CEO da Clia Global aponta entraves para expansão dos cruzeiros no Brasil
Executivo cita litígios trabalhistas, pressão regulatória e custos portuários entre pontos de atenção

BRASÍLIA (SP) - A expansão da indústria de cruzeiros no Brasil depende não apenas da atração de novos navios, mas também de avanços em questões regulatórias, trabalhistas e de infraestrutura. A avaliação foi feita por Bud Darr, uma das principais lideranças da indústria mundial de cruzeiros, durante o 8º Fórum Clia Brasil 2026, nesta quarta-feira (26), em Brasília.
Em sua participação, Darr listou pontos que considera importantes para o desenvolvimento de um ecossistema de cruzeiros mais competitivo no País. Entre eles estão a estrutura de litígios trabalhistas, a pressão regulatória e os custos cobrados pela utilização dos terminais.
O primeiro ponto levantado pelo executivo foi a necessidade de manter a cooperação entre empresas, governo, destinos e demais agentes do setor. Para Darr, a articulação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para o crescimento sustentável da atividade no Brasil.
"Essa colaboração e cooperação que sinto nesta sala hoje, e que sei que existe, será a chave para um ecossistema de cruzeiros sustentável e bem-sucedido no longo prazo"
Bud Darr, CEO da Clia Global

Veja a seguir os pontos que o CEO da Clia Global apontou como maiores pontos de atenção para o segmento prosperar.
Litígios trabalhistas
Darr apontou a estrutura brasileira de litígios relacionados ao trabalho como um dos principais problemas para as companhias de cruzeiros. Segundo ele, o volume e a estrutura dessas disputas estão acima do observado em outros mercados onde a indústria opera.
"É muito fora de proporção em relação a qualquer outro lugar onde a indústria de cruzeiros tenha operado, e é um problema sério"
Bud Darr, CEO da Clia Global
Na avaliação do executivo, a questão não afeta apenas a operação das companhias no Brasil, mas também pode influenciar decisões de emprego e operação em outros mercados.
Pressão regulatória
A pressão regulatória foi outro ponto destacado. O executivo citou situações em que regras podem ser aplicadas de maneira inconsistente e afirmou que iniciativas regulatórias brasileiras precisam considerar a concorrência internacional.
"Não deixem que a pressão regulatória e outras iniciativas neste sentido fiquem fora de proporção em relação ao resto do mundo. Vocês estão competindo com o resto do mundo"
Bud Darr, CEO da Clia Global
O alerta ocorre em um momento em que o setor brasileiro busca ampliar a oferta de navios. Como mostrou Marco Ferraz durante o Fórum, as companhias representadas por executivos que estão presentes no evento são responsáveis por algo entre 85% e 90% dos leitos e navios do mercado, e a Clia Brasil busca usar essa interlocução para levar às matrizes das empresas argumentos pela ampliação da operação no País.
Custos dos terminais
Darr também defendeu maior controle sobre os custos portuários. Segundo ele, os valores cobrados no Brasil para utilização dos terminais estão acima dos praticados em outros mercados.
Como exemplo, citou cobranças de US$ 80 a US$ 100 por passageiro para utilização de um terminal. Para o executivo, esse nível de custo reduz a competitividade da operação brasileira e pode se tornar um problema de longo prazo caso não seja enfrentado.
"Vocês precisam fazer um trabalho melhor no controle dos custos portuários. Seus custos portuários aqui são muito altos"
Bud Darr, CEO da Clia Global
Cooperação como ponto chave
Ao encerrar sua participação, Darr voltou ao primeiro ponto da lista: a necessidade de colaboração entre os diferentes agentes do setor. Para ele, a construção de um ambiente mais competitivo depende de uma atuação conjunta entre a indústria, governo e demais integrantes da cadeia.
A PANROTAS viaja a convite da Clia Brasil.