Trade em movimento: profissionais de Turismo que correm, pedalam e lutam... e viajam
Profissionais do setor revelam como esporte, disciplina e superação transformaram suas trajetórias
A roupa de treino costuma entrar na mala antes do material da reunião. Em viagens a trabalho, é preciso encontrar uma brecha no começo da manhã, pesquisar um parque próximo ao hotel ou aceitar que o longão do sábado será feito na esteira. Para alguns, o calendário de férias começa pela data de uma maratona. Para outros, o destino surge por causa de uma trilha, uma competição de jiu-jítsu, uma expedição off-road ou uma rota de bicicleta.
Profissionais de Turismo estão suando a camiseta e ostentando medalhas que, muito mais do que objetos, são histórias, memórias, a materialização de dedicação, sacrifício, aprendizado, aceitação. Inclui despertar na madrugada, negociar com lesões, cuidar da alimentação, renunciar a alguns prazeres que depois nem serão mais tão prazerosos ao ver que naturalmente estão abandonando hábitos antigos para focar no que realmente passou a importar.
Corredores, ciclistas, triatletas, lutadora e voluntários do Turismo conversaram com a Revista PANROTAS e seus relatos têm vários pontos em comum. Quase todos falam de disciplina, saúde mental, resiliência e clareza para tomar decisões. Também repetem um hábito: adaptar a estratégia de treino para viagens corporativas e as férias para se dedicarem ao que mais amam. Essas semelhanças dizem muito sobre o esporte, mas não resumem as histórias.
Há quem tenha começado por causa de um exame médico, quem tenha transformado uma lesão grave em combustível para voltar a competir e quem tenha descoberto que correr pode deixar de ser uma busca individual para se tornar um trabalho voluntário. Há famílias inteiras que passaram a viajar para provas. Outros aprenderam na lama, na montanha ou no tatame a confiar em pessoas que acabaram de conhecer. Todos encontram soluções para a vida e a carreira enquanto estão na função atleta.
A corrida aparece com mais frequência porque vive uma expansão difícil de ignorar. Em 2025, foram contabilizadas 5.241 provas oficiais no Brasil, ante 2.827 no ano anterior, crescimento de 85%. São Paulo liderou o levantamento, com 1.311 eventos. Tanto que todos os nossos corredores, com seus olhares especializados em Turismo, mencionaram que o mercado de viagens para praticar o esporte está bem longe de perder o seu pace.
Maratonas concorridas têm sorteios, índices classificatórios e cotas comercializadas por operadoras oficiais. Atletas viajam acompanhados, antecipam a chegada para se adaptar ao destino, prolongam a estada depois da prova e buscam hospedagem que facilite o deslocamento até a largada. A Rent A Tour, uma das agências mais mencionadas pelos personagens desta reportagem, nasceu em 1990 e hoje opera exclusivamente com corridas. Em 2019, levou 550 brasileiros à Maratona da Disney, tornando-se a maior operadora mundial do evento naquele ano. “O corredor precisa de detalhes que mudam tudo: a localização do hotel em relação à largada, o horário do café da manhã, o fechamento de ruas. Nossa equipe é formada por corredores e isso ajuda nessas decisões”, explica Daniel Carvalho, sócio da Rent a Tour.
Os personagens das próximas páginas, além de craques no Turismo, são os passageiros que acordam às 5h, carregam equipamentos, procuram inscrições disputadas e escolhem o próximo destino com os olhos no calendário esportivo.
Inspire-se com as histórias dos atletas do nosso Turismo.
Pequeno guia das corridas
Maratona: Prova de corrida de 42,195 quilômetros. Exige preparação de meses e é considerada o teste máximo de resistência.
Meia-maratona: Prova de corrida de 21,0975 quilômetros, exatamente metade da maratona. Menos exigente, mas ainda desafiadora.
Mandala: Conjunto das seis maratonas mais tradicionais do mundo (Boston, Nova York, Berlim, Chicago, Londres e Tóquio). Completar as seis é considerado um grande feito entre corredores.
Major: Torneio ou evento de grande porte e prestígio em um esporte. No tênis, são os Grand Slams. Na corrida, referem-se às maratonas de maior tradição.
Longão: Treino de corrida de longa distância, realizado uma vez por semana, geralmente aos sábados. Prepara o atleta para maratonas.
Marcador de ritmo (ou pacer): Corredor experiente que corre na frente do grupo mantendo um ritmo constante. Ajuda outros corredores a manter a velocidade planejada.
Six Star: Alcunha para quem completa as seis maratonas da mandala.
Fita de chegada: Linha final da prova. Cruzar a fita significa terminar a corrida.
“A corrida une minha família”
Reifer Souza Junior transformou o cuidado com a saúde em um hábito compartilhado com a mulher e suas duas filhas. Aos 61 anos, está muito próximo da mandala, mas nada se compara com a conquista de ter inspirado quem mais ama.
Reifer Souza Junior tinha 40 anos quando um check-up apontou que seu colesterol estava no limite. Decidiu, então, que era hora de cuidar melhor da saúde. No Clube Esperia, onde já frequentava outras atividades, observava as pessoas correndo na pista de 400 metros e achava difícil imaginar que um dia faria o mesmo. Começou acompanhado por um personal e avançou aos poucos: primeiro uma volta completa, depois cinco quilômetros, dez quilômetros, a meia maratona e, por fim, sua primeira maratona.
Com o tempo, a corrida deixou de ser apenas uma forma de cuidar da saúde. Reifer descobriu que poderia combiná-la com outra paixão, as viagens. “Meus amigos de fora do Turismo perguntam se gosto mais de correr ou de viajar. O que eu gosto mesmo é de viajar para correr”, diz o executivo da Copastur.
Vieram as maratonas de Paris, Berlim e Chicago, esta última disputada duas vezes. A data da prova norte-americana ainda permitia uma combinação improvável com a agenda profissional. Reifer corria no domingo e embarcava na manhã seguinte a Las Vegas, onde participava da Imex America.
Uma equipe dentro de casa
Nenhum resultado, porém, tem o mesmo peso da participação da família. A mulher, Monica, e as filhas, Carolina e Isabella, passaram a correr por influência dele. Em março de 2025, Reifer fez a Meia Maratona de Nova York com Carolina. Um ano depois, voltou para disputar a prova com Isabella no dia do aniversário dela. A viagem foi o presente pedido pela própria filha. Quanta satisfação para aquele pai-atleta.
Viajar com a família para correr é a melhor coisa do mundo. A possibilidade de correr lado a lado com minhas filhas no Exterior é um luxo raro. Depois das provas, com a sensação de dever cumprido, saímos todos para curtir juntos alguns dos melhores destinos do mundo e celebrar.”
No início de 2025, ele encarou o Desafio do Dunga, durante o fim de semana de maratona da Disney, em Orlando. O programa reúne provas de cinco e dez quilômetros, meia maratona e maratona em quatro dias consecutivos. Reifer resolveu entrar no desafio para acompanhar sua filha até a Flórida. Carolina planejava correr sua primeira meia, mas uma lesão impediu a filha de participar. Apesar da chateação, ela ficou na torcida pelo pai e nada mau viajar para Orlando também, principalmente porque no ano seguinte ela voltaria e concluiria o percurso que havia ficado pendente, dessa vez acompanhada pela mãe.
Em fevereiro de 2027, o plano é reunir novamente os quatro integrantes da família em uma prova da Disney. As filhas correrão a meia maratona e Reifer treina para acompanhá-las.
Por saúde, por prazer, pela família
Reifer tem seis maratonas no currículo e ainda gostaria de chegar a Boston, a mais cobiçada do mundo, e quer conquistar a vaga pelo índice de tempo. Não pretende comprar um pacote apenas para completar a tradicional mandala das grandes maratonas.
“Para falar a verdade, não sonho com a mandala. Já sou realizado em ter minha família correndo comigo. A mandala será consequência.”
A preparação inclui quatro treinos de corrida e duas sessões de musculação por semana. Não gosta de academia, mas ter que ir sem gostar mesmo, e para tanto contratou um personal, o que transformou a atividade em compromisso. O despertador toca às 5h15. Em ciclos de maratona, os treinos longos passam de 30 quilômetros.
A corrida também criou novos ciclos no Turismo. Reifer diz que o esporte virou assunto de conversa no café e ponto de aproximação com profissionais de diferentes empresas. Nas feiras, se diverte com as histórias de outros corredores do trade. Nas viagens, tênis e shorts estão sempre na bagagem. Ao chegar ao hotel, pergunta ao concierge onde os locais correm.
Ele gosta de conhecer cidades assim. Já encontrou, sem planejar, lugares que dificilmente visitaria de carro ou em um roteiro convencional. Nas grandes maratonas, dispensa música para ouvir o público. A atmosfera formada em uma maratona é algo indescritível e interessa mais ouvir desconhecidos vibrando por você nas ruas.
“O aspecto da corrida uniu muito a minha família. Sempre tivemos harmonia em casa, mas, quando todos começaram a praticar, ficou tudo diferente. Treinamos e viajamos todos com o mesmo propósito. Tem dia em que estamos os quatro na academia. Isso é espetacular.”
“Depois dos primeiros 42 quilômetros, nada mais te abala”
Hugo Franco, da Air Canada, encontrou a corrida durante as viagens de trabalho pelo Interior de São Paulo. Hoje soma dez maratonas presenciais, cinco estrelas da mandala e uma rotina que combina treinos longos, musculação e alimentação vegana.
A corrida entrou na vida de Hugo Franco em 2013, por causa do trabalho. Executivo de Contas para o interior de São Paulo, ele percorria o Estado para visitar agências de viagens e sentia falta de uma atividade que pudesse praticar fora de casa.
Fez exames, começou a correr e logo se encantou pela facilidade de praticar algo que não dependesse de academia ou equipamentos. Encantou-se também com a disposição extra com a qual passou a chegar às agências, com a possibilidade de conhecer aquelas cidades paulistas que antes só via pela janela do hotel e do carro. O tênis nunca mais saiu da mala e as ruas passaram a ser o objetivo de Hugo para onde quer que ele fosse.
A primeira maratona foi Chicago. O executivo da Air Canada completou os 42 quilômetros em 3 horas e 54 minutos. Mais tarde, baixou sua melhor marca para 3 horas e 27 minutos. Faz questão, no entanto, de separar desempenho de valor pessoal. “Corrida de rua não pode ser reduzida à competição. Estamos falando de saúde e bem-estar. O ritmo não importa, o que vale é se desafiar.”
Cinco estrelas e uma ausência
Hugo correu dez maratonas. Completou Chicago, Nova York, Berlim, Tóquio e Londres, cinco das seis provas da tradicional mandala Six Star. Falta Boston.
Nova York quase ficou fora da lista. Uma semana antes de uma viagem para disputar a prova, ele sofreu uma lesão e precisou desistir. Em Tóquio, chegou com sinusite e cogitou não largar. Estava do outro lado do mundo, diante de um objetivo planejado por meses, e decidiu tentar. Completou!
O preparo físico é essencial, mas em uma maratona o equilíbrio mental tem papel decisivo. Sem fortalecimento mental, você não conclui 42 quilômetros.”
Há 13 anos, as férias de Hugo passaram a ser escolhidas de acordo com as provas. Buenos Aires, Mendoza, Filadélfia, Ottawa e Toronto, além dos cinco majors e tantas provas pelo Brasil, já foram palco de medalhas para ele. Em Nova York, gosta especialmente do contato com os cinco distritos atravessados pelo percurso e da reação de desconhecidos nas ruas.
Vegano correndo mundo afora
Hugo foi vegetariano por muitos anos e tornou-se vegano durante sua trajetória como maratonista. Corre com alimentação vegana há cerca de sete anos, acompanhado por cuidados nutricionais.
Em um ciclo de maratona, treina corrida quatro vezes por semana e faz musculação de duas a três vezes. Os longões ocupam o sábado. Algumas sessões duram três horas e começam às 5h da madrugada. Focado, o executivo também já fez treinos de 25 e 28 quilômetros em esteira porque estava viajando, chovia, e não poderia simplesmente abandonar a preparação.
A vida social também mudou. As saídas de sexta-feira praticamente desapareceram e o álcool foi retirado da rotina. Hugo não trata isso como sacrifício. Para ele, quando o objetivo se torna realmente importante, as outras escolhas perdem espaço naturalmente.
O esporte ainda aproximou colegas do trade. Hugo incentivou João Paulo Catanoce, da Air Canada, e levou a irmã para correr em Ottawa. Na empresa, participou de ações que uniram companhia aérea, assessoria esportiva, marca de material esportivo e agências de viagens.
“Tenho menos medo do novo e mais resiliência para tomar decisões. O esporte me ajuda a pensar nas possibilidades, sem ficar limitado. Depois que você corre 42 quilômetros, pensa que nada mais vai abalar.”
Uma mãe superatleta do Turismo
Helen Assis, executiva de Contas no setor de aviação, treina duas vezes por dia, corre maratonas, disputa triatlos e organiza a agenda em ciclos que quase não admitem folga.
Helen Assis começou a correr depois de enfrentar um problema na coluna. Durante um bom período no pilates, prometeu a si mesma que retomaria a atividade assim que as dores passassem. Entre caminhadas e pequenos trotes, conseguiu correr 600 metros. Sabia que poderia mais, mas talvez não tenha imaginado que seria tanto...
Aos poucos, avançou para 1,2 quilômetro e decidiu estabelecer uma meta concreta: completar a prova de cinco quilômetros paralela à meia-maratona de São Bernardo do Campo, cidade onde mora. Terminou o percurso três minutos antes do tempo que havia planejado e saiu dali entusiasmada.
A evolução continuou. Helen passou a disputar provas de dez, 15 e 18 quilômetros, até chegar à meia maratona e se interessar pelas distâncias de endurance. O plano de correr sua primeira maratona precisou ser adiado quando descobriu que estava grávida. A filha nasceu em 2014 e, 40 dias depois do parto, Helen retomou os treinos. Cerca de um ano mais tarde, viajou com a criança para Amsterdã, onde completou sua primeira maratona.
Hoje, a executiva da aviação internacional soma nove maratonas e três estrelas da série de grandes provas. Correndo em Buenos Aires, em 2019, Helen conseguiu índice para Boston e correu a major norte-americana em 2022. No ano seguinte, fez em Berlim sua melhor marca pessoal.
Em 2024, foi sorteada para participar da maratona aberta a atletas amadores durante os Jogos Olímpicos. Viajou a Paris e realizou o percurso, o mesmo que a elite do esporte correu. Naquele mesmo ano, ela também correu Nova York e registrou o quarto melhor tempo entre as brasileiras participantes.
Sem dia livre
“Em 2018, Helen ganhou uma bicicleta do marido. Foi o primeiro passo para que a corredora também se tornasse triatleta. Começou a desenvolver ciclismo e natação em águas abertas. Passou pelas distâncias sprint e olímpica até chegar ao chamado “meio Ironman”, sua favorita.
Em uma prova 70.3 em São Paulo, terminou em quarto lugar na categoria e conquistou uma vaga para o campeonato mundial de Nice. Você pode estar se perguntando o que é 70.3: trata-se de uma competição de triatlo de meia distância que soma 113 quilômetros, divididos em 1,9 quilômetro de natação, 90 quilômetros de ciclismo e 21,1 quilômetros de corrida.
Não participou do mundial na França porque o período coincidiu com a preparação para a Maratona de Chicago e ela busca conquistar a famosa mandala de majors.
Sem dias livres de treino, Helen divide seu ano em dois blocos. Um semestre pode ser dedicado ao triatlo e outro à maratona. Os programas de treinamento são diferentes e não podem ser misturados sem critério. Já garantiu também inscrição para seu primeiro Ironman completo, em Florianópolis, em 2027.
A rotina tem dois treinos por dia. Quando viaja a trabalho, conversa com a treinadora para adaptar o plano ao destino, mas não abandona a atividade. Musculação e corrida são as alternativas mais práticas.
“Se eu precisar dormir fora, a primeira coisa que entra na mala é roupa de treino. Isso é inegociável.”
O volume chama a atenção de colegas, que perguntam de onde vem o tempo. Helen responde que não há sobra. Há escolha, planejamento e ajuste. A rotina inclui trabalho, maternidade, casa e treinos.
O sono virou uma preocupação maior. Ela deixou de usar o celular depois das 21h e procura proteger as noites, embora admita que, em períodos apertados, é justamente a qualidade do descanso que acaba sacrificada.
Na alimentação, prefere comida convencional a uma rotina pesada de suplementação. Admite, rindo, que um pote de whey previsto para durar 28 dias levou nove meses para acabar. Gosta especialmente dos períodos de maior consumo de carboidratos antes das provas.
Helen encontra na corrida um espaço para pensar em negociações e problemas profissionais. Diz que as estratégias aparecem com mais clareza durante o exercício. A natação e o ciclismo têm efeitos diferentes, pois exigem atenção técnica e ao ambiente.
Todo mundo consegue fazer alguma coisa. Não precisa praticar tudo o que eu faço. Um pouco já faz uma diferença enorme. O importante é não pular etapas e fazer o básico bem feito.”
Entre motorhomes e montanhas
Eduardo Genekian saiu de uma prova de 5 quilômetros da PANROTAS para percorrer 100 quilômetros nos Andes. Na montanha, encontrou uma forma de viajar, organizar a mente e preservar histórias familiares.
A primeira competição de Eduardo Genekian foi uma corrida de cinco quilômetros promovida pela PANROTAS. Ele não sabia se conseguiria terminar. Hoje, sua maior distância é 20 vezes maior, e nem sempre em terreno plano.
Edu começou a correr em 2014, quando fazia parte da Alagev. Uma parceria da associação oferecia desconto em uma assessoria esportiva, e a convivência com o grupo ajudou a transformar a atividade em rotina.
Em 2016, o diretor da empresa de representação CWW estabeleceu uma meta para dali a dois anos: completar 100 quilômetros na Cruce de los Andes, prova disputada entre Argentina e Chile. Mais do que correr, a experiência envolvia dormir em geleira, tomar banho em água de degelo e atravessar dias de esforço em ambiente de montanha.
Nas provas de montanha, uma pessoa acaba engajando a outra. Quando você assume um desafio, muda a rotina, passa a cuidar melhor da alimentação e do sono e começa a enxergar seus objetivos de outra forma. O esporte ensina que resultado exige planejamento, constância e compromisso e é impossível não levar isso para a profissão”
Trail Running
Edu correu maratonas no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Chicago e Berlim, mas hoje prefere as montanhas. Participou de provas em Pedra do Baú, Bombinhas, Campos do Jordão e Ilhabela, entre outros destinos. Faz parte de uma assessoria especializada em trail running e viaja uma ou duas vezes por mês para treinar em áreas próximas à Grande São Paulo.
Nas viagens profissionais, existe uma regra: o primeiro city tour é feito correndo. A CWW representa a Cruise America no Brasil e, nos famtours de motorhome, quando os colegas acordam para o café da manhã, ele já foi e voltou do treino. Quando se hospeda em hotéis, prioriza aqueles perto de parques ou com academias bem equipadas.
Brinca que deve ser um dos maiores visitantes das Smart Fits pelo Brasil. O hábito, porém, não é apenas uma forma de manter a planilha de treinos. É que correr é sua maneira preferida de conhecer um destino.
Berlim, outra vez
A Maratona de Chicago trouxe uma lembrança difícil. Para acompanhar um marcador de ritmo, Edu completou a primeira metade da prova mais rápido do que deveria. Teve câimbras, passou frio e foi atendido com hipotermia ao final.
Berlim carrega um significado diferente. Edu perdeu seu irmão no fim de 2022, durante uma viagem para um evento em Belo Horizonte. Com família descendente de alemães, a conexão dele e de seu irmão sempre teve algo de especial no país, e poder prestar uma homenagem ao seu grande amigo nas ruas da capital foi emocionante.
Genekian relaciona a corrida ao controle da ansiedade e à capacidade de organizar problemas. Insights e tomadas de decisão relacionadas ao trabalho aparecem durante os treinos. “É difícil explicar o que acontece nesses momentos. Parece coisa de guru, mas, enquanto você corre, as coisas vêm à cabeça.”
A preferência pelas montanhas não eliminou o gosto pelas provas urbanas. Edu apenas encontrou um equilíbrio em que consegue continuar treinando sem sacrificar a convivência familiar.
“A corrida é o esporte individual mais coletivo que existe. Você está fazendo seu esforço, mas existe uma comunidade inteira ajudando, puxando e compartilhando o caminho.”
“Abandonei hábitos que jamais imaginaria”
Alexandre Camargo começou a correr depois de se sentir cansado em uma curta caminhada no Rio de Janeiro. Três anos depois, viagens e apresentações profissionais passaram a caber dentro da planilha de treinos.
Alexandre Camargo praticou futebol durante a juventude e chegou a ser atleta federado até os 18 anos. Como consequência da priorização à carreira profissional, se viu sedentário como nunca em sua vida.
A mudança veio durante uma caminhada com os pais, ambos perto dos 80 anos. e eles seguiam tranquilamente enquanto o filho se sentia cansado. Era domingo de manhã no Rio de Janeiro e Alexandre decidiu que, dali a um ano, correria a São Silvestre.
Começou sozinho, inicialmente usando orientações do ChatGPT, e depois entrou em uma assessoria. Aliás, todos os corredores entrevistados pela PANROTAS sugerem a busca por uma assessoria como etapa inicial para quem quer começar.
Por falar em recomendação, Reifer Souza Junior, da Copastur, foi um dos incentivadores de Alexandre Camargo, que se tornou um meia-maratonista. Desde então, a corrida ganhou espaço rapidamente e alterou hábitos que Alexandre não imaginava abandonar.
O vinho das noites de sexta-feira perdeu prioridade para o longão do sábado. A alimentação mudou e a musculação tornou-se necessária depois das primeiras lesões. Ele brinca que houve uma sexta em que, no lugar da taça de vinho, teve vontade de tomar whey. O corpo do corredor começa a pedir.
Primeiro a largada, depois o Turismo
Alexandre treina corrida três vezes por semana, geralmente às terças, quintas e sábados. Nos dias úteis entram os treinos de velocidade. Também faz musculação duas vezes por semana, a contragosto, mas fazer o que, né?
As férias passaram a ser organizadas pela pergunta: qual será a próxima competição? Alexandre já correu em Buenos Aires, Paris e Osaka, além de provas em diversas cidades brasileiras.
Aprendeu também uma regra própria para o maraturismo: primeiro se corre, depois aproveita o destino. Em uma viagem ao Japão, inverteu essa ordem e se arrependeu no meio da prova, que ele mesmo assim concluiu. Portanto caminhar, visitar atrações e alterar a alimentação antes da prova cobra o preço no dia da largada.
Nas viagens a trabalho, o tênis quase sempre entra em ação. Antes, voltava dos destinos procurando uma garrafa de vinho diferente. Agora, procura tênis, relógios e acessórios.
Um roteiro entre quilômetros
Dois dias antes de se apresentar no Fórum PANROTAS 2026, Alexandre correu a Meia Maratona de Paris. Ainda não havia finalizado o roteiro da apresentação que faria no palco. Enquanto passava pelas ruas da cidade, começou a organizar as ideias, pensar nos assuntos e construir a sequência do que diria.
“Fui tendo os insights no meio da prova. Quando cheguei, a apresentação estava praticamente criada na minha cabeça.” Ele ri disso e ri ao contar que seu time já sabe quando ele chega ao escritório após um treino, ligado no 220.
A corrida também despertou atenção para produtos ainda pouco explorados pelo Turismo. Na Assist Card, o country manager atleta acompanha a criação de seguros voltados a esportistas, já que a participação em competições pode exigir coberturas específicas.
Não basta montar um pacote. É preciso entender a logística do atleta. Esse mercado ainda não amadureceu como deveria, e há muito espaço para as agências.”
Ciclista, escritor e diretor da TAP
Carlos Antunes começou sem conseguir pedalar dois quilômetros. Depois vieram as 100 milhas sob calor de mais de 40°C, as travessias internacionais e um livro sobre o Caminho da Fé.
A primeira bicicleta de Carlos Antunes durou dois meses. Ele brinca que estava tão pesado que acabou quebrando o equipamento comprado pela mulher para incentivá-lo a sair do sedentarismo. Exageros à parte, fato é que nas primeiras pedaladas ele não conseguia percorrer dois quilômetros.
Passados mais de dez anos, Carlos já fez provas de 100 quilômetros e 100 milhas, pedalou pelo deserto entre Abu Dhabi e Dubai, contornou a ilha de Seychelles e percorreu duas vezes o Caminho da Fé, entre Minas Gerais e Aparecida.
Sua prova mais longa foi a Hotter’N Hell Hundred, em Wichita Falls, no Texas. São 100 milhas, cerca de 161 quilômetros, disputadas em temperaturas que ultrapassaram os 40°C.
O diretor da TAP Para as Américas também participou duas vezes do L’Étape Brasil e de diversas competições de mountain bike.
“Chego entre os últimos porque me inscrevo nas categorias mais difíceis. Sou completamente amador, nem sempre consigo emplacar uma boa sequência de treinos, e mesmo assim gosto de me desafiar.”
Histórias maiores que as imagens
O Caminho da Fé virou um livro. Depois de uma das viagens, Carlos percebeu que mostrar as fotografias não era suficiente para demonstrar a dimensão das histórias durante as travessias e as belezas mineiras e paulistas. Elas registravam paisagens e pessoas, mas não explicavam o planejamento, as mudanças de rota, as dificuldades físicas, os conflitos e os imprevistos.
Ele escreveu uma crônica da viagem e publicou um livro de cerca de 90 páginas. O relato fala de liderança, perseverança, divisão de tarefas e capacidade de continuar quando o plano original deixa de funcionar.
Carlos enxerga um paralelo direto com o Turismo. Uma operação pode mudar por clima, logística ou decisões externas. Por isso, defende a necessidade de plano A, B e C, além de flexibilidade para não perder o objetivo final.
Uma rota desenvolve cidades
Na primeira vez em que percorreu o Caminho da Fé, Carlos encontrou dificuldades para localizar hospedagem e pontos de apoio. Cinco anos depois, viu novas pousadas, propriedades ampliadas, empresas especializadas e grupos organizados para atender peregrinos e ciclistas.
Para ele, a transformação mostra como uma rota pode gerar desenvolvimento econômico em cidades antes dependentes principalmente da agricultura. O cicloturismo e as peregrinações movimentam hospedagem, alimentação, seguro, transporte de bagagem, guias e manutenção de equipamentos.
As férias de Carlos quase sempre incluem a bicicleta. Em uma das viagens previstas durante a entrevista, sairia do Marco Zero de São Paulo para pedalar por quatro dias até Paraty, passando por montanhas, estradas de terra e áreas rurais, sem usar carro para chegar ao destino.
Durante a semana, treina em casa às terças e quintas. Nos fins de semana, percorre a Ciclovia do Rio Pinheiros, estradas e trilhas nos arredores de São Paulo. Quando não pode levar a bicicleta nas viagens profissionais, corre cinco ou dez quilômetros para não perder completamente o ritmo.
A bicicleta me ajuda a ter outra visão. Muitas vezes, um problema profissional está na cabeça e, durante o pedal, aparece uma solução que eu não conseguia enxergar.”
“Ninguém fica para trás”
Antonietta Varlese comprou um Troller sem saber o que a esperava na lama. O off-road a levou ao Jalapão, à Chapada dos Veadeiros e a um ambiente masculino em que pedir ajuda faz parte do caminho.
Um amigo tentou convencer Antonietta Varlese de que o Troller não combinava com ela. Disse que o veículo era pesado, feito para lama e pouco prático. Quanto mais ele explicava as dificuldades, mais Antonietta queria o carro.
Foi à concessionária, fez um test drive e saiu de lá com a compra fechada. O vendedor contou que haveria uma etapa da Copa Troller e sugeriu que ela participasse. Antonietta aceitou sem saber que existiam cursos de pilotagem off-road.
Coincidentemente iniciada no Novotel Itu, da Accor, a primeira prova de Antonietta já teve lama e riachos a serem encarados, sempre seguindo o carro da frente. Ao final, um competidor perguntou se ela havia feito o treinamento. “Que treinamento?”, respondeu. O grupo, formado principalmente por homens, caiu na risada. Como assim, ela se meteu no off-road sem nenhum curso?
A mulher da cinta branca
A executiva da Accor descobriu um ambiente de competição, aventura e ajuda mútua. Nos passeios, os participantes verificam constantemente o carro que vem atrás. Se alguém some do retrovisor, o comboio para. Se um veículo atola, todos descem para ajudar.
No começo, ela não carregava caixa de ferramentas. Comprou uma cinta de reboque branca porque o carro também era branco, para combinar. Quando precisaram usá-la no meio da lama, os outros participantes acharam graça. Um deles teve pena de sujar o equipamento. Antonietta ganhou o apelido de “mulher da cinta branca”.
Depois, fez um curso de pilotagem em Brotas (SP). Aprendeu a atravessar áreas alagadas, usar equipamentos de resgate, escolher os pontos corretos para prender a cinta e lidar com aspectos básicos de mecânica.
Participou novamente da Copa Troller, acompanhou um trecho do Rally dos Sertões e fez expedições pelo Jalapão, Chapada dos Veadeiros, Estrada Real, praias e outras regiões brasileiras. Nos primeiros anos, suas férias eram dedicadas ao off-road.
O carro de trás
O esporte exige força física. É preciso subir no veículo, puxar equipamentos pesados, amarrar objetos, deitar no chão e caminhar por trilhas. Antonietta faz musculação e alongamento para suportar longos dias em trajetos desconfortáveis.
O universo continua predominantemente masculino, embora existam grupos de mulheres e pilotas experientes. Antonietta encontrou espaço sendo iniciante, aceitando ajuda e aprendendo a executar tarefas que antes desconhecia.
A principal lição levada para o trabalho é o comportamento coletivo. Em um comboio, o resultado depende de horários, regras, divisão de funções e atenção aos demais. Os planos mudam rapidamente por causa do clima, das condições da trilha ou de um problema mecânico.
O off-road me fez lidar melhor com mudanças repentinas. Você planeja, mas precisa ficar pronta para corrigir a rota.”
A regra mais importante é simples: olhar para quem está atrás.
“Ninguém fica para trás. Se alguma coisa acontece, sempre tem alguém que volta para buscar. Você aprende a confiar e também a cuidar do outro.”
“Troquei o eu pelo nós”
Viviane Costi corria para superar as próprias marcas. Como guia voluntária da Achilles International Brazil, passou a segurar a corda que permite a atletas com deficiência visual chegar à linha de chegada.
Viviane Costi começou a correr em 2022, incentivada por uma colega de academia. Nas provas, reparava em um grupo uniformizado que largava antes dos demais participantes. Eram atletas e voluntários da Achilles International Brazil.
O interesse aumentou quando Rogério Mendes, outro grande atleta do Turismo, publicou imagens de uma atividade da organização. Viviane procurou informações, preencheu um formulário e, poucos dias depois, entrou no projeto.
A Achilles International Brazil tem como missão transformar a vida de pessoas com deficiência por meio do esporte e da conexão social. Atletas com diferentes deficiências participam dos treinos e das corridas acompanhados conforme suas necessidades.
Viviane atua principalmente como guia de pessoas com deficiência visual. Antes de conhecer a Achilles, corria sozinha e se preocupava com distância e desempenho. Hoje, o resultado depende de outra pessoa chegar junto.
Eu troquei o eu pelo nós. Antes, corria para chegar. Agora, corro para levar alguém comigo.”
A voz antes do rosto
Os treinos acontecem aos sábados em diferentes parques de São Paulo. Viviane frequenta principalmente o Parque Estadual do Belém, próximo ao metrô. Ela encontra o atleta na catraca. A bengala é guardada e a partir dali ela passa a conduzi-lo.
Antes da corrida, descreve a própria aparência, fala da altura, do cabelo e da roupa. O atleta geralmente reconhece a voz e sabe que ela chegou.
Na pista, ambos ficam ligados por uma corda guia. Viviane precisa indicar obstáculos, organizar a passagem por pontos de hidratação e manter o ritmo combinado. A força também importa. Se o atleta tropeçar, ela precisa estar preparada para reagir sem puxar o braço de maneira brusca.
Por isso, faz musculação durante a semana. Aos sábados, treina com a Achilles. Aos domingos, frequentemente há uma prova. Os fins de semana passaram a ser organizados em torno da atividade voluntária.
Ser os olhos de alguém
Para se tornar guia, Viviane participou de treinamento e correu com os olhos vendados, ocupando temporariamente a posição do atleta. A experiência mostrou detalhes que dificilmente perceberia de outra forma.
Também viajou para a Maratona do Rio como voluntária. Dividiu o quarto com uma pessoa com deficiência visual e correu dez quilômetros ao lado de outra atleta. A convivência ensinou tarefas e cuidados que não aparecem apenas durante a prova.
Na CVC, onde coordena Produtos Aéreos, Viviane convidou colegas a participar da Achilles. Fernando Misu, gerente de Pós-Venda, foi um dos que se tornaram guias.
Ela diz que a experiência aumentou sua confiança em reuniões e negociações. Se consegue conduzir uma pessoa por dez quilômetros, reagir a obstáculos e chegar com segurança, outros desafios parecem menos intimidadores.
“Sou o olho desses atletas. Eles escutam minha voz e sabem que cheguei. Para muitas pessoas, aquele treino é o momento mais feliz da semana. Não dá para comparar com a corrida que eu fazia antes. É outra vida.”
“Caiu dez vezes, levanta 11”
Carol Dias, do Turismo de Israel, teve a perna quebrada em três partes durante um treino de jiu-jítsu. Depois da cirurgia, das muletas e de nove meses de fisioterapia, voltou ao tatame e às competições.
O jiu-jítsu ensina a Carol Dias que situações desconfortáveis não são uma escolha. O tempo todo há alguém tentando imobilizá-la, controlar seus movimentos e chegar a uma finalização. Para sair, é preciso manter a atenção, procurar espaços e testar soluções rapidamente.
“O tatame me coloca em situações muito difíceis. Faço de tudo para conseguir reverter aquilo e esse esforço, essa experiência, eu levo a outros lugares da vida”, diz a executiva, profissional do Turismo de Israel no Brasil.
Carol pratica jiu-jítsu há quase nove anos. Cresceu em uma família ligada ao tatame, com o pai e o irmão premiados em judô, esporte que chegou a treinar quando criança. Já adulta, voltou às artes marciais em busca de mais desafios após anos de crossfit.
Na luta, a única hierarquia existente é a das faixas, as profissões e os cargos das pessoas vão-se embora quando elas vestem o quimono. Não importa se o praticante ocupa uma posição operacional ou a liderança de uma empresa, todos ali precisam aprender, repetir movimentos e aceitar que alguém sabe mais. Carol adora isso.
O som da fratura
Em março de 2023, durante uma manhã de treino que antecedia a WTM Latin America, Carol teve a perna quebrada em três partes. Lesões fazem parte da vida de todo atleta, mas elas são bem mais doloridas quando são consequência de um golpe que não deveria ter sido aplicado naquele momento da atividade. Muito menos vindo de um faixa-preta experiente com mais de 100 quilos.
Carol ouviu o osso quebrar. Ficou duas horas na mesma posição, à espera do resgate, e precisou ser operada naquele mesmo dia. A recuperação passou por cadeira de rodas, andador e muletas. Foi necessário reaprender a andar e suportar a dor de voltar a dobrar o joelho.
“Dali eu tomaria um banho e iria ao Expo Center Norte cheia de gás, como eu sempre gostei de fazer antes de qualquer evento profissional. Minha roupa, minha marmita, meu laptop estavam no carro me esperando para ir à feira. Mal sabia que eu ficaria meses sem pisar no chão, muito menos dirigir. Aquilo escancarou a fragilidade da vida. Você sai de casa e não sabe como vai voltar.”
Foram nove meses de fisioterapia. A previsão era de que demorasse um ano para retomar uma rotina normal. Ouviu de algumas pessoas que nunca pisaria novamente no tatame.
Na primeira semana de outubro de 2023, recebeu alta e voltou a andar sem ajuda de ninguém. A luz no fim do túnel começou a aparecer até que... estourou a guerra entre Israel e o Hamas. Carol havia acabado de atravessar um processo físico doloroso quando precisou lidar com uma nova crise, dessa vez profissional.
Graças às lições do esporte, eu enfrentei essa crise com muito mais coragem e sabedoria. O Turismo em Israel foi paralisado da noite para o dia. Havia muitas restrições no trabalho. Algumas pessoas do trade passaram até a me evitar, outras me olhando com expressão de luto. É como se eu estivesse quase paralisada no tatame, mas quase paralisada não é paralisada, então eu fui buscar o que eu poderia fazer e foquei nisso, nas soluções, no que estivesse ao meu alcance.”
De volta à luta
O jiu-jítsu também serviu como espaço de acolhimento. Carol relata que, nesses momentos de maior isolamento profissional, o tatame permitia que ela fosse apenas mais uma praticante. Durante uma hora, não havia mensagens, conflitos ou opiniões externas. Havia alguém tentando alcançar seu pescoço e um problema imediato para resolver.
Em um ambiente predominantemente masculino, a presença de mulheres como Carol Dias no jiu-jítsu tem importância esportiva e prática. A modalidade ensina autodefesa, atenção a sinais de risco e postura. Também expõe comportamentos. “O tatame não mente”, afirma. A pessoa que não aceita perder ou que se incomoda ao ser finalizada por uma mulher acaba revelando isso em um momento ou outro.
No fim de semana anterior à entrevista, Carol participou da primeira competição oficial desde a fratura. Não importava o resultado, a conquista era estar ali e encerrar um ciclo. Assim que saiu, pediu ao professor que a inscrevesse no próximo campeonato.
“Eu não sei se é o jiu-jítsu ou se são as crises com Israel. Provavelmente é tudo isso junto. Sei que sou resiliente e gosto muito disso. Caiu 10 vezes, levanta 11.”