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Turismo com menos de 30: nova geração de agentes de viagens ganha espaço

Filip Calixto

Uma viagem pelas mentes destes jovens profissionais de diferentes partes do Brasil

Em um mercado frequentemente associado à experiência acumulada ao longo de décadas, ver uma nova geração de agentes de viagens começar a ganhar protagonismo no Brasil é estimulante e traz um ar novo para um setor desafiado por tecnologia, passageiros que “sabem tudo” e mudanças que não perguntam se podem entrar.

PANROTAS garimpou em eventos, viagens e nas agências profissionais com menos de 30 anos – alguns ainda em formação, outros já à frente de equipes e com faturamentos expressivos – e que encontraram no Turismo não apenas uma profissão, mas um projeto de vida. Mas por que o Turismo está atraindo essa nova geração? O que mais chama atenção e quais os pontos de atenção para reter esses talentos tão entusiasmados com nossa indústria?

Multitelas, multinegócios

Com trajetórias diversas, esses jovens atuam em modelos variados: franquias, agências próprias, empresas familiares, lojas físicas, atendimento remoto e home office. Muitos chegaram ao Turismo quase por acaso; outros cresceram respirando o dia a dia do setor. Em comum, compartilham uma visão que mistura tecnologia, especialização e, sobretudo, atendimento humano como diferencial em um cenário cada vez mais “tecnológico e artificial”.

Ao ouvir esses profissionais, fica claro que o agenciamento de viagens passa por uma transformação silenciosa. Mais do que vender passagens ou pacotes, eles se veem como consultores, curadores de experiências e gestores de expectativas. Em um tempo de excesso de informação, redes sociais e inteligência artificial, acreditam que o valor do agente está menos no preço e mais na confiança. Na relação de troca com o cliente. Na emoção, empatia e entendimento que a máquina ainda não sabe copiar. A naturalidade de uma mão amiga indicando o que fazer ou de uma voz ajudando na hora de um problema faz a diferença e tem nesses talentos embaixadores de um futuro que queremos.

A seguir, conheça as histórias de jovens agentes de viagens que ajudam a desenhar os novos caminhos do Turismo no País.

Rafaella Bodack (26 anos)

Azul Premier | @azulpremier | Umuarama (PR)

Ilustração de Rafaella Bodack
Ilustração de Rafaella Bodack
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Rafaella Bodack, Azul Premier
Rafaella Bodack, Azul Premier
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1 Ilustração de Rafaella Bodack 2 Rafaella Bodack, Azul Premier

Do improviso à construção de uma agência própria

A entrada de Rafaella Bodack no Turismo não seguiu um plano previamente desenhado. Aos 26 anos, a empresária começou sua trajetória de forma quase improvisada, enquanto trabalhava em uma transportadora que prestava serviços para a Azul Linhas Aéreas. Foi ali que surgiu a oportunidade de abrir um CNPJ e passar a vender passagens da companhia, conciliando essa nova função com os atendimentos operacionais que já realizava.

Sem estrutura, sem carteira de clientes e sem sequer um espaço próprio – o computador ficava literalmente no meio das caixas da transportadora –, Rafaella deu os primeiros passos no agenciamento. O que a fez permanecer no setor, no entanto, não foi apenas a oportunidade financeira, mas o contato humano proporcionado pelos primeiros atendimentos. Muitos de seus primeiros clientes eram pessoas mais velhas, viajando pela primeira vez, o que despertou nela um envolvimento emocional com o trabalho.

Participar dos sonhos das pessoas foi o que me fez ficar"

Para Rafaella, perceber que podia ajudar alguém a realizar algo tão significativo quanto uma primeira viagem foi decisivo para transformar aquela atividade inicial em um projeto de carreira.

Crescimento acelerado e foco no relacionamento

Hoje, à frente da Azul Premier, a agente atua tanto no lazer quanto no corporativo, oferecendo passagens, pacotes nacionais e internacionais, seguro viagem, atividades... 

Tudo com atendimento personalizado. Curiosamente, boa parte da carteira corporativa nasceu de clientes de lazer que confiaram em seu trabalho e a levaram para dentro empresas onde atuam – um reflexo direto do relacionamento construído ao longo do tempo.

Em menos de três anos no mercado, a agência alcançou números expressivos, com meses que ultrapassam a marca de R$ 2 milhões em faturamento. Para Rafaella, porém, os valores são consequência de algo maior: a confiança e a recorrência dos clientes. "O dinheiro vem como resultado de um bom trabalho, não como objetivo principal", afirma.

Na sua visão, o grande diferencial do agente de viagens hoje é a atenção genuína às pessoas. Em um mercado cada vez mais pressionado por metas, automações e vendas rápidas, ela defende um modelo mais humano, em que o bem-estar do cliente vem antes do fechamento.

Tecnologia, nichos e o futuro do agenciamento

Embora reconheça a importância da internet e seu universo virtual – especialmente no início, quando precisava se posicionar em uma cidade onde não tinha rede de contatos –, Rafaella acredita que existem vários caminhos para crescer. Para ela, relacionamento, presença em eventos e o tradicional boca-a-boca continuam sendo tão relevantes quanto as redes sociais.

Olhando para o futuro, a empresária se vê liderando uma equipe maior, com setores bem definidos e atuação cada vez mais especializada. A ideia é fragmentar a operação em áreas como corporativo, lazer e roteiros internacionais, aprofundando o conhecimento em cada frente.

A empresária acredita que a especialização por nichos será um caminho natural. Viagens de luxo, Turismo esportivo, religioso ou de aventura estão no radar. "Quanto mais nichado você é, mais especialista se torna – e as pessoas gostam de lidar com especialistas", resume. Para ela, o futuro do agenciamento está na conexão humana, algo que nenhuma plataforma consegue substituir.

Gabriela Fernandes Martins (30 anos)

Luisa Camargo Viagens | @luisacamargo.viagens |  Santos (SP)

ilustração de Gabriela Fernandes Martins
ilustração de Gabriela Fernandes Martins
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Gabriela Fernandes Martins, Luisa Camargo Viagens
Gabriela Fernandes Martins, Luisa Camargo Viagens
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1 ilustração de Gabriela Fernandes Martins 2 Gabriela Fernandes Martins, Luisa Camargo Viagens
Incentivo familiar e o choque da pandemia

Gabriela Fernandes Martins entrou no Turismo a partir de um convite da prima, Luísa Camargo, para integrar a equipe da agência de viagens da família. O segmento já despertava seu interesse por refletir um desejo pessoal: conhecer culturas diferentes e enxergar o mundo além do próprio entorno.

Poucos meses depois do início da carreira, veio a pandemia – e com ela, a quebra de qualquer expectativa romantizada sobre o Turismo. Cancelamentos, incertezas e negociações intensas passaram a fazer parte da rotina. Paradoxalmente, foi nesse cenário adverso que ela consolidou sua decisão de seguir na profissão.

O Turismo deixou de ser um conto de fadas, mas passou a fazer ainda mais sentido"

Durante esse período, o apoio mútuo entre clientes, parceiros e equipe fortaleceu vínculos e mostrou que o trabalho do agente vai muito além da venda.

Atendimento consultivo e fidelização

Hoje, Gabriela atua no segmento de lazer, oferecendo cruzeiros, passagens aéreas, hospedagem e experiências nacionais e internacionais. Embora a agência mantenha espaço físico em Santos, sua atuação passou a ser 100% on-line, após uma mudança de cidade (hoje ela mora em Florianópolis) – algo que ocorreu de forma natural, já que o atendimento remoto já fazia parte da rotina desde a pandemia.

O perfil da Luisa Camargo Viagens é essencialmente consultivo. A agência evita a divulgação massiva de promoções e lâminas de preços, priorizando a construção de relacionamento. A maior parte dos atendimentos vem de clientes recorrentes e indicações, fruto da confiança construída ao longo do tempo.Para Gabriela, uma das maiores conquistas profissionais é justamente essa fidelização. Além disso, destaca os prêmios recebidos pela agência e as viagens a convite de parceiros, que ampliam seu repertório e permitem oferecer experiências mais qualificadas aos clientes.

Conhecimento, tecnologia e futuro

Na sua visão, a relevância do agente de viagens hoje se sustenta em três pilares: estudo contínuo, relacionamento e tecnologia. Em um mercado onde o on-line é amplamente acessível, quem procura uma agência busca segurança, alinhamento de expectativas e atendimento humanizado.

Gabriela acredita que o papel do agente caminha para algo mais próximo de um curador de experiências, deixando de ser apenas um intermediário. A tecnologia, para ela, deve ser usada para otimizar processos internos, sem comprometer a proximidade com o cliente.

O futuro do agenciamento, segundo Gabriela, será cada vez mais personalizado e especializado, com profissionais que saibam equilibrar ferramentas digitais e sensibilidade humana - combinação que, para ela, define o verdadeiro valor da profissão.

Kelvin Rudenas (30 anos)

CVC Bom Pastor | @cvc.ms.bompastor | Campo Grande (MS)

Ilustração de Kelvin Rudenas
Ilustração de Kelvin Rudenas
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Kelvin Rudenas, CVC Bom Pastor
Kelvin Rudenas, CVC Bom Pastor
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1 Ilustração de Kelvin Rudenas 2 Kelvin Rudenas, CVC Bom Pastor
Uma trajetória construída nos bastidores

A história de Kelvin Rudenas no Turismo começou longe do balcão de vendas. Em 2016, ingressou no setor como auxiliar administrativo da master franqueada da CVC em Mato Grosso do Sul, cuidando de contas, agenda e compromissos financeiros. Naquele momento, não tinha clareza sobre o funcionamento do mercado de agências.

Com o tempo, a convivência diária despertou curiosidade e interesse. Kelvin passou a entender a engrenagem do Turismo e foi promovido para o setor operacional, assumindo responsabilidades no pós-vendas e no suporte direto aos agentes de viagens.Em 2023, veio outra mudança importante: a promoção para gerente de Vendas no canal multimarcas, seu primeiro contato direto com a área comercial. Um ano depois, realizou o sonho de abrir sua própria franquia da CVC.

Gestão, liderança e visão estratégica

Hoje, à frente da CVC Bom Pastor, Kelvin conta com uma equipe estruturada, composta por vendedoras e uma profissional dedicada ao marketing. Com isso, consegue concentrar sua atuação na gestão administrativa e operacional, cuidando da saúde do negócio.

Além da loja, Kelvin também exerce a função de gerente geral da CVC no Estado, atuando como elo entre franqueados e franqueadora. Essa dupla atuação amplia sua visão estratégica sobre o mercado e os desafios do setor.Ao olhar para sua trajetória, ele considera cada etapa marcante – do administrativo à liderança – e parte fundamental de sua formação profissional.

Marketing, concorrência e especialização

Para Rudenas, o fator mais determinante para a relevância do agente atualmente é o marketing. Diante da concorrência com OTAs, que oferecem velocidade e preços agressivos, ele acredita que a disputa pela atenção do consumidor se tornou central.

Seus planos incluem aprofundar a especialização em viagens de cruzeiro, segmento que enxerga como estratégico para os próximos anos.

Para finalizar, ele ressalta que o relacionamento continua sendo indispensável para fidelizar clientes e se posicionar no mercado. Após ter pensado que o agenciamento ficaria obsoleto no pós-pandemia, hoje ele vê um futuro promissor para o setor.

Eloah Kurfis Oliveira (17 anos)

TDK Brasil Receptivo | @tdkbrasilreceptivo | São Paulo (SP)

Ilustração de Eloah Kurfis Oliveira
Ilustração de Eloah Kurfis Oliveira
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Eloah Kurfis Oliveira, TDK Brasil Receptivo
Eloah Kurfis Oliveira, TDK Brasil Receptivo
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1 Ilustração de Eloah Kurfis Oliveira 2 Eloah Kurfis Oliveira, TDK Brasil Receptivo
Turismo como herança e cotidiano

Eloah Kurfis Oliveira costuma dizer que não entrou no Turismo – ela nasceu dentro dele. Aos 17 anos, sua relação com o setor vem de berço. Integrante de uma agência familiar especializada em receptivo, cresceu acompanhando o dia a dia da empresa, observando a rotina dos tios e da equipe desde muito pequena.

Antes mesmo de atuar formalmente, Eloah já participava de eventos do trade e treinamentos de destinos. Feiras como Abav Expo, WTM Latin America, Festuris e BTM fazem parte de sua formação prática, assim como encontros menores e capacitações oferecidas por fornecedores. Para ela, o Turismo sempre foi algo natural, presente no cotidiano e no vocabulário familiar.Essa vivência precoce ajudou a moldar sua percepção sobre o setor e despertou, desde cedo, o desejo de fazer parte ativamente da operação.

Atuação no receptivo e primeiros desafios profissionais

Hoje, Eloah atua principalmente na parte receptiva, área central da TDK Brasil. Seu trabalho envolve suporte à logística de eventos, assessoria em aeroportos, atendimento a grupos em deslocamento e apoio interno ao setor operacional, funções que exigem organização, atenção aos detalhes e agilidade na tomada de decisões.

Além disso, começa a assumir um papel mais ativo no desenvolvimento do departamento emissivo, que até então tinha menor demanda. A ideia é aproveitar a estrutura já existente para expandir essa frente, trazendo um novo braço ao negócio familiar.

Apesar da pouca idade, Eloah já lida com o competitivo mercado corporativo, onde o nível de exigência é alto e o erro tem pouco espaço.

Reconhecimento, tecnologia e visão de futuro

Para ela, a maior conquista profissional até agora vem do reconhecimento dos clientes. “Quando um executivo agradece pelo suporte ou elogia o atendimento, isso me dá muita confiança de que estou no caminho certo”, afirma.

Atenta às transformações digitais, Eloah reconhece o impacto das redes sociais, do TikTok e da inteligência artificial no turismo. Ainda assim, acredita que o diferencial humano continuará sendo decisivo. Para ela, a tecnologia deve ser aliada, não substituta.

No futuro, Eloah espera ver o agente de viagens mais valorizado pelo conhecimento e pela capacidade de cuidar dos detalhes. E, mesmo em um mundo cada vez mais digital, ela faz questão de manter viva a imagem do atendimento presencial: “Espero que muitas pessoas ainda venham tomar um café comigo enquanto escolhem o melhor hotel e o melhor voo”.

Stefani Figueiredo Garcia dos Santos (29 anos)

Clube Turismo | @viajecomstefani | São Vicente (SP)

Ilustração de Stefani Figueiredo
Ilustração de Stefani Figueiredo
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Stefani Figueiredo, Clube Turismo
Stefani Figueiredo, Clube Turismo
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1 Ilustração de Stefani Figueiredo 2 Stefani Figueiredo, Clube Turismo
Do banco ao Turismo de forma quase natural

Antes de se tornar agente de viagens, Stefani Figueiredo Garcia dos Santos construiu uma carreira de sete anos no setor bancário. Foi ali que desenvolveu uma habilidade que hoje considera central para sua atuação no Turismo: o relacionamento com pessoas.

Paralelamente ao trabalho no banco, Stefani viajava com frequência. Ao retornar, amigos e conhecidos passaram a procurá-la para pedir dicas, recomendações de hospedagem, guias e roteiros. Sem perceber, já atuava como uma consultora informal de viagens.

Quando seu contrato no banco chegou ao fim, decidiu transformar essa prática espontânea em profissão. O que começou de forma despretensiosa se consolidou como um novo projeto de vida.

Consultoria como essência do atendimento

Hoje, aos 29 anos, Stefani é franqueada da Clube Turismo no modelo home office, em São Vicente, litoral paulista. Sua atuação é fortemente consultiva, refletindo as mudanças no comportamento do consumidor diante do excesso de informação disponível online.

Hoje as pessoas não me procuram só para comprar um pacote, mas para filtrar informações"

Em um cenário dominado por redes sociais, vídeos curtos e inteligência artificial, o desafio do cliente não é acessar dados, mas entender o que realmente faz sentido para sua viagem.

A venda, segundo Stefani, acontece como consequência da confiança construída ao longo da consultoria.

Credibilidade, nichos e responsabilidade

Uma das maiores conquistas de sua trajetória é justamente a credibilidade, especialmente por atuar sem loja física. Questionamentos sobre onde encontrar o agente em caso de problemas são comuns nesse modelo – e superá-los exige consistência, transparência e atualização constante.

Para se manter relevante, Stefani defende estudo contínuo e acompanhamento atento do cenário global, incluindo regras de vistos, mudanças políticas e conflitos internacionais que impactam diretamente as viagens.

Sobre nichos, ela adota uma visão cautelosa. Acredita que nichar só faz sentido quando há preparo real e domínio do assunto. "Não é só uma estratégia financeira. É assumir uma responsabilidade maior com o cliente", resume. Para Stefani, o futuro do agenciamento passa, acima de tudo, pela confiança.

Valter da Luz Barcelos Filho (28 anos)

Clube Turismo | @clubeturismo.cascavel | Cascavel (PR)

Ilustração de Valter da Luz Barcelos Filho
Ilustração de Valter da Luz Barcelos Filho
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Valter da Luz Barcelos Filho, Clube Turismo
Valter da Luz Barcelos Filho, Clube Turismo
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1 Ilustração de Valter da Luz Barcelos Filho 2 Valter da Luz Barcelos Filho, Clube Turismo
Engenharia, Turismo e apoio familiar

Formado em Engenharia Civil, Valter da Luz Barcelos Filho encontrou no Turismo uma forma de unir paixão pessoal e empreendedorismo. Aos 22 anos, decidiu ingressar no setor movido pela curiosidade de conhecer o mundo e pela vontade de transformar esse interesse em carreira.

Desde o início, contou com o apoio irrestrito da família, fator que considera decisivo para seguir em frente. Trabalhar em conjunto com os pais tornou o projeto ainda mais significativo e fortaleceu a decisão de empreender no turismo.

O que começou como um interesse quase ingênuo se transformou, com o tempo, em um negócio sólido.

Crescimento, franquia e expansão

Valter atua no Turismo de lazer, com foco na criação de experiências personalizadas, e é franqueado da Clube Turismo. Entrou no setor poucos meses antes da pandemia, um período desafiador que poderia ter interrompido seus planos, mas acabou fortalecendo sua trajetória.

Em menos de dois anos, tornou-se franqueado master da Clube Turismo no Paraná, liderando a expansão da marca no Estado ao lado do pai. Os resultados vieram acompanhados de reconhecimento: prêmios de vendas, crescimento consistente e destaque como TopSeller Orinter.

Em 2024, assumiu um novo desafio ao se tornar master franqueado também em Santa Catarina, reflexo direto do trabalho desenvolvido no Paraná.

Para Valter, manter relevância no turismo exige equilíbrio. Ele aposta em parcerias sólidas, treinamentos constantes e atualização permanente, já que o mercado muda rapidamente.

Tecnologia, relacionamento e futuro

A tecnologia, incluindo o uso prático da inteligência artificial, faz parte de sua rotina, mas nunca substitui o atendimento humano. “Ouvir o cliente e criar vínculo continua sendo essencial”, afirma.O futuro, em sua visão, passa por um modelo híbrido: atendimento próximo, consultivo e humano, apoiado por ferramentas digitais eficientes. Seu objetivo é construir uma agência confiável, capaz de transformar viagens em experiências memoráveis.

Luana Lopes (25 anos)

Atterrize Travel | @luaanalopess_ e @atterrizetravel | São Leopoldo (RS) 

Ilustração de Luana Lopes
Ilustração de Luana Lopes
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Luana Lopes, Atterrize Travel
Luana Lopes, Atterrize Travel
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1 Ilustração de Luana Lopes 2 Luana Lopes, Atterrize Travel
Da agropecuária ao Turismo por curiosidade

A trajetória de Luana Lopes no Turismo começou de forma inesperada. Técnica em agropecuária, trabalhava em uma clínica veterinária quando recebeu o convite de um amigo para ajudar na reativação de clientes de uma agência de viagens.

Sua função inicial era simples: ligar para clientes antigos, verificar documentos e apresentar oportunidades. O contato diário com viagens e grupos internacionais despertou algo novo. Luana nunca havia viajado de avião, mas passou a sonhar com os destinos que via sendo vendidos.

O interesse virou aprendizado, o aprendizado virou destaque interno — e logo ela foi efetivada como agente de viagens.

Lazer, experiência e realização pessoal

Hoje, Luana atua no Turismo de lazer, oferecendo pacotes completos que incluem aéreo, hospedagem, passeios, seguro viagem, locação de veículos e assessoria documental. Trabalha com parceiros locais para garantir experiências confiáveis em cada destino.

Sua maior conquista profissional está em dois planos: realizar os sonhos dos passageiros e viver suas próprias experiências.

Certificada como agente Disney, participou de treinamentos dentro dos parques e resorts, levando esse conhecimento direto para seus clientes.Para Luana, cada viagem vivida amplia sua bagagem profissional e fortalece sua credibilidade como agente.

Agilidade, redes sociais e próximos passos

Na sua visão, a tecnologia e a presença digital são fundamentais para o agente de viagens contemporâneo. O passageiro é imediatista, busca respostas rápidas e consome informações em múltiplas plataformas. “Se o agente não responde, o cliente resolve sozinho na internet”, observa.

O futuro, para ela, envolve crescimento estruturado: formar equipe, dividir a operação por nichos e, em breve, abrir uma loja física. Ainda assim, faz questão de manter o atendimento próximo e transparente.

Luana se enxerga feliz na profissão e determinada a continuar transformando sonhos em viagens, com responsabilidade e cuidado.

Ianan Della Preia Ribeiro (29 anos)

Nomada Travel | @ianandellapreia e @nomadatravelbr | Caxias do Sul (RS)

Ilustração de Ianan Della Preia Ribeiro
Ilustração de Ianan Della Preia Ribeiro
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Ianan Della, Nomada Travel
Ianan Della, Nomada Travel
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1 Ilustração de Ianan Della Preia Ribeiro 2 Ianan Della, Nomada Travel
Formação acadêmica e primeiros passos

Formada em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul (RS), Ianan Della Preia Ribeiro iniciou sua trajetória no setor público, passando pela Secretaria de Turismo e pelo CVB da cidade. Essa vivência inicial ajudou a construir uma visão ampla do funcionamento do trade.

Em 2018, ingressou no agenciamento de viagens, mas deixou o setor meses depois em busca de melhores oportunidades financeiras. Migrou para o mercado de intercâmbios, onde permaneceu até a pandemia redesenhar o cenário do Turismo.

No início de 2021, retornou às agências de viagens, já com um olhar mais maduro sobre o mercado.

Coragem para empreender e foco no lazer

No fim de 2023, Ianan tomou uma decisão que não estava em seus planos iniciais: abriu sua própria agência, a Nomada Travel, ao lado de dois sócios. O movimento exigiu coragem e trouxe receios comuns a quem empreende jovem, mas marcou uma virada importante em sua carreira.

Hoje, atua exclusivamente no Turismo de lazer, acompanhando o cliente desde o primeiro contato até o pós-viagem. Para ela, esse acompanhamento integral é essencial para transmitir segurança, especialmente aos viajantes mais inseguros.

A abertura do próprio negócio é um dos marcos mais significativos de sua trajetória.

Ianan acredita que, diante do avanço da tecnologia e da inteligência artificial, a atualização constante é indispensável.

Humanização como diferencial permanente

Regras de documentação, mudanças de entrada em países e informações operacionais mudam rapidamente e impactam diretamente o cliente.

Ainda assim, ela defende que o grande diferencial do agente é o atendimento humanizado. “Muitos problemas são resolvidos antes mesmo de chegarem ao cliente”, explica, destacando o papel do agente como intermediador e solucionador.

Para o futuro, vê um mercado híbrido: compras diretas on-line continuarão existindo, mas sempre haverá espaço para profissionais capacitados, capazes de oferecer suporte, empatia e segurança – valores que, para ela, definem o verdadeiro sentido do agenciamento de viagens.

Margarida Pessoa (28 anos)

Essenciale Viagens | @essencialeviagens | João Pessoa (PB) 

Ilustração de Margarida Pessoa
Ilustração de Margarida Pessoa
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Margarida Pessoa, Essenciale Viagens
Margarida Pessoa, Essenciale Viagens
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1 Ilustração de Margarida Pessoa 2 Margarida Pessoa, Essenciale Viagens
Curiosidade, idiomas e escolha pelo Turismo

Margarida Pessoa nasceu em uma cidade pequena (qual cidade? Onde?), mas desde cedo desenvolveu um olhar atento para o mundo. Observadora por natureza, sempre se interessou por culturas diferentes, modos de vida e, especialmente, por idiomas – curiosidade que acabou direcionando sua escolha acadêmica.

A graduação em Turismo surgiu como um caminho natural para reunir esses interesses. Durante o curso, Margarida teve seu primeiro contato prático com o mercado por meio de um estágio em agência de viagens, experiência que foi decisiva para sua trajetória profissional.

Foi nesse ambiente que ela percebeu que o Turismo exige – e acolhe – profissionais multipotenciais, capazes de transitar entre planejamento, relacionamento, conhecimento cultural e gestão de expectativas. A profissão passou a fazer sentido não apenas como trabalho, mas como expressão de suas habilidades.

Atuação consultiva e personalização como regra

Atualmente, Margarida atua como agente de viagens na Essenciale Viagens, como colaboradora, trabalhando tanto com roteiros prontos quanto com viagens personalizadas, no Brasil e no Exterior. Embora exista a oferta de produtos formatados, a personalização acaba sendo o caminho mais escolhido pelos clientes.

Na prática, mesmo quando parte de um roteiro estruturado, há sempre um trabalho minucioso de alinhamento entre expectativa e realidade. Ajustes de ritmo, interesses culturais, perfil do viajante e tipo de experiência desejada fazem parte do processo.

Para Margarida, essa adaptação constante é o que transforma uma venda em consultoria e fortalece a relação com o cliente.

Vivência prática, confiança e construção de repertório

Mesmo jovem no mercado, Margarida já acumula conquistas relevantes. Participou de visitas técnicas a diferentes produtos, como navios, além de famtours em diversos destinos, experiências que ampliaram seu repertório e sua segurança profissional.

Outro marco importante é a confiança conquistada ao longo do tempo. Muitos clientes passaram a buscá-la diretamente, reconhecendo o cuidado com os detalhes, a escuta atenta e a qualidade do atendimento prestado.

Ela também destaca o crescimento cultural e profissional proporcionado por treinamentos, eventos e feiras do setor, espaços fundamentais para networking e fortalecimento do relacionamento com fornecedores e parceiros.

Atualização constante e visão de futuro

Na visão de Margarida, o Turismo é uma profissão em permanente transformação. Estar atualizada não é um diferencial, mas uma exigência. Mudanças em produtos, destinos, comportamento do viajante e tecnologia impactam diretamente o trabalho do agente.

Ela enxerga a tecnologia como aliada: uma ferramenta poderosa de otimização, mas incapaz de substituir as singularidades do trabalho humano. “Somos nós que alimentamos a tecnologia”, reflete, defendendo um uso estratégico e consciente.

Olhando para o futuro, Margarida acredita que o agente de viagens assume cada vez mais o papel de consultor, especialmente em um cenário em que personalização e experiência são centrais. Para ela, o mercado de luxo desponta como um importante direcionador do Turismo, justamente por valorizar curadoria, tempo e capital cultural – atributos que reforçam a relevância do agenciamento profissional.

Thaina Dias (30 anos)


Dias Navega | @diasnavega | São Paulo (SP) 

Ilustração de Thaina Dias
Ilustração de Thaina Dias
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Thaina Dias, Dias Navega
Thaina Dias, Dias Navega
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1 Ilustração de Thaina Dias 2 Thaina Dias, Dias Navega
Empreender no digital sem abrir mão do contato humano

Thaina Dias construiu sua atuação profissional já em um cenário altamente digital, competitivo e dinâmico. À frente da Dias Navega, sua agência própria em modelo home office, ela aproveita as ferramentas on-line para ampliar alcance, facilitar o atendimento e captar um volume maior de clientes. Não há fronteiras no mundo conectado.

Apesar disso, seu grande diferencial está justamente no que foge do digital. Thaina faz questão de conhecer pessoalmente muitos de seus clientes, inclusive após a conclusão das reservas, como forma de gerar confiança, proximidade e segurança.

Essa postura se intensificou especialmente no trabalho com grupos de cruzeiros, quando ela vai até o porto, acompanha o embarque e, em alguns casos, embarca junto. A troca gerada nesse contato direto se tornou uma marca do seu trabalho.

O que mudou – e o que permanece – no agenciamento

Para a agente de viagens, uma das maiores mudanças em relação às gerações anteriores é a exigência por conhecimento. O cliente atual chega munido de informações pesquisadas na internet, comparações e referências, esperando do agente domínio real sobre o destino ou produto desejado.

Nesse contexto, o profissional que não se atualiza perde espaço rapidamente. Demonstrar propriedade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico.

Por outro lado, alguns pilares permanecem inalterados. Confiança, segurança e experiência continuam sendo fatores decisivos na escolha de um agente de viagens – especialmente quando o investimento financeiro e emocional é alto.

A especialização em cruzeiros temáticos surgiu quando Thaina passou a compreender melhor o perfil dos seus clientes.

Cruzeiros temáticos como nicho estratégico

Cada tipo de cruzeiro atrai públicos distintos, mas os temáticos têm um elemento comum: o desejo de viver algo único, que vai além da viagem tradicional.

Shows, festivais e experiências a bordo transformam o cruzeiro em um evento memorável. Para muitos passageiros, não se trata apenas de viajar, mas de realizar um sonho ligado à música, à cultura ou a artistas que admiram.

Perceber a intensidade emocional envolvida nesse tipo de produto foi o ponto de virada. A empresária entendeu que ali existia um nicho com enorme potencial de diferenciação.

Especialização, resultados e autoridade no mercado

Na prática, trabalhar com cruzeiros temáticos exige um alinhamento preciso de expectativas. Segundo ela, é fundamental compreender o significado daquele tema para o passageiro, explicar a programação, o perfil do evento e o tipo de experiência que será vivida.

Para ela, ‘nichar’ não apenas diferencia, mas constrói relevância sustentável. Em um mercado cada vez mais competitivo, especialização, experiência e relacionamento continuam sendo o verdadeiro combustível do crescimento.

Publicada em 09/03/2026 09:42 - Atualizada em 09/03/2026 09:44
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Filip Calixto

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes

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