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Natureza primitiva e exuberante: conheça as belezas exóticas da Namíbia

Claudio Schapochnik, especial para a PANROTAS

Jovem Namíbia, que completou 35 anos de independência em 2025, exibe uma natureza hipnotizante

No Sudoeste africano entre Angola e África do Sul, a jovem Namíbia, que completou 35 anos de independência em 2025, exibe uma natureza hipnotizante. Desertos de várias matizes, parques nacionais com paisagens deslumbrantes e animais selvagens – alvos de safáris –, costa extensa cheia de vida marinha que emenda com dunas altas de areia finíssima, o país recebe um sol implacável de dia e é abençoado com um céu estrelado fantástico à noite. Prepare-se… O bruto território namíbio, lapidado pela simpática e diversa população, vai te conquistar!

Paleta de cores de região desértica do país
Paleta de cores de região desértica do país

Lar de povos autóctones, o território da Namíbia, situado no Sudoeste africano, foi descoberto durante a expansão ultramarina portuguesa do século 15. O navegador lusitano Diogo Cão marcou a terra com um padrão em 1486. Objetivo: pleitear o lugar à Coroa Portuguesa, o que jamais ocorreu. Séculos se passaram e outras nações dominaram total ou parcialmente o lugar – Reino Unido, Países Baixos, Alemanha e África do Sul.

A independência da Namíbia veio em 1990, depois de 70 anos de administração da África do Sul. Esse país atendeu a um pedido da Liga das Nações – a entidade pré-ONU. Motivo: envolvida na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha encerrou em 1915 o protetorado que mantinha sobre o território namíbio desde 1884.

Com a herança dos períodos germânico e sul-africano e trabalhando há 35 anos como nação independente na somatória de iniciativas governamentais, privadas e do terceiro setor, a Namíbia conquistou um lugar privilegiado no turismo de natureza e vida selvagem na África.

Entre outros fatores, o país é beneficiado pelas belíssimas geografia, fauna e flora e pelo alto nível dos serviços turísticos – como transporte, parques nacionais ou concessionados, guias de Turismo e meios de hospedagem. Tudo isso alinhado com um fator crucial também para os brasileiros: a segurança. Andar pela Namíbia é de uma tranquilidade tamanha.

O país tem 825 mil quilômetros quadrados de área – basicamente desértica ou semi-árida graças ao talvez mais baixo índice pluviométrico do mundo –, e uma população de cerca de 3 milhões de habitantes. Portanto, detém uma das menores densidades demográficas do planeta. Windhoek, a capital, é a cidade mais populosa: perto dos 450 mil habitantes.

A seguir, destaco lugares que merecem, sim, ser visitados pelos fãs da natureza. Por causa do forte calor e sol implacável, de dia, é imprescindível levar protetor solar, boné e óculos de sol e abusar da água. À noite, talvez uma jaqueta seja a melhor pedida.

Mão direita do guia do Rhino Tracking, Pelé, no formato do mapa da Namíbia
Mão direita do guia do Rhino Tracking, Pelé, no formato do mapa da Namíbia
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Christuskirche (Igreja de Cristo, em português), consagrada em 1910, é um templo luterano edificado em Windhoek, a capital namíbia fundada pelos alemães em 1890
Christuskirche (Igreja de Cristo, em português), consagrada em 1910, é um templo luterano edificado em Windhoek, a capital namíbia fundada pelos alemães em 1890
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1 Mão direita do guia do Rhino Tracking, Pelé, no formato do mapa da Namíbia 2 Christuskirche (Igreja de Cristo, em português), consagrada em 1910, é um templo luterano edificado em Windhoek, a capital namíbia fundada pelos alemães em 1890

PARQUE NACIONAL NAMIB-NAUKLUFT: CENÁRIOS E CORES EXUBERANTES

Placa em entroncamento rodoviário: clima semi-árido e desertos de várias matizes dominam a nação
Placa em entroncamento rodoviário: clima semi-árido e desertos de várias matizes dominam a nação
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Árvore com ninhos pendurados feitos por pássaros-tecelões
Árvore com ninhos pendurados feitos por pássaros-tecelões
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Flores em canteiro
Flores em canteiro
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1 Placa em entroncamento rodoviário: clima semi-árido e desertos de várias matizes dominam a nação 2 Árvore com ninhos pendurados feitos por pássaros-tecelões 3 Flores em canteiro

Com uma área de 49.768 quilômetros quadrados, maior que o Estado do Espírito Santo (46 mil km²), e fundado pelos alemães em 1907, o Parque Nacional Namib-Naukluft é uma atração fantástica.

O atrativo fica dentro do Deserto da Namíbia – que acompanha toda a costa do país e avança, ao Norte, em Angola, e, ao Sul, na África do Sul. Apontado como o mais antigo do mundo, foi formado entre 55 milhões e 80 milhões de anos atrás.

O parque assegura paisagens múltiplas, com lindas montanhas de pedra isoladas ou agrupadas, e com uma paleta de cores para deixar qualquer um encantado. Observei desde o cáqui, passando pelo ocre até o laranja-ferrugem. Tudo mais intenso ou não, de acordo com a intensidade da luz solar.

No Namib-Naukluft, caminhei numa área e observei outra, respectivamente, Sossusvlei e Deadvlei. Ambas, porém, parecem ter me transportado para uma Terra de milhares de anos atrás.

Lago seco com superfície de sal e argila, Sossusvlei é cercado de dunas altas, que fazem a alegria de muitos turistas com disposição de andar na areia. A maior recebe o nome de Big Daddy. Tem 325 metros de altura e é uma das maiores do país.

Quase todo “abraçado” pelas dunas de Sossusvlei, Deadvlei é uma paisagem totalmente diferente pela presença de dezenas de árvores mortas, de cor preta e fossilizadas.

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Deadvlei vem da junção de duas palavras de duas línguas diferentes, porém primas na família dos idiomas anglo-saxônicos: dead, do inglês morte, e vlei, do africâner pântano ou lago entre dunas; língua originária do neerlandês trazido pelos colonizadores dos Países Baixos no século 17 no que é hoje a África do Sul e, posteriormente, com seus descendentes, no território da atual Namíbia.

Inglês é a língua oficial da Namíbia desde a independência. Entretanto, o africâner é amplamente falado pela população, assim como idiomas autóctones.

Caminhei toda a área da Deadvlei sob um sol escaldante. Assim como acontece comigo quando olho as nuvens, aconteceu com as árvores mortas e retorcidas do lugar: batia os olhos e começava a “viajar”, vendo formas de animais e outras coisas.

Passear por Deadvlei fez-me recordar do artista plástico e ambientalista judeu-polonês naturalizado brasileiro, Frans Krajcberg (1921-2017). Motivo: é notória a similaridade dos troncos namíbios com as obras que ele produziu no Brasil, em seu ateliê em Nova Viçosa (BA), utilizando troncos de madeira oriundos de queimadas para denunciar e protestar contra os crimes ecológicos.

Ainda no Parque Nacional Namib-Naukluft, visitei um pequeno trecho do Cânion de Sesriem. Formado pelo efêmero rio Tsauchab, a falha tem cerca de um quilômetro de extensão. Em relação à profundidade, há trechos com até 30 metros.

Interessante a presença de lindas pedras pretas ou azuis, dependendo da luz do sol, incrustadas na rocha do lugar.

ALGAZARRA DOS ANIMAIS E O ENCONTRO DO DESERTO COM O MAR

Foca descansa em boia em Walvis Bay
Foca descansa em boia em Walvis Bay

Praticamente no meio da costa namíbia, Swakopmund, cidade fundada pelos colonizadores alemães em 1892, ainda guarda daquela época traços na arquitetura, nas placas de ruas e lojas e na gastronomia – com pratos germânicos fartos e saborosos como os servidos na Alemanha –, além de muitos falantes de alemão.

Swakopmund foi ponto de partida para um instigante roteiro. A jornada começou em Walvis Bay, distante 30 quilômetros ao Sul. É o nome do município e da baía natural, formada por uma península de areia. O local alberga um porto, que recebe navios de cruzeiros e de carga.

O abre-alas foi um passeio de catamarã nota dez. Durante algo como duas horas ou mais, a embarcação navegou pela baía de água tranquila, com milhares de águas-vivas rosas e roxas, e chegou próximo da península de areia. Uma bióloga descrevia em inglês o comportamento dos vários animais.

Observei pequenas baleias. Ao subirem à superfície para respirar, exibiam as caudas numa coreografia delicada. Por outro lado, só pode ser, pelo cheiro bastante forte, aproveitavam para liberar as flatulências.

Acostumados com os barcos e as pessoas, uma foca e dois pelicanos invadiram o catamarã. Pudera… Ganharam peixes da tripulação e, na mais ampla parceria ganha-ganha, deixaram ser modelos de vídeos e fotografias dos turistas. Tocar os animais é proibido.

Na península, a colônia de centenas de focas dominava a praia. Vi exemplares brigando, um provocando o outro, tirando uma soneca e brincando – inclusive dentro d´água, onde são super ágeis, ao contrário sobre a terra, bem desengonçadas.

O que me chamou a atenção foi o som das focas, aliás faziam uma verdadeira algazarra. Meus ouvidos reconheceram, por incrível que pareça, uma mistura do grasnar dos patos e do balido das cabras e dos carneiros.

Encontro do deserto e o mar, em Sandwich Harbour
Encontro do deserto e o mar, em Sandwich Harbour
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Bando de cormorões na península de areia, em Walvius Bay
Bando de cormorões na península de areia, em Walvius Bay
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Girafa em reserva: animal pode passar dos 500 quilos e atingir velocidade acima dos 50 km/h
Girafa em reserva: animal pode passar dos 500 quilos e atingir velocidade acima dos 50 km/h
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1 Encontro do deserto e o mar, em Sandwich Harbour 2 Bando de cormorões na península de areia, em Walvius Bay 3 Girafa em reserva: animal pode passar dos 500 quilos e atingir velocidade acima dos 50 km/h

O momento mais poético na península, no entanto, foi a fila dos cormorões para o começo da decolagem na praia. As aves, uma de cada vez ou duas ou três juntas, por instinto, abriam e batiam as asas em velocidade até deixarem a superfície da água e voar.

Depois do passeio de catamarã, em carros 4x4 com motoristas super profissionais, o tour passou pela Laguna dos Flamingos e pelas salinas. Na laguna, parte das elegantes aves tem a coloração rosada, porém não intensa; parte tem as penas brancas e pretas.

Nas salinas, o mineral produzido pela evaporação, em enormes tanques, é exportado. Deu para andar por cima do sal, ainda úmido, e ver bonitos cristais.

Quilômetros à frente, o motorista entra com o carro no Sandwich Harbour: área inóspita e protegida, que integra o Parque Nacional Namib-Naukluft.

A partir daí, o carro segue pela “estrada” que atravessa a areia do deserto e da praia. Depois, com a formação das dunas e sem GPS, Google Maps ou Waze, o experiente motorista iniciou um trajeto com aventura – sem radicalismos. 

Como ele sabe as manhas – e as manhãs – do caminho até o local da parada? Treino, intuição?

O motorista desligou o veículo no alto de uma duna de areias finíssimas. De lá foi possível ver um dos cartões-postais da Namíbia: o encontro do mar com o deserto. Cena da natureza mais pura e bruta possível. Formidável.

A VIDA NA FERRUGEM E A BELEZA DOS MICRO-ORGANISMOS

Pedras com líquens em trecho do Parque Nacional da Costa dos Esqueletos: beleza micro
Pedras com líquens em trecho do Parque Nacional da Costa dos Esqueletos: beleza micro

Ainda no litoral, o Skeleton Coast National Park (Parque Nacional da Costa dos Esqueletos) atrai pelos ossos e pelas sucatas.

O parque foi aberto em 1971, na época da administração sul-africana do futuro território da Namíbia. Possui uma área de 16.845 km², ou seja, equivalente a 11 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Na viagem, indo para o interior do país, o ônibus passou apenas por alguns poucos quilômetros dentro do Skeleton. Na entrada do mesmo vi ossos de baleia.

Mais à frente, observei um antigo navio encalhado próximo da praia. Parece estar lá há muitos anos, todo enferrujado. No entanto, o metal em decomposição exibe um novo nome e uma nova função: virou um criatório de dezenas, talvez centenas, de aves marinhas. A natureza é sábia.

A uma curta distância, cada vez mais longe do litoral, o ônibus parou novamente. Desta vez foi para observar micro-organismos, como líquens e fungos, que crescem na superfície de pedras e pedrinhas.

Olha a seriedade e o compromisso do parque: tamanho não é documento; mesmo pequeninos, a área onde se distribuem é delimitada e segue regras de manejo.

Peguei algumas pedrinhas nas mãos. De fato, as estruturas são belas e têm de várias cores.

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PARQUE NACIONAL ETOSHA E O CAMAROTE EXCLUSIVO

Turistas fotografam filhotes de leão, no Parque Nacional Etosha
Turistas fotografam filhotes de leão, no Parque Nacional Etosha

Um dos mais icônicos parques nacionais africanos e riquíssimo em fauna e flora, o Etosha é orgulho dos namíbios.

Fundado durante o Protetorado Alemão, em 1907, o Parque Nacional Etosha possui área de 22,9 mil km² – maior que o Estado de Sergipe, com 21,9 mil km². Tem mais de 800 espécies de plantas, 400 de aves, 90 de mamíferos, 70 de répteis, 20 de anfíbios e quantidade imensa de insetos.

Dentro desse território, há uma salina com superfície de cerca de 4,7 mil km² – equivalente a quase quatro vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

Tudo é superlativo no Etosha, inclusive no quesito observação a partir do excepcional safári que dá para fazer lá. Seja feito em carros ou ônibus – no meu caso –, basta ficar atento aos alertas do guia de turismo e, ao lembrar das aulas de biologia ou dos documentários na televisão, identificar por si mesmo os animais. A natureza garante.

Meu safári no Etosha levou uma manhã inteira. As estradas são de terra batida e a sinalização bem discreta.

Interessante ainda foi ver como a vegetação muda radicalmente. Passei por lugares extremamente verdes com arbustos e árvores e outros, com somente as gramíneas douradas dominando a vista até a linha do horizonte.

Zebra em área de savana, no Etosha: listras jamais são iguais e funcionam como RG
Zebra em área de savana, no Etosha: listras jamais são iguais e funcionam como RG
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Da família dos bovídeos, que inclui bois e antílopes, entre outros animais, o gnu-de-cauda-preta vive em média 20 anos e atinge até 250 quilos
Da família dos bovídeos, que inclui bois e antílopes, entre outros animais, o gnu-de-cauda-preta vive em média 20 anos e atinge até 250 quilos
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A elegante secretária: ave de rapina é predominantemente terrestre e ocorre em toda África
A elegante secretária: ave de rapina é predominantemente terrestre e ocorre em toda África
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1 Zebra em área de savana, no Etosha: listras jamais são iguais e funcionam como RG 2 Da família dos bovídeos, que inclui bois e antílopes, entre outros animais, o gnu-de-cauda-preta vive em média 20 anos e atinge até 250 quilos 3 A elegante secretária: ave de rapina é predominantemente terrestre e ocorre em toda África

Ao término da fantástica experiência, minha lista de bichos vistos incluiu uma família leonina (leão, leoa e quatro filhotes), zebras, gnus, avestruzes, mangustos, galinhas d´angola – com o pescoço de um intenso e belíssimo azul – um chacal, rinocerontes, girafas, facoceros e algumas espécies de antílopes.

Entre estes últimos, vi o elegante orix. Antílope de grande porte e cuja carne é apreciada na mesa namíbia, o animal parece usar dois pares de meias longas. A espécie está presente no brasão de armas da nação.

O antílope cabra-de-leque é figura fácil de se ver no Etosha e em praticamente qualquer outro parque nacional e nas reservas. Visto pela primeira vez, ok. Depois, de tanto ver o animal bastante apreciado pelos grandes felinos, virou “carne de vaca”.

E os elefantes? Sim, os vi também e de duas maneiras completamente distintas: uma, convencional, através da janela do ônibus; e outra, digamos, prazerosa.

O hotel Etosha King Nehale, que fica pertinho do Portão King Nehale Lya Mpingana, o mais novo aberto no parque (2020), mantém uma estrutura singular para observação de animais dentro do Parque Nacional Etosha. 

Distante uma hora da hospedagem, a edificação tem autorização governamental e é monitorada por câmeras de segurança.

Elefante-da-savana no Parque Nacional Etosha: espécie é considerada o maior e mais pesado animal terrestre; adulto, pesa entre seis e 12 toneladas
Elefante-da-savana no Parque Nacional Etosha: espécie é considerada o maior e mais pesado animal terrestre; adulto, pesa entre seis e 12 toneladas

A localização é estratégica: fica a 100 metros de distância, da borda mais próxima, de uma lagoa rasa onde várias espécies de bichos vêm beber água e se refrescar.

Sentado numa banqueta em frente ao balcão com janelões abertos desse verdadeiro camarote confortável, vi elefantes bebês e adultos, que têm 3 metros de altura e peso de 6 toneladas. Todos fizeram a coreografia com a tromba para beber e lançar água no dorso com o objetivo de amenizar o efeito do forte calor.

Entre uma sequência de fotos e outra, comi petiscos e bebi cerveja namíbia bem gelada.

Todos esses mimos, além de banheiros, só podem ser desfrutados exclusivamente por hóspedes do hotel Etosha King Nehale, membro da Gondwana Collection. O serviço é pago à parte. De fato, a experiência foi agradável.

O nome do referido portão e do hotel lembra um dos heróis nacionais do país: Nehale Lya Mpingana (1850-1908), rei do povo Ondonga e uma das lideranças da resistência contra a colonização alemã.

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MÍMICA NO CONTATO COM O POVO HIMBA

Habitações na aldeia do povo Himba
Habitações na aldeia do povo Himba

A visita a uma aldeia do povo Himba, cuja população de até 60 mil pessoas vive de forma semi-nômade entre o Norte da Namíbia e o Sul de Angola, foi uma intensa experiência antropológica e etnográfica. O acampamento dista pouco dos limites do Parque Nacional Etosha.

Os Himba são negros e bastante vaidosos, sobretudo as mulheres, e só falam o seu idioma. Elas fabricam e usam vários adereços, perfumes e outros produtos 100% naturais.

Estava num grupo atendido pela guia Melody, fluente no idioma Himba e inglês. Após sua sugestão, como pedindo ainda um tipo de autorização para conhecer a área deles, cumprimentei os dois chefes da aldeia, um mais velho e um mais novo. Ambos estavam cercados por crianças, todos sentados na sombra de uma árvore.

Após conhecer a aldeia, com ocas bem pequenas, Melody traduziu como as mulheres cuidam dos cabelos, fazem seus adereços e outras atividades do cotidiano.

A guia Melody e duas crianças Himba – uma garota, à esq., e um menino – durante visita na aldeia
A guia Melody e duas crianças Himba – uma garota, à esq., e um menino – durante visita na aldeia
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Mulheres Himba exibem seus tradicionais adereços e seu penteado
Mulheres Himba exibem seus tradicionais adereços e seu penteado
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Garoto Himba sorri: etnia vive entre Norte da Namíbia e Sul de Angola
Garoto Himba sorri: etnia vive entre Norte da Namíbia e Sul de Angola
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1 A guia Melody e duas crianças Himba – uma garota, à esq., e um menino – durante visita na aldeia 2 Mulheres Himba exibem seus tradicionais adereços e seu penteado 3 Garoto Himba sorri: etnia vive entre Norte da Namíbia e Sul de Angola

Na interação que tive com os locais, a mímica é a “língua-franca”. Quando fiquei entre duas adultas para sair na foto, um fato engraçado ocorreu.

Uma das moças, a mais velha, apontou com o dedo indicador para minha barriga e, na boca, exibiu um sorriso contido. Pelo gesto e pela expressão facial, entendi tudo: “Tá gordinho, hein? Precisa perder peso”. Ela estava com a razão.

A feira de artesanato marcou o fim da interação. A visita valeu demais e custou o equivalente a US$ 15.

Por tudo isso e muito mais, voltei fã da Namíbia.

Viagem a convite da Flot Viagens, voando South African Airways (SAA) com seguro de viagem GTA.

País recebe famtour da Flot

Grupo da Flot recebe luz do pôr do sol em duna da reserva do hotel The Desert Grace
Grupo da Flot recebe luz do pôr do sol em duna da reserva do hotel The Desert Grace
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Grupo da Flot posa em área instagramável do hotel The Desert Grace
Grupo da Flot posa em área instagramável do hotel The Desert Grace
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Grupo da Flot posa junto à placa indicando a passagem da linha imaginária, que também passa por São Paulo
Grupo da Flot posa junto à placa indicando a passagem da linha imaginária, que também passa por São Paulo
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1 Grupo da Flot recebe luz do pôr do sol em duna da reserva do hotel The Desert Grace 2 Grupo da Flot posa em área instagramável do hotel The Desert Grace 3 Grupo da Flot posa junto à placa indicando a passagem da linha imaginária, que também passa por São Paulo

A Namíbia, pela primeira vez, foi o destino de um famtour da Flot Viagens realizado entre 17 e 29 de novembro de 2025. A viagem contou com apoio da South African Airways (SAA) e GTA. Localmente a Gondwana, receptivo da operadora, apoiou com o transporte, os guias de turismo, passeios e hotéis.

Liderado pelo diretor da operadora, Eduardo Barbosa, o fam teve a participação de 11 agentes de viagens de quatro Estados – São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Confira: Luiz Augusto Zaroni, da Zaroni Turismo; Ézio A. de Souza Júnior, da Tastur; Fernando Araújo, da Destaque Tur; Joaquim de Carvalho, da Creta Turismo; Paola Karam, da Ask 1 Tur; Danielle Turchet, do Atelier de Roteiros; Andrea Nakada, da Andy Tour; Silvana Lima, da Green Planet; Ana Emília Meireles, da JC Travel; Gislaine da Costa, da Travel Time; e Carla Magalhães, da Outback Tur.

Após realizar uma dinâmica agenda por algumas regiões do país, que incluiu visitas a atrações em terra e no mar, safáris e site inspections, Barbosa entregou o Troféu Guru aos agentes – de especialistas no destino africano. (C.S.)

Gondwana Collection reúne excelentes hotéis e lodges

Piscina privativa de lodge, com vista para o deserto, no hotel The Desert Grace
Piscina privativa de lodge, com vista para o deserto, no hotel The Desert Grace
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Lodges geminados no hotel The Desert Grace
Lodges geminados no hotel The Desert Grace
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1 Piscina privativa de lodge, com vista para o deserto, no hotel The Desert Grace 2 Lodges geminados no hotel The Desert Grace

Grupo privado namíbio, a Gondwana Collection soma mais de 20 propriedades em todo o país.

Há hotéis, lodges e campings. Juntos, os meios de hospedagem oferecem 50 opções de acomodação – desde as mais luxuosas e exclusivas até opções rústicas.

O grupo do famtour da Flot hospedou-se em unidades da Gondwana Collection. A infraestrutura, o serviço, os apartamentos e a gastronomia, tanto nas unidades de cidade quanto de interior, foram excelentes. Cada um com uma “cara” e atmosfera únicas. (C.S.)

Carne de animais selvagens está na mesa

Prato de spatzle com molho de cogumelos e lombo de kudu, do Joe´s Beerhouse
Prato de spatzle com molho de cogumelos e lombo de kudu, do Joe´s Beerhouse
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Menu de carnes de animais selvagens, do Joe´s Beerhouse
Menu de carnes de animais selvagens, do Joe´s Beerhouse
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1 Prato de spatzle com molho de cogumelos e lombo de kudu, do Joe´s Beerhouse 2 Menu de carnes de animais selvagens, do Joe´s Beerhouse

Na culinária namíbia, relativamente apimentada, a carne de animais selvagens está presente.

É comum ver nos menus de restaurantes e hotéis pratos ou seções acompanhados da palavra game ou wild – ambas denotam que são espécies selvagens.

Carnes bovina, suína, ovina ou de frango, respectivamente, são grafadas em inglês – beef, pork, lamb e chicken.

As carnes de animais selvagens mais encontradas, inclusive nos mercados, vêm de antílopes como kudu, orix e cabra-de-leque.

O abate dessas e outras espécies, como a zebra, é rigorosamente regulamentado pelas autoridades governamentais. A procedência vem de fazendas ou áreas de conservação, jamais de parques nacionais. Portanto, a carne de caça consumida por habitantes e turistas é legal.

Provei um lombo do antílope kudu no Joe´s Beerhouse, na capital namíbia, Windhoek, logo na primeira noite. Como acompanhamentos vieram spätzle, massa de origem alemã, e molho de cogumelos.

A carne era vermelha de um tom escuro e bastante fibrosa. O sabor estava bom. Entretanto, meu sistema digestivo parece que não a aprovou. Constatei logo no dia seguinte.

Ainda que a reação do organismo ao consumir carnes de caça varia de pessoa para pessoa, recomendo, sim, provar um corte pelo menos uma vez. (C.S.)

Fazenda de crocodilos-do-nilo vale visita

Crocodilo-do-nilo toma banho de sol com corpo parcialmente submerso na lagoa
Crocodilo-do-nilo toma banho de sol com corpo parcialmente submerso na lagoa
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O guia August exibe filhote de crocodilo-do-nilo
O guia August exibe filhote de crocodilo-do-nilo
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Folha do cardápio da lanchonete da fazenda: itens com carne do réptil
Folha do cardápio da lanchonete da fazenda: itens com carne do réptil
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1 Crocodilo-do-nilo toma banho de sol com corpo parcialmente submerso na lagoa 2 O guia August exibe filhote de crocodilo-do-nilo 3 Folha do cardápio da lanchonete da fazenda: itens com carne do réptil

A Otjiwarongo Crocodile Farm, em Otjiwarongo, distante cerca de 250 quilômetros ao Norte da capital namíbia, Windhoek, é uma fazenda privada de crocodilos-do-nilo.

Desde 1985, quando foi fundada por alemães, a propriedade cria os ferozes répteis para vender a carne e o couro – matéria-prima que vira elegantes sapatos, cintos, bolsas e carteiras. O local é aberto à visitação, e o ingresso custa cerca de US$ 8.

Na visita, o excelente guia local, August, deu um show ao apresentar o crocodilo-do-nilo com números e informações comportamentais. O réptil pode alcançar até sete metros de comprimento e pesar até 1,2 tonelada.

Os pontos-altos da visitação foram ver o macho mais velho tomando sol, com parte do corpo imersa no lago, e segurar com o auxílio do guia, sem machucar, filhotes com as mãos. (C.S.)

Rhino Tracking é safári mezzo de carro e mezzo a pé

Primeiro rinoceronte-negro avistado
Primeiro rinoceronte-negro avistado
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Outro rinoceronte-negro
Outro rinoceronte-negro
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Os guias do Rhino Tracking, Pelé e Joel
Os guias do Rhino Tracking, Pelé e Joel
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1 Primeiro rinoceronte-negro avistado 2 Outro rinoceronte-negro 3 Os guias do Rhino Tracking, Pelé e Joel

Atividade desenvolvida pela Torra Conservancy, fundada em 1996, o Rhino Tracking é um safári feito de carro e a pé. O objetivo é observar os rinocerontes-negros, que estão na lista de animais em extinção.

Para um safári bem sucedido e, sobretudo seguro, segui as orientações de não usar perfume, desodorante e roupas nas cores amarelo e vermelho. Motivo: os animais podem atacar ou fugir.

O grupo do qual fazia parte avistou rinocerontes-negros em duas ocasiões: na primeira, com um e, na seguida, com dois. Os alertas partiram dos experientes guias da Torra – Pelé e Joel. Com o ok deles, as pessoas desciam do veículo e iniciavam uma curta caminhada.

Por uma questão de segurança, a observação ocorreu a pelo menos 200 metros dos animais. Pôde parecer longe, mas vi claramente os ferozes e pesados rinocerontes.

Os animais sabiam que estavam sendo observados e voltaram os olhares para os visitantes como quem diz: “Ver, pode e de longe. Depois, vaza!”
Gostei da experiência por estar no solo de uma reserva e, portanto, no mesmo nível dos animais – com segurança. (C.S.)

Publicada em 06/01/2026 18:26 - Atualizada em 07/01/2026 00:10
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Conteúdos por

Claudio Schapochnik

Colaboração para o Portal PANROTAS

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