Solar Porto de Galinhas: como um hotel alavancou o Turismo de todo um destino
Hotel pioneiro transformou Porto de Galinhas em um dos principais destinos turísticos do Brasil
PORTO DE GALINHAS (PE) - O ano era 1986. Artur Maroja e Beth Dias tiveram uma ideia ousada: abrir um hotel em uma vila de pescadores, no município de Ipojuca (PE). Muito precário, o destino não era asfaltado, não contava com nenhum empreendimento hoteleiro e era apenas uma praia visitada por recifenses, em passeios de um dia.
Mesmo assim, o casal acreditou no potencial e abriu as portas do Solar Porto de Galinhas, que neste ano completa 40 anos. Referência no destino, a história do hotel é intrínseca ao Turismo de Porto de Galinhas: A abertura do Solar foi peça-chave para estimular o comércio local, atrair novos investimentos e impulsionar a cadeia produtiva do Turismo, em um momento em que Porto de Galinhas ainda não figurava no mapa dos destinos nacionais.
Solar viu o desenvolvimento da rede hoteleira, sempre apostando na parceria para que o destino crescesse. Os outros hotéis também se uniram, passando juntos por conquistas e desafios e despontando Porto de Galinhas entre os destinos mais procurados no Brasil.
Hoje, a antes vila de pescadores recebe mais de um milhão de visitantes ao ano, conta com uma infraestrutura turística completa, com hotéis, pousadas, grandes receptivos e o apoio do trade de Turismo no Brasil e no exterior.
Um hotel solar
Com 32 apartamentos, o hotel foi chamando a atenção de quem chegava no destino. A princípio, tinha como cliente principal o turista que vinha de Recife e região e ia a Porto de Galinhas só para passar o final de semana.
Foi então que, seguindo os passos do pai, Otaviano Maroja entrou no negócio. Começou a trabalhar no Solar Porto de Galinhas em 1989 e lá fazia um pouco de tudo, mas foi a área comercial que fez seus olhos brilharem.
Começou a falar com agentes de viagens, fazer reservas e sair para vender, além de receber o agente para mostrar como era o hotel, o que fazer no destino e quantos dias ficar por lá.
A partir dos anos 1990, o hotel começou a receber clientes de outros Estados, como Minas Gerais e São Paulo, além de alguns hóspedes estrangeiros, como argentinos e portugueses. Com o passar dos anos, o Solar Porto de Galinhas foi ampliado e em 2007 já tinha 140 quartos.
A aposta no B2B
Em 1994, o País, principalmente o Norte e Nordeste, passou pela epidemia da cólera. Porto de Galinhas, que começava a despontar para o Turismo, teve, na ocasião, suas praias fechadas e a hotelaria, que na época ainda se apoiava em finais de semana para veraneio, viu seus apartamentos completamente vazios por meses.
Na crise, a estratégia de se aproximar do B2B veio da Empetur, o órgão de promoção de Pernambuco. Os hotéis se uniram, criaram a Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG) e, junto a companhias aéreas e operadoras, começaram uma forte promoção, da hotelaria da região e do destino como um todo, junto ao trade brasileiro. Roadshows, famtours e um trabalho porta a porta nas operadoras e agências deram o pontapé inicial do foco no B2B.
A gente descobriu que quem convence o cliente a vir para Porto de Galinhas é o agente de viagens. Desde aquela época, temos um trabalho forte na capacitação para vender o destino, porque quando começamos ninguém nos conhecia. Era sentar com o agente de viagens e abrir o mapa. O resultado é que, hoje, o B2B é o principal canal de vendas do Solar e Vivá"
destacou Otaviano Maroja, diretor comercial do Solar e Vivá Porto de Galinhas
Do turista de Recife ao turista internacional
A promoção de Porto de Galinhas já vem sendo internacional há bons anos. Atualmente, o turista estrangeiro representa de 10% a 15% do número de visitantes. No Solar e Vivá, essa fatia chega a cerca de 30% de estrangeiros, com grande destaque para argentinos.
Já entre turistas europeus, Otaviano destaca uma queda desde meados de 2010, perdendo espaço para o Caribe. "Essa região tem muitos voos focados no lazer. A briga pela Europa é difícil por preço: uma passagem de lá para o Nordeste é mais cara que um pacote completo para o Caribe".
Otaviano aponta, com isso, que sua concorrência é internacional. "Eu brigo com Maragogi pelo emissor paulista, mas quando o assunto é turista internacional, o argentino e o português, a briga é com Cancún e Punta Cana", disse o diretor.
A mobilidade e o número de voos são fatores importantes. "O governo tem brigado por mais voos, mas voos que tragam turistas de mercados como Assunção, Montevidéu, Santiago, Córdoba", explica.
Neste sentido, Porto de Galinhas tem se beneficiado da movimentação no Aeroporto Internacional do Recife. Apenas em janeiro deste ano, foi o terminal mais movimentado do Nordeste, com 995,3 mil passageiros, equivalente a 22,66% de toda a movimentação aérea regional.
Os 40 anos de Solar Porto de Galinhas
No final de março, o Hotel Solar Porto de Galinhas reuniu parceiros do trade turísticos para celebrar seus 40 anos de história. Operadoras, agências de viagens, hoteleiros da região, autoridades da prefeitura e do Estado estiveram presentes na comemoração, que contou com diversas confraternizações e uma festa especial no dia 25.
Como a cadeia de Turismo cresceu junto
Das ruas de terra a uma estrada asfaltada. De um hotel para 20, além de pousadas e outros empreendimentos menores. Receptivos, restaurantes, lojas, um centro completo. Porto de Galinhas cresceu com o Turismo.
Porto de Galinhas é um case de sucesso no Turismo pela união dos players. Independente se vai a um hotel ou uma pousada, aqui eles entendem que o importante é receber o turista”
destaca Juliana Luck, diretora de Operações da Luck Receptivo
Guilherme Luck, diretor de Projetos e Inovação da empresa, completa: “É um destino com uma disputa sadia entre os hotéis. Quando um chega com uma novidade, os outros correm para melhorar também. O destino ganha muito com isso”.
A Luck Receptivo viu de perto o crescimento de Porto de Galinhas. A empresa, fundada 20 anos antes do Solar, em Recife, hoje tem o destino como um dos principais em seu portfólio, que além de operar Pernambuco está presente em Alagoas, Sergipe, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Segundo a Luck, entre 65% e 70% dos passageiros que chegam a Recife ficam em Porto de Galinhas. “Esse é o nosso principal destino em Pernambuco, com produtos que se inovam o tempo todo, com muitas novidades”, explica Guilherme Luck.
Jangadas, praias, piscinas naturais e manguezais
A embarcação mais famosa de Porto de Galinhas, que antes era usada apenas para pesca, hoje transporta milhares de turistas para visitar os manguezais e as piscinas naturais da região.
Em Maracaípe, praia também em Ipojuca, os manguezais abrigam diversas espécies de caranguejos, peixes e outros animais, mas o grande destaque é o Hippocampus reidi, o cavalo-marinho-de-focinho-longo.
No centro de Porto de Galinhas, as jangadas fazem fila para levar os turistas até as piscinas naturais, onde vivem os peixes Sargentinhos e outras espécies. Mas é importante ficar de olho na tábua de maré: quanto mais baixa, mais nítida ficam as piscinas.
Outro passeio característico do destino é a Praia de Carneiros, que fica em outro município, Tamandaré (PE), e é famoso por abrigar a Capela de São Benedito, datada do século XVIII, na areia da praia. O local também conta com um banco de areia no meio do mar e banho de argila, passeios feitos com catamarã ou lancha.
A PANROTAS viajou a convite do Hotel Solar Porto de Galinhas
