“Quadrado Mágico” de Paraty: sociedade, luxo e economia local no modelo do Sandi Hotel
Modelo da rede conecta especialistas, experiências e luxo para movimentar a economia local
Quando Sandi Adamiu fala sobre os principais ativos do Sandi Hotel, não começa pelos casarões históricos, pela Villa Bom Jardim, pelas embarcações ou pela adega, começa pelas pessoas.
“Essas pessoas não são meus funcionários. São meus sócios”, afirma.
A frase resume o modelo que o empresário chama de Quadrado Mágico, um ecossistema de gastronomia, bem-estar, arte, cultura e experiências desenvolvido ao redor do hotel no Centro Histórico de Paraty.
A lógica é relativamente simples: identificar profissionais que dominam determinada atividade, mas ainda não possuem estrutura, capital, gestão ou localização para transformar seu trabalho em um negócio de maior escala. O Sandi oferece o imóvel, realiza investimentos, contribui com gestão financeira e administrativa e leva até eles seu fluxo de hóspedes. O operador participa como sócio, recebe pró-labore e também se beneficia dos resultados da empresa.
Eu procuro pessoas que sejam especialistas em seu core business. Dou estrutura, um imóvel bem localizado, gestão e clientes. Em troca, o cara acorda com sangue nos olhos porque está trabalhando no próprio negócio, além de ter seu sonho realizado"
explica Sandi
Origem e história
A origem do Quadrado Mágico pode ser contada por meio de um pequeno milagre. Em 1999, o italiano Roberto Belia, natural de Perugia, abriu uma gelateria na Praça da Matriz de Paraty. Chef de cozinha e mestre gelateiro, ele levava consigo um caderno conservado há cerca de 35 anos, com aproximadamente 300 receitas.
O ponto havia sido ocupado por uma agência bancária. Quando o banco deixou inesperadamente o imóvel, Roberto finalmente conseguiu instalar sua gelateria no endereço que desejava, em plena praça principal. Por isso, chamou o negócio de Miracolo, "milagre" em italiano.
Durante quase duas décadas, tomar um sorvete de Roberto na praça tornou-se parte da experiência de visitar Paraty. A casa construiu uma clientela fiel e transformou-se em uma referência afetiva da cidade. Em determinado momento, porém, o italiano fechou o negócio.
Foi então que Sandi Adamiu procurou Roberto. Em vez de comprar a marca, contratar suas receitas ou colocar outro profissional para reproduzir os gelatos, Sandi quis trazer de volta justamente a pessoa que havia criado tudo aquilo. Convenceu o italiano a reabrir a Miracolo, ofereceu um dos melhores espaços do conjunto de imóveis do Sandi Hotel e propôs uma sociedade meio a meio. Roberto voltaria para a operação não como funcionário ou fornecedor, mas como dono.
Em 2018, Roberto se associou a Sandi e a Sandra Foz, mãe do empresário. A Miracolo foi instalada em um dos salões do casarão do hotel, passou por uma modernização completa e ganhou dois acessos: um voltado para as ruas do Centro Histórico e outro ligado à recepção, reservado aos hóspedes.
A parceria preservou o caráter artesanal da marca. Roberto continuou criando os sabores e produzindo os gelatos, e foi esse acordo que ajudou Sandi a enxergar um modelo que depois seria replicado a outros negócios. O retorno de Roberto não apenas recuperou uma marca querida de Paraty — deu início a uma nova fase de expansão.
Em 2025, 25 anos depois da criação da primeira casa, Roberto e Sandi inauguraram uma unidade da Miracolo no coração dos Jardins, em São Paulo, na Alameda Lorena. A flagship recebeu investimento de R$ 4 milhões e foi concebida por Sandi como uma "embaixada de Paraty", reunindo gelato, arte e sabores com ingredientes associados à Mata Atlântica, além de uma linha de sorbets e produtos com selo kosher para a comunidade judaica da qual sua família faz parte.
A unidade paulistana manteve Roberto como protagonista. Aos 68 anos na inauguração, ele acompanhava pessoalmente as máquinas, conversava com os clientes e se dividia entre São Paulo e Paraty.
Do restaurante ao receptivo
No restaurante principal, Sandi encontrou um Chef chamado Bernado Arthuzo interessado em trabalhar com PANCs — plantas alimentícias não convencionais —, ingredientes locais e uma proposta de horta e jardim comestível.
Em vez de entregar apenas uma cozinha, perguntou ao profissional quais equipamentos seriam necessários para realizar o projeto que imaginava e assim se fez a cozinha mais moderna de Paraty com forno espanhol Josper considerado o melhor do mundo e toda aberta para o público.
Assim surgiu o Pupu’s, restaurante de inspiração farm to table, conectado à produção e aos ingredientes da região, aliás muitos dos ingredientes são plantados lá.
O Fugu, outro restaurante, adotou outra proposta. Com apenas 12 lugares e uma cozinha japonesa baseada no pescado do dia, a operação nasceu da parceria com Eduardo Diniz um sushiman de Paraty que ja comandou mais de 40 unidadas em Sao Paulo e filho de peixeiro.
“O peixe chega para o pai, que limpa e leva para o filho. Não tem salmão. É o peixe que chegou naquele dia”, explica Sandi.
O ecossistema também inclui bar, spa, gelateria, galeria de arte, experiências de cerâmica e a Néctar, empresa de turismo receptivo que personaliza barcos, trilhas, cachoeiras, passeios de jipe e outras atividades para os hóspedes.
Um hotel que também atende a cidade
As operações não são exclusivas aos hóspedes. As experiências também recebem visitantes hospedados em outros estabelecimentos ou que simplesmente passam pelo Centro Histórico, fazendo com que o hotel funcione como uma pequena central de experiências em Paraty.
A galeria, com curadoria de Juliana Fuego, comercializa obras de mais de 30 artistas locais que também participam da decoração do hotel. O empreendimento apoia ainda iniciativas como a Orquestra Sinfônica de Paraty, com 60 jovens músicos, o Projeto Paraty Tênis, com 75 crianças e jovens, a Casa da Cultura e a revitalização da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, localizada ao lado do hotel.
Para Sandi, essas iniciativas não devem aparecer como elementos periféricos do negócio.
"Não é colocar um selo de ESG. É fazer com que o hóspede interaja com o território e que o Turismo ajude a movimentar a cidade. Conseguimos alcançar um sistema de economia circular de verdade", afirma.
Vale lembrar que Paraty e Ilha Grande foram inscritas em 2019 na lista do Patrimônio Mundial da Unesco como sítio misto, reconhecido simultaneamente por sua biodiversidade e cultura local viva.
A evolução do produto
O modelo de negócios acompanhou uma transformação física do empreendimento. Segundo Sandi, a antiga “pousada pitoresca” foi reposicionada como um hotel boutique internacional com ações de ESG.
O hotel recebeu duas piscinas aquecidas, spa com mais de 30 tratamentos, eco-sauna, academia equipada 100% pela Technogym, programa de bem-estar com kefir, kombucha e bebidas funcionais, além de uma adega com mais de cem rótulos.
A adega inclui vinhos de produtores passando pelos o lendarios Domaine de la Romanée-Conti, Petrus e Château Margaux, ate vinho locais da regiao de cunha como 1300 estate curiosidade que Cunha foi a primeira cidade do Brasil a produzir e as pessoas buscam cada vez mais produtos regionais. de acordo com Sandi, e também pode ser utilizada para degustações, jantares privativos e pequenos encontros corporativos.
O reposicionamento também chegou à Villa Bom Jardim e ao Loft Bom Jardim, comercializados como residências privativas de superluxo. Que foram usadas como refúgio pessoal da Família por mais de 50 anos…
A Villa Bom Jardim opera com tarifas informadas por Sandi entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por noite, dependendo do período e da composição do grupo. O loft varia entre R$ 10 mil e R$ 14 mil. Valores devem ser apresentados como referências da data da entrevista, e não como tarifário permanente. As Villas podem ser alugadas juntas ou como produtos separados.
Do canal direto ao trade
O movimento atual do Sandi Hotel é comercial. A associação histórica com a Paris Filmes e a divulgação nos cinemas ajudaram o empreendimento a construir uma presença direta incomum: segundo Sandi, aproximadamente 60% dos hóspedes ainda chegam pelo canal próprio.
Em vez de buscar mais venda direta, como ocorre com boa parte da hotelaria, o empresário quer ampliar sua aproximação com agências, operadoras e consultores especializados em viagens de luxo. "Durante muito tempo, nós não atendemos o trade como deveríamos. Agora estou pronto para trilhar esse caminho: quero trazer o trade para mais perto", afirma.
O empreendimento já trabalha com empresas e consultores especializados, mas pretende estruturar melhor o atendimento, o conteúdo, o relacionamento e a distribuição. Para o agente de viagens, Sandi acredita que a combinação entre hotel, vilas privativas e receptivo oferece maior capacidade de personalização.
Um hóspede pode ficar no Centro Histórico e acessar restaurantes, bar, arte e experiências a pé. Outro pode reservar integralmente uma vila acessível por barco, com equipe própria, e utilizar o hotel como extensão de sua programação. "São produtos separados, mas conectados. Somos um hotel que também oferece vilas privativas de luxo", resume.
Se tiver interesse em falar com o Sandi Hotel e Villas, entre em contato com eles:
Central de Reservas:
Telefone e WhatsApp: 11 2503 0195
E-mail: reservas@sandihotel.com.br