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Toronto: como melhor aproveitar a maior cidade do Canadá durante o inverno

Carla Lencastre, especial para a PANROTAS

Mesmo sob neve, Toronto oferece atrações, gastronomia e o PATH para explorar durante o inverno

TORONTO - Com temperaturas negativas na rotina, a paisagem e o ritmo de Toronto são outros durante o inverno. A maior cidade canadense, com mais de seis milhões de habitantes da região metropolitana, é totalmente preparada para continuar funcionando sob frio rigoroso. Para o visitante, isso significa diversão garantida mesmo debaixo de neve

A estação mais gelada do ano é a ideal para explorar o PATH, cidade subterrânea para pedestres que liga diversos pontos do Centro, repleta de lojas, restaurantes e serviços em geral, como estações de metrô. São cerca de 30 quilômetros de túneis para se abrigar do frio.

Toronto, Canadá

Toronto, Canadá

Para os fãs de hóquei no gelo, o esporte nacional do país, o PATH está conectado a duas importantes atrações: o Hockey Hall of Fame e a Scotiabank Arena, casa do Maple Leafs. E, também, do Toronto Raptors, que fez história ao ganhar a NBA em 2019. Foi a primeira vez (e até agora única) que um time canadense conquistou o campeonato de basquete.

O PATH pode ser destino, principalmente nos dias mais frios, além de caminho. Mas vale a pena sair de dentro da terra para explorar as outras atrações de uma cidade multicultural. Roupas térmicas e botas impermeáveis são fundamentais para caminhar pelas ruas e apreciar, também, a beleza silenciosa do inverno, com parques cobertos de branco e árvores sem folhas.

A CN Tower e o Ripley’s Aquarium of Canada em um dia ensolarado de inverno
A CN Tower e o Ripley’s Aquarium of Canada em um dia ensolarado de inverno
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Toronto e o Lago Ontário vistos do observatório da CN Tower
Toronto e o Lago Ontário vistos do observatório da CN Tower
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Estádio BMO Field, onde serão realizados seis jogos da Copa do Mundo da Fifa
Estádio BMO Field, onde serão realizados seis jogos da Copa do Mundo da Fifa
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1 A CN Tower e o Ripley’s Aquarium of Canada em um dia ensolarado de inverno 2 Toronto e o Lago Ontário vistos do observatório da CN Tower 3 Estádio BMO Field, onde serão realizados seis jogos da Copa do Mundo da Fifa

A CN Tower e o Ripley’s Aquarium of Canada formam uma dobradinha clássica de Toronto, e muito eficiente no inverno, já que ficam lado a lado. O único cuidado é escolher um dia ensolarado para fazer o programa duplo. O aquário pode ser visitado com qualquer tempo, mas a vista a partir da torre perde muito quando o céu está nublado, inclusive no verão.

Além de ser um observatório com panoramas da cidade e do Lago Ontário, a CN Tower tem um concorrido chão de vidro, a 342 metros do solo. Para os mais ousados, mesmo no inverno é possível caminhar do lado de fora do mirante, a 356 metros de altura, preso por um cabo e com as mãos livres. 

É a EdgeWalk. No caso, é preciso reservar com alguns dias de antecedência e contar com a previsão do tempo (e um pouco de sorte) para que as condições climáticas permitam a aventura ao ar livre. A torre tem ainda um restaurante giratório, o 360, e uma grande loja de suvenires com lembranças menos usuais. No aquário, a maior atração é um túnel subaquático, com tubarões e arraias nadando sobre as cabeças dos visitantes.

Um dos pátios na área histórica do Distillery District
Um dos pátios na área histórica do Distillery District
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Lojas e restaurantes ocupam armazéns do início do século XIX
Lojas e restaurantes ocupam armazéns do início do século XIX
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Ativação da série “Stranger things” (Netflix) no Distillery District
Ativação da série “Stranger things” (Netflix) no Distillery District
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1 Um dos pátios na área histórica do Distillery District 2 Lojas e restaurantes ocupam armazéns do início do século XIX 3 Ativação da série “Stranger things” (Netflix) no Distillery District

O Distillery District e o St Lawrence Marketa menos de dez minutos de Uber um do outro, formam outra boa dupla. Com mais de 200 anos, o mercado coberto é repleto de produtos gastronômicos canadenses, como pães, queijos, embutidos, mostardas. É também o endereço para comer o tradicional peameal bacon sandwich. Dois endereços disputam a fama de fazer o melhor sanduíche de fatias de lombo canadense. Ambos testados e aprovados.

Balcão da Carousel Bakery, no St Lawrence Market
Balcão da Carousel Bakery, no St Lawrence Market
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O restaurante Paddington’s Pump, também no mercado
O restaurante Paddington’s Pump, também no mercado
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O sanduíche de peameal bacon no Paddington’s, com vinho tinto de Niágara
O sanduíche de peameal bacon no Paddington’s, com vinho tinto de Niágara
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1 Balcão da Carousel Bakery, no St Lawrence Market 2 O restaurante Paddington’s Pump, também no mercado 3 O sanduíche de peameal bacon no Paddington’s, com vinho tinto de Niágara

O sanduíche pode ser pedido no balcão da Carousel Bakery ou no pequeno salão do restaurante Paddington’s Pump, onde é servido com queijo, mostarda e batatas, e pode ser acompanhado de cerveja local ou vinho da Península de Niágara.

Escultura em metal com o símbolo da paz do Distillery District
Escultura em metal com o símbolo da paz do Distillery District
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Barril decorado com desenhos de folhas de bordo, símbolo do Canadá
Barril decorado com desenhos de folhas de bordo, símbolo do Canadá
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“IT”, aranha de um olho só de Michael Christian
“IT”, aranha de um olho só de Michael Christian
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1 Escultura em metal com o símbolo da paz do Distillery District 2 Barril decorado com desenhos de folhas de bordo, símbolo do Canadá 3 “IT”, aranha de um olho só de Michael Christian

No Distillery District, em uma área somente para pedestres, armazéns em estilo vitoriano industrial, da primeira metade do século XIX, abrigam lojas, galerias de arte, cafés, bares e restaurantes. Duas dicas testadas em diferentes viagens desta repórter e sempre aprovadas: a fábrica de chocolates Soma, considerada a melhor da cidade, e a loja de dermocosméticos Deciem The Abnormal Beauty Company, com os produtos da marca queridinha The Ordinary.

Ruas calçadas em paralelepípedos pelo Distillery District
Ruas calçadas em paralelepípedos pelo Distillery District
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Chocolates e outras doçuras na Soma Chocolate Maker
Chocolates e outras doçuras na Soma Chocolate Maker
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O interior da loja da Deciem The Abnormal Beauty Company
O interior da loja da Deciem The Abnormal Beauty Company
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1 Ruas calçadas em paralelepípedos pelo Distillery District 2 Chocolates e outras doçuras na Soma Chocolate Maker 3 O interior da loja da Deciem The Abnormal Beauty Company

O inverno convida a explorar com calma museus e galerias de arte de Toronto. Um dos destaques é a Art Gallery of Ontario, uma das maiores da América do Norte, com pinturas, esculturas e instalações. Há arte europeia eobras canadenses, inclusive dos povos originários. As diferentes salas são conectadas por uma galeria anexa ao prédio principal, projetada por Frank Gehry, arquiteto-celebridade que nasceu em Toronto e morreu em dezembro de 2025.

Casas em estilo vitoriano abrigam lojas de luxo em Yorkville
Casas em estilo vitoriano abrigam lojas de luxo em Yorkville
O bairro tem boutiques de grife e bons restaurantes
O bairro tem boutiques de grife e bons restaurantes
ROYAL ONTARIO MUSEUM

Outra importante atração cultural de Toronto é o Royal Ontario Museum (ROM), em Yorkville, charmoso bairro com lojas de grifes, esculturas ao ar livre e bons restaurantes. A entrada principal do ROM é pelo Crystal. O anexo multifacetado, assinado por Daniel Libeskind (do One World Trade Center, em Nova York), se projeta sobre a calçada a partir do prédio centenário. Há outra entrada lateral. Dá para passar uma hora ou um dia no museu, dependendo do interesse em história natural e em arqueologia de diferentes culturas.

Crystal, onde fica a entrada principal do Royal Ontario Museum, o maior de Toronto. O anexo foi projetado por Daniel Libeskind, o mesmo do One World Trade Center
Crystal, onde fica a entrada principal do Royal Ontario Museum, o maior de Toronto. O anexo foi projetado por Daniel Libeskind, o mesmo do One World Trade Center

Ao lado, fica uma pequena joia de Toronto: o Gardiner Museum. Suas dimensões contrastam com a grandiosidade do ROM e oferecem um momento de tranquilidade em meio a delicadas peças em cerâmica e porcelanas através dos séculos, de objetos históricos a obras de arte contemporâneas. Uma das seções é dedicada aos povos originários canadenses. No último andar, o elegante restaurante Clay fica lotado na hora do almoço. Vale reservar.

“Cracked wheat” (2018), da canadense Shary Boyle, na entrada do Gardiner
“Cracked wheat” (2018), da canadense Shary Boyle, na entrada do Gardiner
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Mesa de sobremesa com porcelana europeia do século XVIII
Mesa de sobremesa com porcelana europeia do século XVIII
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Cabeça (2002) do nipo-americano Jun Kaneko
Cabeça (2002) do nipo-americano Jun Kaneko
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1 “Cracked wheat” (2018), da canadense Shary Boyle, na entrada do Gardiner 2 Mesa de sobremesa com porcelana europeia do século XVIII 3 Cabeça (2002) do nipo-americano Jun Kaneko

A menos de dez minutos de caminhada do ROM e do Gardiner, encontra-se outro curioso museu de Toronto. Comemorando 30 anos, o Bata Shoe Museum é dedicado aos calçados e bem mais divertido do que pode parecer a descrição. No subsolo, fica a exposição permanente All about Shoes, com a história dos calçados através dos séculos, do Egito Antigo a Manolo Blahnik, passando pelos astronautas. O segundo e o terceiro andar abrigam mostras temporárias. Atualmente em cartaz, Art Wear (até 6 de abril) mostra a relação entre tênis (o calçado) e arte, e Rough & Ready (até setembro) conta a história da bota de caubói.

“All about shoes”: botas de dança de 1950 da Diablada, no carnaval de Oruro, na Bolívia
“All about shoes”: botas de dança de 1950 da Diablada, no carnaval de Oruro, na Bolívia
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Murakami em “Art wear”: Vans (2015, à esquerda), Blackpink (banda de K-Pop, 2023) e RTFKT (marca da Nike, 2024)
Murakami em “Art wear”: Vans (2015, à esquerda), Blackpink (banda de K-Pop, 2023) e RTFKT (marca da Nike, 2024)
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“Cowboy boot”: bota de miçangas da década de 1880 do povo indígena Lakhóta
“Cowboy boot”: bota de miçangas da década de 1880 do povo indígena Lakhóta
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1 “All about shoes”: botas de dança de 1950 da Diablada, no carnaval de Oruro, na Bolívia 2 Murakami em “Art wear”: Vans (2015, à esquerda), Blackpink (banda de K-Pop, 2023) e RTFKT (marca da Nike, 2024) 3 “Cowboy boot”: bota de miçangas da década de 1880 do povo indígena Lakhóta

Uma das boas surpresas gastronômicas da viagem a Toronto foi conhecer o Prime Seafood Palace, que tem como um dos sócios o chef e ator Matty Matheson. Para quem acompanha The Bear (Disney+), ele interpreta o adorável e sem-noção Neil Fak, amigo de infância do chef Carmy (Jeremy Allen White). É, também, consultor gastronômico da série. Em dezembro de 2025, o sócio de Matheson, Coulson Armstrong, ganhou o Top Chef Canada.

O Prime Seafood Palace é um restaurante de carnes e frutos do mar grelhados. Fica em um ambiente tranquilo e elegante de inspiração escandinava, onde predominam tons neutros e madeira, no animado bairro de West Queen West.

A hospedagem da PANROTAS em Toronto foi no Kimpton Saint George, na Bloor Street, em frente ao Bata Shoe Museum e a dez minutos de caminhada do Royal Ontario Museum e de Yorkville. Com 188 quartos, o hotel é, também, o endereço do bom gastropub The Fortunate Fox, que fica aberto direto, de manhã cedo até tarde da noite.

  • Bolo de chocolate e torta de limão para sobremesa
  • Entradas: crudo com atum bluefin e salmão do Pacífico Norte, e tartare de atum
  • A fachada do hotel na Bloor St, pertinho do bairro de Yorkville
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  • Livro de receitas do chef e ator Matty Matheson, de “The Bear”
  • Um dos ambientes do gastropub The Fortunate Fox
  • O lobby do Kimpton Saint George

A PANROTAS viajou a convite da Air Canada com seguro Intermac.

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Conteúdos por

Carla Lencastre

Colaboração para o Portal PANROTAS

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