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CRUZEIROS
AMAWATERWAYS

Quais os diferenciais de um cruzeiro fluvial da AmaWaterways, parte do grupo LVMH?

Artur Luiz Andrade

Empresa passa por uma grande transformação para sair na frente e se conectar com o novo viajante

AMAMAGNA – Os cruzeiros fluviais são uma das apostas de especialistas em Viagens e Turismo entre os segmentos que mais vão crescer e atrair os novos viajantes, ávidos por viagens de imersão, slow travel, gastronomia, bem-estar e conexões verdadeiras.

Na contramão dos meganavios de cruzeiros marítimos, onde o meio de transporte é o destino em si, os navios fluviais oferecem a possibilidade de o cruzeirista desacelerar e se conectar – com pessoas, com si mesmo e principalmente com a cultura, costumes e a população dos destinos visitados.

A AmaWaterways, companhia de cruzeiros fluviais com 23 anos de operações e com uma oferta de 29 navios navegando por 11 rios da Europa, América do Sul e Ásia, passa, desde 2024, por uma grande transformação para sair na frente e se conectar com esse novo viajante, mas também com a evolução do apaixonado por cruzeiros em geral

Pioneira e inovadora – foi a AmaWaterways que iniciou os tours de bicicleta como opção de excursões e uma das primeiras a levar o bem-estar a bordo para além dos spas – a empresa deve chegar a 40 navios até 2030 e já implementou diversos upgrades em seus navios, já como reflexo da aquisição, em março de 2024, pela L Catterton. 

O fundo de investimento é controlado por nada menos que o grupo LVMH, maior de luxo do mundo, dono de marcas como Belmond e Cheval Blanc, no Turismo, Moet et Chandon, Veuve Clicquot, Louis Vuitton, Chistian Dior, Fendi, Rimowa, Fenty Beauty by Rihanna, Guerlain, Bvlgari, Tiffany & Co, Tag Hauer, Samaritaine, Sephora, entre tantas outras.

AmaWaterways, do grupo LVMH
AmaWaterways, do grupo LVMH

Os diretores da empresa asseguram que o DNA dos fundadores Rudi Schreiner, Kristin Karst e Jimmy Murphy continua sendo o guia da companhia, mas agora com um grupo sólido financeiro e de luxo por trás. E uma nova CEO, Catherine Powell. Rudi e Kristin continuam no board e como acionistas da companhia e presentes no dia a dia, o que trouxe inspiração, credibilidade e a confiança de tantos colaboradores e parceiros à marca AmaWaterways. 

A empresa familiar ganhou um parceiro forte globalmente, para crescer mantendo o foco no serviço, na personalização e no atendimento aos clientes. Esse é o luxo que a AmaWaterways quer vender, aliado à imersão na cultura de destinos onde os grandes navios sequer chegam perto. Os navios dos cruzeiros fluviais param em capitais europeias e em cidades com culturas ricas e preservadas, ao longo de rios famosos como o Danúbio, o Reno ou o Nilo. E além de passarem o dia todo nos destinos, com as excursões diferenciadas incluas, passam agora a ter pernoites em diversos deles, no programa City Escapes.

A América Latina é o quarto mercado para a AmaWaterways e ganhou uma estrutura maior e dedicada, com João Miranda, diretor regional, Jeniffer Roshetski, gerente comercial Latam, e Marcia Galvão, gerente de Vendas Brasil.

Esta semana, os três lideram o primeiro Summit Latam da AmaWaterways, com a presença dos maiores vendedores na América Latina, incluindo três empresas do Brasil: Kangaroo, R11 Travel e Velle Representações.

Marcia Galvão, gerente de Vendas Brasil, e João Miranda, diretor regional da AmaWaterways

Marcia Galvão, gerente de Vendas Brasil, e João Miranda, diretor regional da AmaWaterways

Perfil do cliente

O viajante AmaWaterways tem entre 65 e 70 anos, mas os da América Latina derrubam essa média para 55 anos. Nas saídas AmaBrasil, exclusivas para o mercado brasileiro, esse número deve cair ainda mais.

Segundo João Miranda as três principais personas desse cruzeirista AmaWaterways são:

  • Os exploradores (que querem a imersão nas culturas locais dos destinos visitados)
  • Os criadores de memórias (e as viagens em família são excelente para isso)
  • Os viajantes reflexivos – ou que se importam (desde seu próprio bem-estar até o impacto causado nas comunidades).
João Miranda explica o perfil do cliente em apresentação a bordo da embarcação
João Miranda explica o perfil do cliente em apresentação a bordo da embarcação
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João Miranda, diretor da AmaWaterways para América Latina
João Miranda, diretor da AmaWaterways para América Latina
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1 João Miranda explica o perfil do cliente em apresentação a bordo da embarcação 2 João Miranda, diretor da AmaWaterways para América Latina

Ainda segundo ele, em sua apresentação no Summit Latam, os segmentos de viajantes que mais estão liderando os negócios na AmaWaterways são:

  • Os casais
  • Os viajantes solo (e os cruzeiros fluviais, mais intimistas, são excelentes para se conhecerem novas pessoas – de todo o mundo)
  • Grupos
  • As viagens multi-generacionais
  • E os viajantes que gostam de aventura e ecoturismo

São cruzeiristas que estão em busca de enriquecimento cultural, imersões locais, culinária e vinho, artes e música, vida saudável e bem-estar. E os cruzeiros fluviais, não é de hoje, investem e oferecem esses atributos para que os viajantes somem ao propósito de suas viagens.

PANROTAS ENTREVISTA JOÃO MIRANDA E MÁRCIA GALVÃO

Confira a seguir um resumo de nosso bate-papo com João Miranda e Márcia Galvão e descubra alguns insights sobre como vender mais e melhor um cruzeiro fluvial da AmaWaterways e o que diferencia uma viagem pelos rios de um cruzeiro marítimo.

PANROTAS – A AmaWaterways está passando por uma grande transformação – dos acionistas à marca, agora mais sofisticada e que não remete imediatamente a uma viagem sobre a água – e  ao mesmo tempo, a empresa decide apostar no mercado latino-americano com esse evento e já tendo trazido mais de 200 agentes de viagens a bordo. Fala um pouco desse novo momento pra gente.

JOÃO MIRANDA – Vamos começar falando do Summit Latam. A criação do Summit veio desse desejo profundo que nós da AmaWaterways temos de apreciação pelo nosso trade.  Porque é esse trade, os agentes de viagens, o ponto principal da AmaWaterways. A gente não vende para passageiros diretos, a gente não tem esse canal.  Na realidade, nosso e-commerce é bem tímido. 

Estou na Ama há cerca de um ano e a gente nunca havia realizado um summit,  uma reunião de agentes de viagens ou de representantes. Queria reunir todos eles, e muitos estão com a gente há mais de 20 anos, em um só lugar, nesse navio que é o mais especial da Ama, para realmente demonstrar nossa apreciação por eles, por todo o trabalho feito durante todos esses anos.

Durante a viagem, além de conversar bastante com a gente, eles vão comprovar e saber sobre nossos investimentos, que não estão apenas nos navios (novos ou em reforma), mas também na nossa marca, no treinamento da tripulação e dos agentes de viagens, e também no marketing na América Latina. Vamos ter uma pessoa de marketing para a região, já contratamos uma assessoria de imprensa no Brasil, estamos mais presentes do trade nesse momento tão emblemático de transformação e evolução da companhia.

Os anfitriões João Miranda, Jennifer Roshetski e Marcia Galvão
Os anfitriões João Miranda, Jennifer Roshetski e Marcia Galvão

PANROTAS – No Brasil, vocês passaram a trabalhar com seis operadores, na contramão do que estão fazendo pela América Latina, com GSAs exclusivos. Esse é o modelo?

MIRANDA – Queremos GSAs que trabalhem apenas com a nossa marca, e estamos já com cinco países nesse modelo, como México, Chile, Equador e Panampa. No Brasil, demos condições para seis operadoras (Kangaroo, Primetour, R11 Travel, Teresa Perez, TTW e Velle) e hoje as agências podem comprar de qualquer uma delas e contar com nosso suporte, com nosso apoio nas estratégias e parcerias, nos treinamentos. Mas o business model da América Latina é termos um GSA exclusivo. Pois somos uma equipe pequena e queremos dar atenção especial a todos.

PANROTAS – Você falou que a região cresceu 33% no ano passado. Quais foram os mercados que mais se destacaram?

MIRANDA – Principalmente México e Brasil, sendo que o mercado brasileiro cresceu 47%, acima da média da região. E o México 23%.

PANROTAS – Esses grandes vendedores que estão com a AmaWaterways há anos disseram no Summit que esperam que o DNA de empresa familiar e com alto padrão de serviço não desapareça agora que a companhia faz parte de um grande grupo de luxo, o LVMH. Eles podem esperar isso?

MIRANDA – Havia muitas perguntas no começo, porque foi uma compra pouco divulgada, em alarde. Porém um passo muito importante. Ainda mais porque agora estamos associados a um grupo com marcas tão poderosas globalmente. Então a nossa mensagem é que a Ama deixa de ser uma empresa apenas familiar para ser uma empresa mais corporativa, com mais estrutura e com poder financeiro incrível.  A gente vai de 29 para 40 navios em quatro anos. Isso não existe na indústria de cruzeiros.

A mensagem então é a chegada dessa estrutura financeira muito forte, que traz uma credibilidade maior ainda para o agente de viagens confiar no produto que só está melhorando cada dia mais.  Isso sem perder o DNA dos co-fundadores da marca, Rudi e Kristin. Elesvenderam o lado financeiro técnico, mas a presença deles continua em tudo.  

PANROTAS – Por outro lado, a LVMH deve mexer um pouco (ou muito) com o padrão dos navios e do serviço? Há novidades nesse sentido?

MIRANDA – Sim, sem dúvidas. Porém, o luxo, na visão da AmaWaterways, é diferente do luxo existente no mercado. Não estamos focados na estética ou no lado físico do navio. Essa não é a prioridade no momento. A prioridade é continuar treinando o tripulante para que seja excepcional no atendimento. Que esse serviço seja espetacular do começo ao fim. Logo, uma mudança que já começou é nos touch points com os hóspedes. 

Entre as novidades que os hóspedes frequentes já estão percebendo é a máquina de Nespresso em todas as cabines, não importando a categoria. Também incluímos no almoço um restaurante italiano, oferecendo mais uma opção (no AmaMagna são 4 restaurantes, além de opções de comidas mais leves em outros lugares).

Aqui no lounge a gente tem um menu novo durante todo o dia de sopas, pasta... Outra novidade, já que o espaço não funcionava para refeições. Também trocamos todas as roupas de cama de todos os navios. Além dos roupões, pantufas, amenidades de banho Marie-Stella-Maris, de Amsterdã... Ou seja, veio um upgrade com o rebranding que fizemos da marca e que casam perfeitamente com o novo momento da empresa e dos viajantes.

A AmaWaterways sempre foi muito inovadora, como ao fazer os tours de bike como opção de excursão, ou instalar academias nos navios fluviais, então estamos sempre de olho no que o viajante quer. Agora, com as aulas de ioga, ou com os pernoites em destinos, com a gastronomia sempre muito bem cuidada, com alimentos frescos, farm to table. Nossos fundadores fazem questão de saber de onde estão vindo os produtos que consumimos e de priorizar os produtores locais, por onde passamos.

A tendência é só melhorar. Então essa é a primeira mudança significativa em detalhes de luxo que a gente vê dentro do navio. O próximo passo é a construção de novos navios e gradualmente a remodelação dos navios mais antigos.

Cabine do AmaWaterways
Cabine do AmaWaterways
QUAIS OS PRÓXIMOS NAVIOS?

MIRANDA – Acabamos de inaugurar o AmaSofia, e vêm aí o AmaRudi, gêmeo do AmaMagna, o AmaMaya, no Vietnã, e uma grande novidade é o AmaNubia, que lançaremos no Egito, em setembro, com capacidade para 78 hóspedes.

AmaNubia
AmaNubia

PANROTAS – Como um cruzeiro fluvial se compara ao marítimo?

MIRANDA – A principal diferença é no design do navio. O marítimo está desenhado para sobreestimular o passageiro. As cabines estão cada vez menores, para que o passageiro vá explorar as áreas de revenue dos navios. É muita coisa, muita informação. O que não é errado, mas é outro conceito, outro estilo.

Já no navio do fluvial, é totalmente o contrário,  as cabines são gigantescas, porque não tem essa sobrevalorização do revenue. Temos um gift shop lá embaixo que não tem nem atendente, o passageiro vai pegar o que precisa e pagar na recepção. Refeições, bebidas durante as mesmas, excursões, eventos especiais no navio ou fora dele... Tudo está incluso. E mesmo as bebidas que são pagas à parte, nos momentos fora das refeições, têm preços muito baixos. Há concorrentes nossos que inflam o preço dos cruzeiros porque são all inclusive. Temos a opção de all inclusive de bebidas por US$ 229 por pessoa, mas com o Aperol a 6 euros e o uísque a 5 euros, você precisa beber muito mesmo para compensar. Não inflamos os preços para pagar a bebida de quem não toma.

PANROTAS – Ainda comparando com os cruzeiros marítimos, e tanto você quanto a Marcia vieram dessa indústria, com relação aos destinos visitados, qual a maior diferença?

MIRANDA – Essa é segunda parte mais importante da diferença entre cruzeiros fluviais e marítimos.  O aspecto cultural de um cruzeiro fluvial é imensamente incomparável com um cruzeiro marítimo. Nenhum cruzeiro marítimo, nem de luxo, se compara à imersão em um destino visitado em um cruzeiro fluvial. A gente navega dentro do rio, com percursos curtos e não longas navegações, dentro dos países, em cidades que não estão no radar de qualquer turista.

MARCIA GALVÃO – E agora com as saídas CityEscapes, vamos ficar ainda mais tempo em alguns destinos. Já no AmaBrasil de 2027 teremos a oportunidade de experimentar um CityEscape na França. São dois dias completos e uma noite nesses destinos especiais. Inclusive com jantares fora do navio. Vai ser muito legal.

PANROTAS – Para quem é o cruzeiro fluvial? Iniciantes ou mais experientes?

MIRANDA – Para todos, para ambos. O iniciante que está acostumado a fazer circuitos na Europa, visitando 10, 15 cidades de ônibus, terá no cruzeiro fluvial um custo-benefício muito melhor, e uma experiência incrível, única. O viajante experiente, que já quer algo mais imersivo, em um ritmo menos frenético, fugindo do overtourism, também tem no fluvial um produto excepcional. Em um cruzeiro marítimo, às vezes nem se sai do navio. 

No cruzeiro fluvial, esse viajante experiente ou o iniciante vão ter imersões em destinos que nunca imaginavam visitar. E ele pode escolher o seu ritmo. Se vai em todas as excursões, fazer um cruzeiro bem cheio de atividades. Ou se vai selecionar mais e desacelerar. Então você pode desenhar literalmente a tua experiência. 

GALVÃO – E o que a gente tem estatística comprova que quem experimenta o fluvial tem grande chance de retornar. O percentual é bem grande.

PANROTAS – Tem muito trabalho para apresentar o fluvial ao trade e aos viajantes e também diversificar destinos, hoje concentrados na Europa.

GALVÃO – Sim. No Egito, por exemplo, onde temos um navio e vamos ter o segundo em setembro, muitos brasileiros optam por visitar o país por terra, pegar avião. Ainda conhecem pouco o cruzeiro, as opções pré e pós que oferecemos, com hospedagem no Ritz-Carlton e no Four Seasons... É um trabalho dia a dia para mostrar novos destinos, novas formas de viajar.

PANROTAS – Que recado vocês querem mandar ao trade sobre esse novo momento da AmaWaterways?

MIRANDA – Nos utilizem mais. É mostrar a disponibilidade minha e da Marcia, sendo brasileiros e estando na AmaWaterways no Brasil. Nossa disponibilidade para treinar, capacitar cada vez mais. Utilizem a AmaAcademy (em 5 dias, o agente de viagens consegue fazer o curso completo – que tem partes bem difíceis para desafiar o conhecimento de todos), utilizem as tarifas agente, os famtours... Nós estamos no mercado brasileiro para apoiar vocês, não importa onde vocês emitam.

Grupo do Summit Latam 2026
Grupo do Summit Latam 2026

A PANROTAS viaja a convite da AmaWaterways, com proteção GTA

Foto de Artur Luiz Andrade

Conteúdos por

Artur Luiz Andrade

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.

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