Entrevista: Vila Galé chega em Alagoas com o status de maior do Estado

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PANROTAS / Emerson Souza
José Antônio Bastos, diretor de Operações da Vila Galé, e Jorge Rebelo de Almeida, presidente da rede
José Antônio Bastos, diretor de Operações da Vila Galé, e Jorge Rebelo de Almeida, presidente da rede

Enquanto o Grupo Vila Galé continuar encontrando oportunidades no Brasil, mais resorts da rede hoteleira portuguesa serão criados em nosso País. Mais do que uma terra de oportunidades, é nítido que o presidente da rede hoteleira, Jorge Rebelo de Almeida, é um entusiasta de nosso povo, nossa cultura e gastronomia.

São duas décadas de Brasil, onde está indo para o seu décimo hotel. Vem aí o Vila Galé de Carro Quebrado, no litoral norte de Alagoas. A previsão de inauguração é julho de 2022, para se juntar às unidades de Rio de Janeiro, Fortaleza, Cumbuco-CE, Salvador, Guarajuba-BA, Pernambuco, Touros-RN, Angra dos Reis-RJ e São Paulo, nesta última com um hotel aberto em plena pandemia.

Divulgação/Vila Galé
Projeção do Vila Galé Alagoas, na praia de Carro Quebrado
Projeção do Vila Galé Alagoas, na praia de Carro Quebrado
Com um investimento superior a R$ 140 milhões, o resort alagoano pé na areia all-inclusive já tem reservas abertas. Serão 513 apartamentos, sete restaurantes, quatro bares, petiscaria mediterrânea (cervejaria portuguesa), centro de convenção para 1,2 mil pessoas, uma boate como espaço polivalente, que durante o dia pode servir para outros propósitos e, acima de tudo, um foco nas crianças.

"Será o primeiro resort da rede com um parque aquático para crianças, além de um clube infantil. Estamos construindo piscinas de grandes dimensões, com 100 metros quadrados por 50 metros quadrados", afirma o diretor de Operações da rede, José Antônio Bastos, animado com a inauguração.

Divulgação/Vila Galé
Construção do Vila Galé Alagoas, na praia de Carro Quebrado
Construção do Vila Galé Alagoas, na praia de Carro Quebrado
"Nossas expectativas são altas. Alagoas é um destino de muita procura, e acreditamos que o Estado não tem um produto all-inclusive tão próximo do aeroporto (a uma hora de carro/ônibus) com essas dimensões. Isso sem falar na linda cor do mar da praia que nos emoldura. O Vila Galé de Carro Quebrado aumenta nossa capilaridade no Nordeste, de maneira que faltarão poucos Estados na região para completarmos o mapa."

O presidente Jorge Rebelo de Almeida também se empolga com o posicionamento que a Vila Galé consolida no Brasil com mais esta unidade. "Esse produto vem consolidar nossa posição como a maior rede de resorts do Brasil. Os hóspedes brasileiros já nos conhecem, buscam a marca, confiam na Vila Galé para levar suas famílias. É por isso que buscamos uma padronização na oferta e nos serviços. Nossos resorts têm essências parecidas. O grande diferencial, portanto, é realmente o parque aquático e o fato de sermos o maior resort de Alagoas. Vale destacar nosso centro de convenções que, assim como o hotel em Touros, será capaz de receber grandes eventos."

PANROTAS / Emerson Souza
Jorge Rebelo de Almeida, presidente da Vila Galé
Jorge Rebelo de Almeida, presidente da Vila Galé
A ideia é aproveitar o melhor entre o mix de lazer e corporativo. José Antônio Bastos afirma que o resort terá o maior e melhor centro privado de eventos de Alagoas. Somando todos os espaços, a área para eventos corporativos e sociais dá quase 2,5 mil metros quadrados.

EM BUSCA DE MAIS ESTRANGEIROS
Já se vão 20 anos desde que o primeiro hotel Vila Galé foi inaugurado no Brasil, em Fortaleza. Nessas duas décadas, a principal mudança sentida (e lamentada) pela rede é a presença de estrangeiros, principalmente portugueses e espanhóis, nas unidades do País. O que já foi um share de 30%, hoje se limita a 5% (mesmo antes da pandemia).

"É uma vergonha que um país com a dimensão continental receba seis milhões de visitantes internacionais por ano. Todos nós achamos que o Brasil tem tudo para dar certo, mas tem uma lição de casa bem grande a ser resolvida para que que se transforme em um expoente do Turismo para fora do mundo", critica Jorge Rebelo.

Criação de zonas turísticas estruturadas, a exemplo do México com Cancun e Riviera Maya, é uma das etapas desta lição, em sua visão. Segurança pública é outro desafio importante, pois a imagem do País propagada na mídia internacional repele os estrangeiros. Melhoria na política do transporte aéreo é um terceiro elemento fundamental. O presidente da rede Vila Galé diz que em Portugal as empresas de Turismo pagam por cada estrangeiro desembarcado, pois no fim toda a cadeia produtiva é beneficiada.

"Não é feio copiarmos os bons exemplos de fora. O México entendeu a importância do Turismo para sua economia e recebe muito mais estrangeiros do que o Brasil, que os confronta em termos de recursos naturais. Sinceramente o Brasil tem frentes desenvolvidas em muitos setores, mas às vezes parece que parou no tempo no que diz respeito à compreensão do Turismo", lamenta.

"Falta incentivo. Nossos hotéis em Portugal muitas vezes têm menos receita do que os brasileiros, mas têm mais rentabilidade. O Brasil tem um sistema triturador da economia, com cargas tributárias muito pesadas”, acrescenta.

O português ainda cita outros desafios, a exemplo de infraestrutura de saneamento básico, estradas e cuidado com o meio ambiente. Aceitar mais investimento estrangeiro nessas e outras áreas seria uma solução sábia do governo federal, na visão do empresário.

"O produto turístico e cultural encontrado aqui poucos países do mundo têm, mas não dá para fazer tudo de uma vez, com recursos próprios", justifica. "Nós tentamos fazer nossa parte ao promover aos hóspedes em Portugal todas as belezas dos nossos resorts no Brasil e os destinos onde eles estão instalados, além de fazer refeições e festas temáticas. É algo relevante, visto que recebemos mais de 600 mil clientes nos hotéis de lá anualmente."

TRADE BRASILEIRO
As operadoras são as principais parceiras da rede Vila Galé no Brasil. A estratégia da empresa portuguesa é promover uma relação boa para ambas as partes. Nutrir um bom relacionamento com agências de viagens e operadoras de todos os portes foi essencial para o crescimento da rede em nosso mercado, com programas de incentivo para os profissionais, além do fomento de famtours e ações que façam os parceiros conhecer as propriedades.

"Temos nossos canais diretos e estamos nas OTAs, pois essa é uma situação incontornável, mas jamais colocamos o agente e o operador em uma condição desfavorável", afirma Bastos. "O que procuramos dizer aos nossos parceiros é que o agente de viagens tem de assumir um papel mais conselheiro, e não de tirador de pedido. O profissional que conhece nosso produto e nele se especializa sente nitidamente um aumento de receita com o produto Vila Galé. Do nosso lado, nós sempre estamos entendendo o que o hóspede brasileiro quer de nós”, completa o diretor de Operações.

PANROTAS / Emerson Souza
José Antônio Bastos, diretor de Operações da Vila Galé
José Antônio Bastos, diretor de Operações da Vila Galé
O Brasil representa 40% da receita da Vila Galé, sendo os outros 60% nas 27 propriedades em Portugal.

IMPACTO NA COMUNIDADE
O novo resort em Alagoas vai admitir mais de 300 profissionais, mas a rede promete um impacto de maiores dimensões na comunidade local de Carro Quebrado, com o objetivo de capacitar 1,2 mil pessoas com ensinamentos de como bem receber o turista, aulas de idiomas, formação comportamental, entre outras áreas. Em Touros, um número similar de pessoas foi submetido a essas técnicas e o impacto é palpável, eles dizem.

"Isso valoriza a oferta do destino. Temos a noção muito clara de que nossos hotéis não são uma ilha. Existe toda uma comunidade em torno do produto. O que queremos no final é que o cliente saia satisfeito por ter visitado um destino bom e, consequentemente, nos enche de prazer ver brasileiros de comunidades remotas crescerem profissionalmente, usando da plataforma Vila Galé para prosperar na vida", afirma Rebelo.

Os investimentos da empresa vão para além da hotelaria. Barracas de praia, restaurantes, supermercados. A rede tem pleno conhecimento de que um grande resort envolve vários players e que essa injeção de capital e conhecimento acaba sendo multiplicada ao longo do tempo.

CENTRO DE CONVENÇÕES
O Centro de Convenções do Vila Galé Alagoas vai seguir um conceito polivalente, que não segue o modelo tradicional de plateia com cadeira fixa. "Os eventos se tornaram muito criativos, e este conceito, que já executamos em Touros, se molda a depender da adaptação do cliente. Essa estrutura faz com que possamos criar inúmeros formatos de encontros, em vários portes", explica o diretor de Operações.

TEMÁTICA DE LITERATURA

PANROTAS / Emerson Souza
Vila Galé Paulista tem temática voltada à arte. Corredores e quartos têm obras dedicada a um movimento e/ou artista
Vila Galé Paulista tem temática voltada à arte. Corredores e quartos têm obras dedicada a um movimento e/ou artista
Os hotéis Vila Galé buscam entregar uma temática aos hóspedes. O da região da avenida paulista, onde aconteceu esta entrevista, é todo voltado para arte. Cada apartamento leva a obra e o legado de uma artista não só em termos visuais, como educativo, mostrando ao cliente a importância histórica do autor das obras. Em Alagoas, a temática será literatura. Cada quarto terá nome de escritor ou escritora. Os maiores destaques nos espaços públicos serão Fernando Pessoa e Jorge Amado, lendas que ganham estátuas para que as pessoas possam tirar fotos.

TUDO INCLUÍDO
Das nove unidades Vila Galé no Brasil, cinco são all-inclusive: Angra dos Reis, Cumbuco, Pernambuco, Salvador e Touros. Vem aí mais uma. "A diferença é que esse será o primeiro all-inclusive com a Cervejaria Portuguesa", explica Jorge Rebelo. Os melhores em ocupação são o Hotel Vila Galé Marés, em Guarajuba (Camaçari-BA), considerado o carro-chefe da rede, seguido por Angra dos Reis e Cumbuco.

REVISTA PANROTAS
A entrevista com os portugueses foi um dos destaques da Revista PANROTAS desta semana, que você confere a seguir.


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