US Travel condena campanha sobre riscos de visitar os EUA durante a Copa do Mundo
Geoff Freeman afirmou que o alerta distorce a experiência da maioria dos viajantes que visitam o país

A U.S. Travel Association fez duras críticas a um alerta de viagem divulgado por mais de 120 organizações da sociedade civil norte-americana sobre possíveis riscos para visitantes durante a Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, entre os meses de junho e julho. A entidade classificou a iniciativa como prejudicial à imagem do país como destino turístico internacional.
Veja o comunicado na íntegra abaixo
O comunicado foi liderado por grupos como American Civil Liberties Union (ACLU) e Amnesty International, que alertaram torcedores, jogadores e jornalistas para possíveis situações envolvendo recusa de entrada no país, detenções, deportações, restrições migratórias ampliadas, inspeções em dispositivos eletrônicos e monitoramento de redes sociais. O documento menciona ainda riscos relacionados a ações de fiscalização migratória consideradas mais rigorosas, além de possíveis impactos sobre minorias raciais.
As organizações recomendaram que visitantes adotem medidas preventivas, como informar contatos sobre os planos de viagem, proteger dispositivos eletrônicos e utilizar ferramentas de alerta rápido em caso de detenção. Já os jornalistas credenciados para o evento foram orientados a consultar materiais de entidades internacionais de proteção à imprensa.

Em resposta, o CEO da U.S. Travel Association, Geoff Freeman, afirmou que o alerta distorce a experiência da maioria dos viajantes que visitam o país. Segundo ele, os Estados Unidos receberam cerca de 67 milhões de visitantes internacionais no último ano e os dados da U.S. Customs and Border Protection indicam que buscas em dispositivos eletrônicos ocorrem em uma parcela extremamente pequena dos casos.
Freeman reconheceu, no entanto, preocupações existentes sobre políticas de entrada no país, como triagens em redes sociais e possíveis taxas de visto, mas afirmou que classificar os EUA como destino inseguro representa uma narrativa política com potencial de gerar impactos econômicos negativos.
A Copa do Mundo está prevista para ocorrer entre 11 de junho e 19 de julho e pode atrair até 10 milhões de visitantes aos Estados Unidos, segundo estimativas citadas pelas organizações envolvidas no alerta.
Comunicado da US Travel na íntegra
"Vamos dizer claramente o que está implícito: a campanha de organizações da sociedade civil para desencorajar viagens para a Copa do Mundo não tem como objetivo proteger os visitantes. Trata-se de usar os meios de subsistência de trabalhadores e empresas americanas como instrumento de pressão para influenciar políticas com as quais discordam.
Isso não é advocacy. Isso é sabotagem.
Existem preocupações legítimas sobre as políticas de entrada nos Estados Unidos neste momento? Sim — e temos dito isso publicamente. A administração Trump fez progressos em diversas áreas? Sem dúvida. Vamos lidar com fatos, não com ficção. Por exemplo, o número de viajantes detidos na alfândega para inspeção de dispositivos eletrônicos apresenta diferença inferior a 0,01% entre as administrações Biden e Trump, segundo dados oficiais da U.S. Customs and Border Protection.
Continuamos nos opondo a possíveis taxas de visto, à triagem de redes sociais e a políticas que tornam os Estados Unidos menos competitivos como destino turístico. Dizemos isso diretamente — inclusive à própria administração. Mas desencorajar viagens ao afirmar que os Estados Unidos são inseguros para visitantes é algo completamente diferente. No último ano, 67 milhões de viajantes internacionais visitaram o país. A ideia de que visitar os Estados Unidos representa um risco relevante à segurança não é um alerta feito de boa-fé — é uma tática política projetada para causar danos econômicos.
Existem maneiras legítimas de contestar políticas com as quais se discorda. Prejudicar o sustento de trabalhadores e empresas americanas ao afastar visitantes não é uma delas. Nós continuaremos fazendo diferente: defendendo o caso com honestidade, permanecendo no diálogo e trabalhando por uma América aberta, competitiva e que vale a pena visitar".