Clia vê crescimento global de cruzeiros e oportunidade para o Brasil ampliar participação
Bud Darr destaca avanço anual de 6% a 7% da indústria e US$ 19 bilhões investidos em novos navios

BRASÍLIA (DF) – A indústria global de cruzeiros deve manter crescimento anual entre 6% e 7%, cenário que, segundo Bud Darr, presidente e CEO da Clia Global, abre espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado. O executivo participa nesta quarta-feira (26) do 8º Fórum Clia Brasil, em Brasília, e destacou a necessidade de o País oferecer condições competitivas para acompanhar a expansão do setor.
Darr afirmou que o Brasil tem potencial para não apenas recuperar participação no mercado de cruzeiros, mas também capturar uma parcela maior do crescimento projetado para os próximos anos. Para isso, citou fatores como custos operacionais e ambiente regulatório como elementos que influenciam a decisão das companhias sobre onde posicionar seus navios.
O executivo também destacou o volume de investimentos atualmente direcionado à construção de novas embarcações. Segundo ele, existem 87 navios em construção ou encomendados no mundo, representando cerca de US$ 19 bilhões em capital investido. O cenário, na avaliação de Darr, demonstra a confiança da indústria e dos investidores na continuidade da expansão.
“Quando uma companhia de cruzeiros decide onde colocar seus navios, eles vão para os melhores itinerários. Se eu tiver dez navios, eles vão para os dez melhores itinerários. Portanto, é importante entender que, se o custo de operar em um destino for maior do que em outro, ou se houver exigências e restrições adicionais, isso terá impacto direto sobre essa decisão”
Bud Darr
Para o Brasil, o executivo vê possibilidades de atração de novos navios, criação de itinerários e ampliação das operações para além da temporada tradicional. Ele citou ainda o potencial de novas rotas entre as regiões Norte e Sul do País.
“Não há razão para que o Brasil não cresça nessa mesma taxa ou até mais, se continuarmos criando o ambiente adequado”, afirmou.
Darr também chamou atenção para a importância da relação entre companhias de cruzeiros, destinos e comunidades locais. Segundo ele, o desenvolvimento do setor depende de relações de longo prazo e de dados que permitam dimensionar os impactos da atividade sobre as cidades e os portos.

Sustentabilidade
A expansão da frota também vem acompanhada de investimentos em tecnologias voltadas à redução das emissões. De acordo com Darr, 60% do atual livro de encomendas e 77% da capacidade encomendada estão preparados para combustíveis alternativos, conforme essas opções estejam disponíveis.
A indústria mantém, segundo o executivo, o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050. Para ele, a transição energética faz parte do processo de expansão do setor e dos investimentos realizados pelas companhias.
Darr encerrou sua participação reforçando que o Brasil reúne demanda, destinos e infraestrutura com potencial para crescer no mercado de cruzeiros, mas precisa combinar esses elementos com um ambiente que permita às companhias operar de forma competitiva.
A PANROTAS viaja a convite da Clia Brasil