Hopi Hari anuncia limitação de público e novos pilares para aprimorar experiência
Parque passou a esgotar ingressos de determinados dias quando atinge capacidade considerada ideal

O Hopi Hari está mudando a forma de medir crescimento. Em vez de buscar mais visitantes a cada dia, o parque temático localizado em Vinhedo (SP) passou a controlar a quantidade de ingressos vendidos em determinadas datas para evitar que a lotação comprometa a experiência de quem está dentro do parque.
A estratégia é um dos novos pilares criados pelo Hopi Hari desde a chegada do Chief Commercial Officer (CCO) Fernando Fiszbein, em março deste ano, representando uma nova fase da operação que já está sendo colocada em prática na atual edição da Hora do Horror.
A lógica é simples: quando o parque atinge um determinado nível de público considerado adequado para que o visitante consiga aproveitar as atrações, brinquedos, restaurantes e túneis do evento de forma satisfatória, a venda para aquela data é encerrada. Isso significa que o Hopi Hari promete preservar a experiência como prioridade neste momento.
A estratégia já começa a aparecer no calendário da Hora do Horror. Segundo o CCO, determinadas datas de setembro e outubro já estão esgotadas. A intenção é que o controle de público deixe de ser uma ação pontual e passe a fazer parte de um dos principais pilares da operação do parque.

O movimento faz parte de uma mudança mais ampla na estratégia do Hopi Hari, que promete colocar a experiência do visitante no mesmo nível de importância do crescimento de público. Segundo ele, é a oportunidade de fazer com que o parque reduza a diferença entre períodos de alta e baixa demanda.
"Estamos com trava de público este ano. Implementamos isso e, quando atinge uma determinada capacidade que é o breakeven para atender bem, satisfatoriamente, estamos esgotando essas datas. O visitante consegue vir, brincar e passar por todos os brinquedos e túneis e sair satisfeito do parque. Se você consultar o site, o consumidor já consegue ver as datas esgotadas. Fizemos até uma brincadeira para introduzir isso"
Fernando Fiszbein, CCO do Hopi Hari
A ideia é que o Hopi Hari não tenha alta ou baixa temporada, criando-se uma linearidade durante todo o ano. Mesmo assim, as bilheterias físicas seguem vendendo ingressos normalmente, independente do dia. "Não dá para o cara sair de Ribeirão Preto, viajar quatro horas de carro, bater na bilheteria e não conseguir comprar a entrada para toda a família", justificou o CCO.
Outros pilares da experiência

A preocupação com a experiência também aparece em outras frentes da operação. Além da própria limitação diária de público, Fiszbein cita a evolução do atendimento às reclamações, a melhora dos indicadores de satisfação e mudanças na operação de alimentos e bebidas. O parque também ampliou o uso de totens de autoatendimento para reduzir o tempo de espera.
“Dificilmente hoje você tem fila para ser atendido nos restaurantes à la carte e lanchonetes. Automatizamos o parque com totens de autoatendimento e deixamos a operação muito mais rápida”
Fernando Fiszbein, CCO do Hopi Hari
O executivo resume os principais pilares dessa estratégia em quatro frentes:
- controle de público
- experiência do visitante
- eficiência operacional
- velocidade no atendimento.
O objetivo, porém, não é transformar o controle de capacidade em um limitador permanente de crescimento, mas criar condições para que o parque possa crescer sem repetir os problemas provocados pela superlotação, como acontece em feriados não só no Hopi Hari, mas em diversos parques do País.
A novidade é a chegada do Star Flyer, vista como um sinal dessa retomada de investimentos. E, segundo ele, há novos projetos em desenvolvimento, embora ainda não possam ser anunciados. “Posso te dizer que vem coisa legal por aí. Tem coisa que vai acontecer rapidamente, estamos testando, está no forno, mas a gente não pode adiantar por questão de exclusividade. Está todo mundo olhando”, afirmou ele.
De São Paulo para o Brasil

A mudança de estratégia acontece em meio a um esforço de reposicionamento da marca. Segundo Fiszbein, o Hopi Hari começou a perceber uma expansão da demanda para além do seu mercado tradicional, que sempre foi formado principalmente por São Paulo e pela região Sudeste.
“Nos últimos dois, três meses, a gente percebeu uma movimentação que não recebia antes. Estamos recebendo gente do Nordeste, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais. A movimentação de marca institucional está chegando mais longe, e isso para nós é muito gratificante, muito orgulho”, diz ele.
O desafio agora é aproveitar esse alcance nacional sem perder a qualidade da experiência. A estratégia está apoiada em três grandes frentes: fortalecimento da marca, satisfação do cliente e inovação, esta última ligada tanto à renovação de atrações quanto aos planos de expansão do parque.
"Três grandes pontos: reforço na marca, para voltar a ser a grande marca de parques e entretenimento; satisfação do cliente; e o terceiro ponto é inovação, expansão"
Fernando Fiszbein, CCO do Hopi Hari