Resorts Brasil defende flexibilidade e transição planejada em possível adoção da escala 5x2
Setor aponta necessidade de flexibilidade para operações contínuas e transição planejada

A possível adoção da escala 5x2 já leva resorts a simular mudanças em equipes, serviços e custos. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, 52% dos trabalhadores de serviços de alojamento atuam atualmente no regime 6x1, ante 33,2% na economia brasileira.
A discussão ocorre em um mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego chegou a 5,3% no trimestre encerrado em julho, menor nível da série histórica para o período, com 103,3 milhões de pessoas ocupadas. Para o setor, uma eventual redução da jornada também exigirá avaliar a disponibilidade de mão de obra para cobrir as operações.
A Resorts Brasil defende a redução da jornada, mas afirma que 40 horas semanais e escala 5x2 não precisam representar o mesmo modelo para todos os setores. A entidade pede flexibilidade para empreendimentos que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana.
“Reduzir a jornada é uma discussão; determinar um único modelo de escala para atividades com características completamente diferentes é outra e tem um impacto enorme na operação e nos custos das empresas”
Thiago Borges, presidente da Resorts Brasil
Impacto na operação
As empresas já avaliam possíveis cenários. No Grupo Aviva, as simulações incluem redesenho de escalas e processos, alteração dos dias de funcionamento de algumas atrações e mudanças na frequência de serviços, como a limpeza dos apartamentos.
“Já temos hoje um desafio importante de atração de profissionais. Se uma mudança de escala ampliar significativamente a necessidade de pessoas, não basta fazer a conta de quantas novas vagas serão criadas. Precisamos considerar se esses profissionais estarão disponíveis no mercado, quanto tempo levará para formá-los e como vamos conseguir atraí-los e retê-los”
Laini Melo, vice-presidente de Inteligência Humana da Resorts Brasil
Felipe de Castro, vice-presidente de Operações da entidade, afirma que a mudança afetaria uma estrutura que envolve diferentes turnos, períodos de maior ocupação e regras específicas de descanso.
“Não é simplesmente trocar 6x1 por 5x2 em uma planilha. Precisamos garantir que haverá pessoas suficientes em cada área e em cada turno para manter a operação funcionando e ainda fazer com que o custo se encaixe dentro da operação”, afirmou o executivo.
Pressão sobre custos
A folha também aparece entre os pontos de atenção. Estudo da Tendências Consultoria citado pela entidade aponta que os gastos com pessoal representam 23,2% da receita operacional líquida do Turismo.
Para Antonio Dias, vice-presidente Institucional da Resorts Brasil, uma redução da jornada sem mecanismos de compensação pode pressionar margens, preços e investimentos. “Parte tende a pressionar margens e preços e pode afetar demanda, investimentos e a própria capacidade de geração de empregos”, afirma.
A entidade defende que a eventual mudança seja acompanhada de período de transição, negociação e regras específicas para atividades de operação contínua. “Podemos avançar na discussão das 40 horas semanais e, ao mesmo tempo, preservar flexibilidade para que setores de funcionamento contínuo organizem suas escalas”, diz Borges.