revelam os desafios e as transformações do Turismo LGBTQ+

Beatriz Contelli

Liberdade de viajar ainda não é acompanhada pela liberdade de expressar plenamente a própria identidade.

O Turismo LGBTQ+ é uma potência global. A comunidade viaja mais vezes ao ano, consome intensamente cultura, entretenimento e gastronomia, e contribui de forma significativa com toda a cadeia do Turismo. No Brasil, esse público é cada vez mais visível, diverso e relevante.

O avanço econômico e social da comunidade, entretanto, não elimina barreiras ainda presentes no setor. De acordo com pesquisa da Booking.com divulgada em junho deste ano, apenas 38% dos viajantes LGBTQ+ brasileiros afirmam assumir sua orientação sexual durante suas viagens, enquanto quase um terço (31%) declarou que esconderia sua identidade para conhecer um destino dos sonhos. O levantamento também aponta que 54% avaliam constantemente o ambiente ao redor antes de expressar carinho ao parceiro ou parceira em espaços públicos.

Os dados reforçam que, para muitas pessoas LGBTQ+, a liberdade de viajar ainda não é acompanhada pela liberdade de expressar plenamente a própria identidade.

Entre avanços, novas demandas e desafios persistentes, a PANROTAS reuniu a visão de influenciadores digitais LGBTQ+ do universo de viagens para entender os movimentos que estão transformando o segmento.

LUCAS POR AÍ - @LUCASRANFER

Lucas Ranfer em Londres
Lucas Ranfer em Londres

Tudo começou com uma viagem para Machu Picchu, no Peru. O arquiteto Lucas Ranfer, também conhecido como Lucas Por Aí, viu nas viagens uma oportunidade de se libertar de uma vida profissional que já não fazia mais sentido.

Baseado no Rio de Janeiro, o influenciador já visitou diversos países e mais de 30 destinos brasileiros. Ao longo dessa trajetória, encontrou locais que o surpreenderam positivamente pela receptividade, mas também enfrentou experiências menos agradáveis.

“Sou apaixonado por cidades que tenham algum passado de civilização antiga. Por isso, Atenas, na Grécia, foi um dos meus lugares favoritos. Tenho muita vontade de visitar o Egito, mas sei que é um destino um pouco mais desafiador. Mas tudo é muito relativo. Eu sofri perseguição de um skinhead em Londres, com xingamentos homofóbicos, algo que não esperava vivenciar em uma cidade tão cosmopolita”, conta Lucas.

Ao longo de sua trajetória, o influenciador acumulou experiências que o levaram a compreender que, mais do que outros públicos, o viajante LGBTQ+ precisa adotar cuidados adicionais, como pesquisar o destino com antecedência e optar por hotéis e empresas com políticas claras de inclusão e combate à discriminação. 

“A preocupação do viajante LGBTQ+ está em poder ser quem a gente é ou até demonstrar afeto em público. O viajante precisa estar ciente de que, em certos locais, comportamentos triviais podem representar riscos reais à sua segurança física. Na prática, uma viagem não depende apenas das atrações turísticas, hotéis ou paisagens. Ela também é influenciada por leis, direitos, costumes sociais e pelo nível de aceitação da diversidade no destino. E eu não acho que toda viagem LGBTQ+ tenha que ser necessariamente um ato político. Também viajamos para descansar, conhecer culturas, fazer Turismo gastronômico ou se divertir. Porém, a segurança e a liberdade de viver a própria identidade durante a viagem acabam sendo fatores que influenciam diretamente a escolha do destino”, destaca.

Segmento avança, mas ainda há impasses

Na visão de Lucas, destinos, hotéis, companhias aéreas e operadoras têm compreendido cada vez mais que a inclusão é um componente essencial da hospitalidade e que receber bem também significa oferecer um ambiente acolhedor para diferentes perfis de viajantes. 

“Sou otimista em ver os criadores de conteúdos mostrando as experiências reais sobre destinos, hotéis e atrações. Isso ajuda outros viajantes a tomar decisões mais assertivas e incentiva as empresas a melhorar suas práticas. Vejo que as gerações mais novas tendem a ter maior contato com a diversidade e maior familiaridade com diferentes identidades e orientações. Isso pode contribuir para ambientes turísticos mais acolhedores ao longo do tempo”, acredita. 

No entanto, Lucas observa que a representatividade no Turismo ainda não contempla toda a diversidade da comunidade LGBTQ+

“Vejo pouca representatividade de lésbicas como rostos de campanhas, sendo que é um grupo que também necessita de segurança e possui padrões de consumo muito específicos. Pessoas transgênero e não-binárias sentem um impacto muito grande em relação à logística real, como documentação, acesso a banheiros, segurança em aeroportos e tratamentos com o pronome adequado. A própria diversidade racial e étnica da comunidade é pouco falada. Viajantes negros, latinos ou indígenas LGBTQ+ enfrentam uma camada dupla de discriminação: homofobia e racismo”, ressalta.

Lucas em Paris
Lucas em Paris
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Lucas na Grécia
Lucas na Grécia
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1 Lucas em Paris 2 Lucas na Grécia

Lucas também chama atenção para outros grupos que ainda recebem pouca visibilidade no Turismo LGBTQ+, especialmente casais homoafetivos com crianças, além de pessoas LGBTQ+ mais velhas, que costumam aparecer pouco nos conteúdos do setor. 

“Já parou para pensar que todo o circuito gay é pensado para os jovens? Existe uma romantização da juventude e os idosos que fazem parte da comunidade e possuem um histórico de luta e resistência são quase invisíveis. A representatividade no Turismo LGBTQ+ ainda é um desafio, pois o mercado historicamente focou em um perfil muito restrito: o casal cisgênero, branco, de classe média/alta”, complementa. 

O influenciador busca ampliar o debate para além da representatividade em campanhas e destaca a necessidade de mudanças estruturais no Turismo. Para ele, é fundamental que todo o trade esteja envolvido na construção de experiências mais inclusivas, desde a capacitação de profissionais até a adoção de práticas de atendimento mais respeitosas.

“Também temos que observar o comportamento das marcas ao longo do ano. Elas possuem políticas internas de inclusão e combate à discriminação? Há presença de pessoas da comunidade em cargos de liderança? Existe um apoio contínuo a projetos, eventos ou organizações da comunidade ao longo do ano? Ou será que fazem apenas um rainbow washing durante o Mês do Orgulho?”, reflete Lucas.

GIULIA E THAÍS - @SAPATOKERS

Giulia e Thaís, na Grécia
Giulia e Thaís, na Grécia

Há seis anos, Thaís atua como influenciadora digital ao lado de sua esposa, Giulia. Ao longo desse período, mesmo acompanhando os avanços do Turismo LGBTQ+, ela percebeu uma lacuna no mercado: a falta de grupos de viagem voltados exclusivamente para mulheres sáficas (lésbicas, bissexuais e outras mulheres que se relacionam romanticamente com mulheres). Foi dessa percepção que nasceu o SapaTrip.

O primeiro roteiro do projeto aconteceu em abril, na Chapada dos Veadeiros (GO), e reuniu 14 mulheres em uma experiência que combinou cachoeiras, trilhas, fazendas e paisagens do Cerrado, além de atividades pensadas para fortalecer os laços entre as participantes.

“O SapaTrip foi criado para proporcionar experiências seguras, acolhedoras e divertidas entre mulheres da comunidade. Grupos de viagem LGBTQ+ normalmente incluem homens, e percebi que existe uma demanda de mulheres que desejam viajar apenas com outras mulheres, e isso tem relação com uma questão muito presente: a solidão da mulher lésbica. No nosso primeiro roteiro, havia muitas mulheres viajando sozinhas, sem parceira ou amiga, e conforme vamos envelhecendo, é ainda mais difícil fazer novas amizades. Por isso, buscamos criar momentos de conexão ao longo da viagem, com rodas de conversa e atividades em grupo para as participantes construírem vínculos”, explica Thaís.

As próximas viagens do SapaTrip já têm data marcada. Em julho, o grupo seguirá para Mogi das Cruzes (SP), em uma experiência voltada ao contato com a natureza e à desaceleração. Já em novembro, o destino será Morro de São Paulo (BA), onde as participantes poderão aproveitar praias de águas cristalinas enquanto vivenciam momentos de troca e convivência.

Viajando como um casal homoafetivo

Thaís conta que sempre foi do tipo que economiza ao máximo para poder viajar. Restaurantes caros e roupas de marca nunca estiveram entre suas prioridades, seu maior objetivo sempre foi conhecer o mundo. Mas, sendo casada com outra mulher, a influenciadora percebeu que planejar uma viagem envolve cuidados adicionais: além de avaliar atrações e custos, era preciso considerar o quanto cada destino era seguro para pessoas LGBTQ+. 

“Pessoas LGBTQ+ sempre precisam pesquisar sobre o destino antes de viajar. Precisamos saber se estaremos seguras, se poderemos andar de mãos dadas em público, quais cuidados devemos tomar e até se vale a pena contratar uma agência para ter mais segurança durante a viagem. Ainda existem países onde podemos ser presas simplesmente por existirmos. Por outro lado, também tivemos experiências muito positivas. Fomos muito bem recebidas em Paris e, principalmente, na Grécia. Além disso, escolhemos a África do Sul para celebrar nossa lua de mel”, conta. 

Assim como outros influenciadores ouvidos nesta reportagem, Thaís afirma ter percebido uma redução no apoio das marcas à causa LGBTQ+. Ainda assim, a influenciadora diz que seguirá compartilhando suas histórias e experiências de viagem como forma de promover representatividade e criar espaços de identificação para outras pessoas da comunidade.

Giulia e Thaís em lua de mel na África do Sul
Giulia e Thaís em lua de mel na África do Sul

“Há muitas pessoas LGBTQ+ em países conservadores que estão lutando para ter o mínimo. Nosso papel, como influenciadores, é contribuir para ampliar as perspectivas, criar conexões e construir relacionamentos com marcas que realmente acreditam na diversidade. Essa redução no apoio das marcas dá a sensação de que demos um passo para trás em relação aos avanços que estávamos construindo. Como influenciadora, sei que minhas palavras e atitudes podem impactar muitas pessoas. Ao mesmo tempo, entendo que o conteúdo que produzo não representa toda a comunidade LGBTQ+, porque somos um grupo muito diverso. E isso é algo muito bonito. Fico feliz por poder representar uma parte dessa comunidade”, destaca. 

Apesar dos desafios, Thaís afirma que vê o futuro com otimismo, especialmente quando observa as novas gerações e o acesso cada vez maior à informação. “Tenho muita esperança nos jovens. Hoje eles têm acesso a informações que eu mesma não tive quando era mais nova. Até para eu me entender como uma mulher LGBTQ+ levou tempo, porque cresci em um ambiente muito heteronormativo. Com mais representatividade, acredito que esse processo será mais fácil para as novas gerações. Claro que o preconceito continua existindo e muitos jovens ainda reproduzem ideias que aprendem dentro de casa. Mas eu tenho esperança de que eles conseguirão viver suas vidas com mais autenticidade e liberdade”, completa.

ALBERTO E MARCELO TOZZI - @CANALVOUVIAJAR

Alberto e Marcelo em Nusa Penida, na Indonésia
Alberto e Marcelo em Nusa Penida, na Indonésia

Faz apenas dois anos que Alberto e Marcelo Tozzi colocaram em prática sua paixão por explorar o mundo. Por meio do Canal Vou Viajar, os influenciadores compartilham suas experiências pelo mundo para mostrar que a comunidade LGBTQ+ existe, ocupa espaços e tem o direito de estar onde quiser.

“Quando você é uma pessoa abertamente LGBTQ+ ocupando espaços, viajando o mundo e inspirando outras pessoas a viverem sem medo, isso já é um ato político. Onde colocamos nosso dinheiro é uma decisão política. Se o nosso dinheiro vai fomentar a economia de um lugar, preferimos que seja em destinos que nos respeitem”, reforçam.

Essa presença também se reflete na forma como a comunidade tem viajado. Segundo os criadores de conteúdo, o Turismo LGBTQ+ vem deixando para trás o estereótipo de ser um segmento que se resume a festas e baladas. Há um aumento da procura por experiências ligadas à natureza e aventura, bem-estar e roteiros de luxo. Casais homoafetivos também têm viajado cada vez mais para celebrar luas de mel, casamentos e momentos em família, acompanhados dos filhos. 

“Destinos como Tailândia e Vietnã são referências positivas para a comunidade. Já países como Marrocos e Emirados Árabes Unidos, embora não sejam totalmente seguros para viajantes LGBTQ+, acreditamos que a nossa presença representa o início de uma mudança”, refletem.

Responsabilidade e representatividade

Alberto e Marcelo acreditam que o trabalho como influenciadores digitais pode impactar diretamente a forma como seus seguidores vivenciam uma viagem. Por isso, buscam produzir conteúdos responsáveis e alinhados à realidade de cada destino.

“Nossa palavra pode influenciar diretamente a segurança física de alguém. Se recomendamos um hotel ou destino, precisamos ter certeza de que é um ambiente seguro. Há uma responsabilidade muito grande de informar, acolher e, muitas vezes, ser a ponte entre o sonho da viagem e a coragem de realizá-la. Buscamos mostrar como é viajar com segurança, educar nossa audiência sobre seus direitos e incentivá-la a continuar ocupando espaços. Quanto mais visíveis somos, mais difícil é nos apagarem”, afirmam. 

Os influenciadores também destacam que os desafios enfrentados pela comunidade no Turismo vão muito além da escolha de destinos seguros. Conforme apontam, pessoas trans ainda enfrentam obstáculos em aeroportos e raramente aparecem como protagonistas das campanhas de Turismo, assim como pessoas LGBTQ+ negras e com mais de 50 anos. 

“É preciso ir além do marketing de nicho. Não basta colocar uma bandeira de arco-íris no folheto. É preciso investir no treinamento constante da rede hoteleira e de serviços, criar políticas públicas que garantam a segurança física dos turistas e moradores LGBTQ+, e fomentar ativamente empreendedores locais que fazem parte da comunidade. Vemos uma mudança onde mais marcas querem falar sobre diversidade, mas a redução de patrocínios em eventos essenciais, como a Parada de São Paulo, acende um alerta vermelho. Isso demonstra que o apoio de algumas empresas é condicionado à conveniência econômica ou ao clima político, e não a um compromisso real com a comunidade. É preocupante, pois a diversidade não deveria ser tratada como uma 'tendência' passageira de mercado”, reforçam.

Alberto e Marcelo se preparam para seu primeiro mochilão
Alberto e Marcelo se preparam para seu primeiro mochilão
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Alberto e Marcelo nas Cataratas do Iguaçu
Alberto e Marcelo nas Cataratas do Iguaçu
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1 Alberto e Marcelo se preparam para seu primeiro mochilão 2 Alberto e Marcelo nas Cataratas do Iguaçu

Apesar dos desafios, Alberto e Marcelo enxergam motivos para acreditar em um Turismo mais inclusivo nos próximos anos. 

“O que nos dá esperança é olhar para a nova geração. Ver jovens LGBTQ+ crescendo com menos amarras, sonhando em desbravar o mundo e cobrando posturas das marcas e destinos de forma muito mais incisiva. Receber mensagens de seguidores do @canalvouviajar dizendo que criaram coragem para fazer a primeira viagem com seus parceiros por nossa causa. É isso que prova que estamos no caminho certo e que o futuro do Turismo será, inevitavelmente, mais livre”, completam.

LUÍSA ASSAF - @LU_ASSAF

Luísa Assaf em Veneza
Luísa Assaf em Veneza

Se para muitas mulheres heterossexuais viajar sozinha pode trazer desafios, para mulheres lésbicas essa realidade pode ser ainda mais complexa. Dentro do segmento LGBTQ+, elas estão entre os grupos mais sub-representados em campanhas e conteúdos de viagem.

Apesar dos desafios que poderia encontrar pelo caminho, Luísa Assaf decidiu que faria um mochilão pela Europa sozinha. Durante a viagem, ela notou que diferentes destinos oferecem níveis distintos de acolhimento ao público queer feminino. 

“Me preparando para minha aventura na Europa pesquisei várias dicas de viagem para a comunidade LGBTQ+. Aproveitei a oportunidade para gravar toda a viagem e incentivar minhas seguidoras a viajarem sozinhas. Berlim, Paris e Amsterdam me surpreenderam positivamente, com uma cena LGBTQ+ vibrante, restaurantes acolhedores, instalações artísticas sobre a comunidade, bares temáticos e símbolos do Orgulho espalhados pelo destino”, conta Luísa.

Para a influenciadora, viajar sozinha também está diretamente ligado a um processo de liberdade pessoal. 

“O Turismo de natureza e aventura vai além de uma mera tendência. Para as lésbicas, é um nicho que está conectado às nossas personalidades e estilo de vida. Quando você rompe a necessidade de aprovação masculina, sente que pode romper qualquer outra barreira. Muitas de nós crescemos sozinhas, então estar sem companhia não é um problema. Durante a viagem, posso escolher para onde vou, o que quero comer, se quero visitar cinco museus ou apenas curtir o dia”, compartilha.

Tudo é político, inclusive o Turismo

Com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, Luísa encara sua profissão como criadora de conteúdo com seriedade. A influenciadora conta que recebe diariamente relatos e desabafos de pessoas da comunidade LGBTQ+ e afirma buscar ser uma representatividade que valoriza relações saudáveis e incentiva especialmente jovens e adolescentes a se aceitarem como são.

“Acredito que o papel dos criadores de conteúdo é trazer a sensação de que você não está sozinha, independente de ondas conservadoras que tentam nos empurrar de volta para o armário. Mas infelizmente há marcas que recuaram muito nessa pauta. Entendo o medo de se posicionar diante de questões políticas, mas quem não se posiciona, não se diferencia. E o mais importante: consistência. Os consumidores sabem quais são as marcas que apoiam a causa só para crescer. Eu espero que as marcas voltem a apoiar a pauta porque os conteúdos sobre diversidade entregam conexão genuína e confiança. É isso que nós, criadores de conteúdo LGBTQ+, podemos oferecer o ano todo, e não só em junho”, explica.

Luísa em Jungfraujoch, na Suíça
Luísa em Jungfraujoch, na Suíça

Para Luísa, ainda há lacunas na forma como a comunidade é representada em campanhas e conteúdos de viagem. Segundo a influenciadora, a maioria das narrativas ainda se concentra em casais de homens ou em famílias com filhos, enquanto outros perfis permanecem praticamente invisíveis.

Vejo pouquíssimas pessoas trans representadas, e acredito que há muito interesse coletivo em ver mais grupos de amigas LBT+ presentes. Eu nunca vi uma lésbica desfeminilizada em uma campanha de Turismo, e isso é muito triste”, reflete. 

A influenciadora defende que a inclusão no Turismo precisa envolver ações concretas de responsabilidade social. Para ela, isso passa pelo combate efetivo à LGBTfobia, pela geração de oportunidades de trabalho para pessoas trans em situação de vulnerabilidade e pela capacitação de profissionais do setor.

Tudo é político, inclusive o Turismo. A escolha do destino, da agência de viagens, das atrações turísticas, tudo isso diz sobre quem você é, e a sua posição sobre o mundo. E políticas públicas impactam diretamente na segurança e bem-estar dos viajantes LGBTQ+”, completa Luísa.

RAPHA PUCCI E TON - @PPTRIPS_

Há duas décadas juntos, Rapha e Ton transformaram uma paixão compartilhada por conhecer novos lugares em uma forma de inspirar outras pessoas a ocuparem o mundo sem medo.

Tudo começou em 2018, quando o casal já não se sentia mais satisfeito com suas carreiras profissionais. O que seria apenas um período sabático de quatro meses pelo Sudeste Asiático acabou dando origem a um perfil de viagens que hoje reúne mais de 100 mil seguidores. Desde então, as experiências acumuladas pelo mundo também transformaram a forma como os influenciadores planejam seus roteiros.

“Em destinos como Espanha, Portugal ou Estados Unidos não sentimos diferença no tratamento. Alguns países como a Tailândia e o Vietnã, por exemplo, tem uma relação com gênero e identidade que é culturalmente diferente do Ocidente, mas que acaba sendo muito mais fluída e menos preconceituosa do que muita democracia ocidental. Porém, lugares como Eslovênia, Croácia e regiões do interior de países da América do Sul, percebemos olhares curiosos, que não chegam a incomodar, mas tornam nossa experiência diferente dos outros públicos”, explicam.

Se em alguns destinos as diferenças aparecem apenas em olhares curiosos ou situações pontuais, em outros a preocupação vai além do desconforto e envolve questões de segurança. 

Recentemente, os influenciadores visitaram o Marrocos com o suporte de uma agência de viagens e pretendem adotar a mesma estratégia em futuras viagens para países como o Egito e outros destinos que demandam atenção especial de viajantes LGBTQ+. 

“Em lugares como o Marrocos, onde as leis não são favoráveis à comunidade e ainda há poucos avanços culturais nesse sentido, a experiência acaba não sendo tão confortável. Evitamos demonstrações de afeto, nos sentimos observados ao pedir uma cama de casal ou simplesmente por estarmos sentados em um restaurante sendo dois homens”, compartilham.

Representatividade além dos estereótipos

Para Rapha e Ton, embora a presença da comunidade LGBTQ+ nas campanhas de Turismo tenha aumentado nos últimos anos, ainda há grupos que seguem pouco representados.

Pessoas trans são praticamente invisíveis no Turismo. Casais lésbicos aparecem muito menos do que casais gays masculinos. Pessoas LGBTQ+ mais velhas, que viajam muito e têm muito a dizer, raramente aparecem como protagonistas de campanhas. As grandes marcas já têm incluído a comunidade em suas campanhas, mas o padrão geralmente são casais de homens em sua maioria”, destacam. 

Os influenciadores também acreditam que destinos e empresas precisam ir além de ações simbólicas para se tornarem verdadeiramente inclusivos.

“Eu acho que é preciso parar de confundir visibilidade com inclusão. Colocar uma bandeira do arco-íris no site ou na frente de um hotel não muda nada se algumas leis locais ou a própria comunidade criminaliza quem você é. A inclusão real passa por política pública, treinamento de equipes e disposição de enfrentar preconceitos. Precisamos que as pessoas envolvidas, seja a agência, o guia, os hotéis, os funcionários, enfim, todos estejam preparados para atender qualquer pessoa que seja, com respeito e igualdade”, reforçam. 

Para Rapha e Ton, é impossível dissociar Turismo e política quando a experiência de viajar é impactada pela orientação sexual ou identidade de gênero.

“Quando você precisa pesquisar se pode ser preso por segurar a mão da pessoa que ama em determinado país, isso já é uma questão política. Quando decide deixar de visitar um destino por questões de segurança, também. Quando você aparece como um casal gay que viaja, que enfrenta desafios juntos, que envelhece junto, isso tem peso para pessoas que nunca viram isso representado”, salientam.

Rapha e Ton em Las Vegas
Rapha e Ton em Las Vegas
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Os influenciadores em Cusco, no Peru
Os influenciadores em Cusco, no Peru
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1 Rapha e Ton em Las Vegas 2 Os influenciadores em Cusco, no Peru

Apesar dos desafios, os influenciadores mantêm uma visão otimista sobre o futuro da comunidade LGBTQ+.

“Continuar existindo em público parece simples, mas não é. Mostrar que a vida é possível, que o amor e a alegria são possíveis, mesmo quando o contexto tenta convencer o contrário. Os jovens atuais têm uma clareza sobre identidade que a minha geração demorou décadas para construir, e de outro lado, a geração atual, em especial nós LGBTQ+, temos enfrentado o mundo de cabeça erguida, então acreditamos que essa junção e o apoio de uma sociedade sem preconceito, nos dá muita esperança a despeito do futuro”, completam.

MIRELLE E ELEN - @MOCHILEIRASEMROTA

Em pouco mais de um ano, Mirelle e Elen viveram experiências que muitas pessoas levariam anos — ou talvez nunca — para realizar: um mochilão de três meses pela América do Sul, passando por Peru, Bolívia e Chile, seguido de uma expedição de quatro meses pela Ásia, com passagem por Japão, Vietnã, Camboja, Laos e Tailândia.

Totalmente independente, o casal desenvolveu os roteiros e aprendeu técnicas de captação de imagens e edição para compartilhar suas vivências nas viagens com seus seguidores no Instagram. 

“O coração do nosso projeto é democratizar o Turismo: mostrar que, com planejamento detalhado, inteligência logística e estratégia, é possível vivenciar experiências incríveis e imersivas gastando pouco, sempre mostrando a realidade nua e crua de cada destino. Dentre os países que exploramos juntas, o Peru e a Tailândia superaram muito as nossas expectativas. No Peru, sentimos um respeito muito grande e uma receptividade calorosa. Já a Tailândia é um exemplo claro de um destino que respira diversidade e faz com que o viajante LGBTQ+ se sinta perfeitamente integrado, seguro e bem-vindo em qualquer ambiente”, destacam. 

A escolha de viagem das influenciadoras também ilustra duas tendências crescentes no Turismo LGBTQ+: o fortalecimento das viagens de natureza e aventura e o aumento das experiências culturalmente imersivas

“A comunidade tem buscado cada vez mais se desconectar da correria urbana e se conectar com vivências autênticas. O perfil do viajante LGBTQ+ atual é muito dinâmico, ele quer explorar o mundo além dos circuitos tradicionais ou de grandes eventos específicos do Orgulho, buscando a combinação da descoberta, liberdade e segurança”, explicam.

Com a experiência que adquiriram explorando o mundo, Mirelle e Elen contam que sempre levam em consideração o nível de segurança e acolhimento de casais homoafetivos no destino, e a viabilidade financeira, buscando países que ofereçam experiências ricas e fora do óbvio sem ultrapassar o orçamento.

“Para o público geral, o planejamento gira em torno de atrativos e orçamento; para um turista LGBTQ+, ele começa pela segurança básica. Existe um receio latente de sofrer preconceito ou passar por situações desconfortáveis e perigosas, o que muitas vezes nos priva de demonstrar afeto publicamente. Por isso, nossa pesquisa pré-viagem envolve mapear o nível de aceitação social, o aparato legal do país para com a comunidade e a distinção clara entre o que é legalmente proibido e o que é socialmente tolerado pela cultura local”, compartilham.

Mirelle e Elen no Peru
Mirelle e Elen no Peru

Desafios e responsabilidades

Na visão das influenciadoras, apesar dos avanços no Turismo LGBTQ+ e do reconhecimento crescente de que a diversidade não é um diferencial, mas um pré-requisito, as ações de marketing ainda reproduzem estereótipos e deixam de contemplar a pluralidade real da comunidade.

“O mercado de Turismo focado no público LGBTQ+ ainda é muito centralizado na figura do homem cisgênero, gay e de alto poder aquisitivo. Mulheres lésbicas e bissexuais e pessoas trans ainda encontram pouquíssima representatividade nas campanhas de grandes marcas e destinos. O Turismo ainda caminha a passos lentos no Brasil para criar pacotes e campanhas genuinamente pensadas para mulheres que viajam juntas, por exemplo. Ainda há muito espaço para evoluir do discurso para a prática comercial”, afirmam. 

Nesse contexto, Mirelle e Elen acreditam que ocupar o espaço digital como um casal de mulheres viajando o mundo carrega uma dimensão política e uma responsabilidade compartilhada com a segurança de seus seguidores. 

“Para nós, cruzar uma fronteira, passar por uma imigração ou simplesmente fazer o check-in em um hotel com uma cama de casal são atos atravessados pela política e pelos direitos humanos locais. A escolha de para onde vai o nosso dinheiro como viajante é uma decisão política. Não há como desvincular a experiência de viagem das leis que regem e protegem (ou criminalizam) a nossa existência naquele território. Somos muito criteriosas em relatar a realidade que vivemos em cada país de forma honesta. Recebemos muitas mensagens de seguidoras que criam coragem para viajar, e isso nos dá uma responsabilidade enorme sobre o tom, o respeito e a precisão do que compartilhamos”, completam.

LIDIANE COSTA - @PARTIUVIAJARBLOG

Lidiane e esposa em Machu Picchu
Lidiane e esposa em Machu Picchu

Há dez anos, a advogada Lidiane Costa decidiu transformar sua paixão por escrever em um blog de viagens. Com dicas sobre como viajar sem gastar muito, o Partiu Viajar cresceu e ganhou espaço também no Instagram e no YouTube. Hoje, além de produzir conteúdo, Lidiane oferece consultorias para viajantes em Toronto, no Canadá, onde vive atualmente.

“Antes de viajar, sempre pesquiso o quão inclusivo e seguro o destino é. Toronto, por exemplo, é um dos melhores lugares para viajantes LGBTQ+, porque possui uma comunidade muito ativa, eventos durante o ano todo, além de locais LGBTQ+ friendly. Também tive experiências positivas em Paris e Londres. Por outro lado, me lembro de quando viajei para o Marrocos com minha esposa e ficamos receosas sobre como as pessoas reagiriam caso percebessem que éramos um casal. Só decidimos fazer a viagem porque estávamos acompanhadas de um grupo de amigos”, conta Lidiane.

A influenciadora também acredita que a experiência de viagem de pessoas LGBTQ+ está diretamente ligada não apenas às leis de cada destino, mas também ao contexto social e político local. Ela ressalta que, em países onde a homossexualidade ainda é criminalizada ou reprimida, como a Rússia, viajantes da comunidade precisam estar atentos até mesmo a demonstrações de afeto em público. 

“Creio que tudo gira em torno das leis e da educação da população, além do bom exemplo de líderes e governantes. O discurso e as políticas adotadas por lideranças políticas têm impacto direto na percepção de segurança e acolhimento da comunidade LGBTQ+. Quando há um ambiente político mais hostil, muitas pessoas acabam se sentindo menos protegidas ou representadas. Eu, por exemplo, evito viajar para os Estados Unidos atualmente”, compartilha.

Receio em se posicionar

Como influenciadora digital desde 2016, Lidiane não tem dúvidas sobre o papel que exerce dentro da comunidade. Em sua visão, quando um criador de conteúdo LGBTQ+ se expõe e compartilha suas experiências, ele contribui para mostrar que pessoas LGBTQ+ fazem parte da sociedade em todas as suas dimensões. 

“Ao falar sobre temas como viagens, gastronomia, negócios, maternidade, esportes, finanças ou Turismo, o influenciador LGBTQ+ mostra que não há nada de errado em ser 'diferente' e ajuda a reforçar que não somos uma comunidade isolada ou distante da vida cotidiana. Nem todo criador LGBTQ+ precisa falar sobre diversidade o tempo todo. Muitas vezes, o simples fato de compartilhar minha vida de forma autêntica já gera identificação e amplia a representatividade”, afirma. 

Apesar do número crescente de influenciadores digitais, Lidiane observa que algumas marcas, ao mesmo tempo em que se tornam mais exigentes, ainda recorrem à comunidade apenas em momentos de campanhas publicitárias. 

“Tem muita marca que não faz nada para entregar uma experiência melhor para os consumidores da comunidade no dia a dia. Vejo que ainda existe receio por parte das marcas em assumir posicionamentos consistentes durante o ano todo. Muitas empresas ainda tratam a pauta LGBTQ+ de forma pontual, em vez de incorporá-la de maneira permanente à cultura da marca. A empresa não precisa ser ativista ou nichada, mas precisa, de fato, ser uma aliada ativa durante o ano inteiro”, destaca.

Lidiane e sua esposa visitam o Magic Kingdom
Lidiane e sua esposa visitam o Magic Kingdom
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A influenciadora e sua esposa nas Cataratas do Niagara
A influenciadora e sua esposa nas Cataratas do Niagara
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1 Lidiane e sua esposa visitam o Magic Kingdom 2 A influenciadora e sua esposa nas Cataratas do Niagara

“Queremos exatamente o mesmo que qualquer viajante”

Criada em uma cidade do interior de Minas Gerais, Lidiane celebra os avanços que a comunidade LGBTQIA+ conquistou ao longo dos anos e destaca a importância de ter acesso fácil a referências, informações e acolhimento, mesmo à distância.

“Isso, por si só, já representa uma mudança enorme em relação às gerações anteriores, que se sentiam mais isoladas, e falo isso por experiência própria. Sei que muitas questões, como religião e política, ainda são entraves para a comunidade, mas minha esperança é que todos os países tratem as pessoas LGBTQ+ com respeito. Hoje, os criadores de conteúdo têm um papel fundamental nessa transformação”, enfatiza.

No entanto, no universo das viagens, a influenciadora reforça que viajantes LGBTQ+ não buscam tratamento especial ou exclusivo, mas sim respeito e dignidade, como qualquer outro turista.

“O que nós queremos é exatamente a mesma coisa que qualquer viajante: descansar, conhecer lugares novos, comer bem, nos divertir e voltar para casa com boas memórias. Mas viajar se torna político a partir do momento em que preciso pesquisar ‘é seguro demonstrar afeto em público nesse destino?’, ‘é crime ser homossexual no país X?’. Enquanto um casal heterossexual raramente precisa fazer esse tipo de avaliação antes de comprar uma passagem, muitos casais LGBTQ+ ainda consideram esses fatores no planejamento. Nesse sentido, aspectos legais, culturais e sociais acabam se tornando parte essencial do planejamento da viagem”, completa.

RAFAEL LEICK - @VIAJABI / @RAFAELEICK

Rafael Leick em Frankfurt
Rafael Leick em Frankfurt

Tudo começou em 2009, durante um intercâmbio em Londres, quando Rafael Leick começou a registrar suas experiências de viagem em um blog criado, a princípio, para manter familiares e amigos atualizados. O blog passou a atrair leitores desconhecidos e cresceu junto com o mercado de conteúdo de viagens, que ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

Cinco anos depois, o influenciador daria mais um passo importante: fundaria o Viaja Bi!, considerado o primeiro blog de viagens assumidamente voltado ao público LGBTQ+ do País. 

Desde então, viajar passou a significar muito mais do que escolher um destino. Antes de fazer as malas, o influenciador considera fatores como segurança, igualdade de tratamento e a existência de uma cena LGBTQ+ ativa, capaz de proporcionar uma experiência mais autêntica. 

“O Turismo LGBTQ+ não é um bicho de sete cabeças. É apenas um segmento, assim como o Turismo religioso ou o ecoturismo. O que o Turismo LGBTQ+ precisa é de personalização para atender um público específico. Eu gosto de destinos que combinam natureza, cidade e uma vida LGBTQ+ ativa. Tenho curiosidade de conhecer como é a comunidade local”, afirma.

Para Rafael, o Turismo LGBTQ+ também acompanha mudanças no comportamento dos viajantes. Além das tradicionais festas e eventos do Orgulho, cresce o interesse por experiências que reúnem pessoas em torno de interesses comuns.

“Hoje vemos muitos festivais, grandes shows e encontros que movimentam esse público, mas também surgem iniciativas voltadas para natureza e aventura. Um exemplo é o projeto Altitude Queer, do interior de São Paulo, que reúne pessoas LGBTQ+ para acampar e fazer trilhas”, explica.

Na avaliação do influenciador, alguns destinos se destacam justamente por oferecerem um ambiente mais acolhedor à comunidade, o que torna a experiência de viagem mais espontânea.

“A Tailândia me surpreendeu principalmente porque as pessoas trans estão integradas à sociedade o tempo todo. Não existem olhares julgadores e, logo na imigração, já é possível ver a bandeira do arco-íris”, conta.

Rafael e sua mãe em Copenhague
Rafael e sua mãe em Copenhague
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Rafael na Tailândia
Rafael na Tailândia
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1 Rafael e sua mãe em Copenhague 2 Rafael na Tailândia

Não ter medo de se posicionar

Apesar dos avanços no setor, Rafael acredita que a representatividade nas campanhas publicitárias ainda está longe de refletir toda a diversidade da comunidade e que a construção de destinos verdadeiramente inclusivos começa muito antes da chegada dos turistas.

“Todos os grupos além dos homens gays brancos continuam pouco representados, mas principalmente as pessoas trans, que quase não aparecem ou ainda são retratadas de forma estereotipada. Um dos poucos exemplos que me marcaram foi uma campanha de Fort Lauderdale que colocou pessoas trans como protagonistas. Os governos precisam investir em políticas públicas afirmativas e garantir segurança para os moradores locais. Se um destino é acolhedor para quem vive ali, naturalmente também será para quem o visita”, destaca. 

Na visão do influenciador, esse compromisso também deve partir de quem produz conteúdo sobre viagens. Mais do que indicar destinos ou compartilhar roteiros, ele entende que seu trabalho influencia decisões, ajuda viajantes a se sentirem representados e contribui para ampliar o debate sobre diversidade dentro do Turismo. 

Eu sou ativista por existência. Minha existência é política. O criador de conteúdo LGBTQ+ tem muita responsabilidade porque possui visibilidade. Muitas pessoas vêm contar suas histórias para você e isso exige mais responsabilidade na hora de compartilhar conteúdo e também mais letramento sobre diversidade e raça. Ainda acho que há muitos criadores que não têm dimensão da responsabilidade que é ter visibilidade dentro na comunidade”, ressalta. 

Em um cenário marcado pelo avanço de governos mais conservadores e pelo questionamento de direitos já conquistados, Rafael acredita que os criadores de conteúdo assumem um papel cada vez mais importante ao informar os viajantes sobre mudanças nas legislações e no contexto de cada destino. Para ele, ocupar esses espaços e continuar produzindo conteúdo também é uma forma de resistência.

“Estamos vivendo um momento em que direitos conquistados voltaram a ser questionados. Cabe aos criadores orientar os viajantes sobre as mudanças nas regras, explicar como está o cenário de cada destino e continuar ocupando esses espaços sem medo de se posicionar. Não se posicionar também é uma escolha e, muitas vezes, vai contra a nossa própria existência”, completa.

Publicada em 07/07/2026 16:05 - Atualizada em 07/07/2026 17:05
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Beatriz Contelli

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação. 

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