Pedro Menezes   |   31/10/2026 11:23
Atualizada em 31/10/2026 12:14

Corazul no Brasil: "Vendas dobraram desde a vinda do navio", diz CEO da R11

Companhia já avalia estender temporada 2026/2027 e ampliar roteiros na América do Sul

PANROTAS / Pedro Menezes
Camille Appeldoorn, COO da Corazul Cruceros, e Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel
Camille Appeldoorn, COO da Corazul Cruceros, e Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

RIO DE JANEIRO - A Corazul Cruceros deu início a temporada brasileira de cruzeiros 2026/2027, nessa sexta-feira (30), a bordo do navio Buenavista. Foi a primeira operação da história da companhia e também a sua estreia oficial no mercado brasileiro.

A chegada do navio ao Brasil e o contato dos agentes de viagens com o produto já deram um novo impulso às vendas. Depois de um período de expectativa e cautela por parte do trade, que aguardavam a chegada do navio, a comercialização ganhou força no último mês, chegando a dobrar semana após semana.

É o que afirma Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel, em entrevista coletiva a bordo do Buenavista. Ele atribui a aceleração à maior confiança dos profissionais na operação e à combinação de uma proposta diferenciada, com pacote de bebidas incluídas na tarifa e incentivos comerciais.

"Quando abrimos as vendas, houve uma procura muito grande de grupos e agências interessados em garantir espaço. Com o cancelamento da operação na Europa, porém, muitos profissionais preferiram aguardar a chegada do navio antes de avançar com as reservas. Esse cenário começou a mudar a partir da Abav Expo, quando a embarcação se aproximou do Brasil e lançamos promoções mais agressivas. Desde então, as vendas passaram a dobrar a cada semana. Ainda não estamos no patamar que gostaríamos, pois o ideal seria ter iniciado a comercialização no ano passado e chegar a este momento com o navio praticamente lotado, mas a resposta do mercado tem sido muito positiva"

Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

Ricardo sabe que a chegada da embarcação foi determinante para transformar a curiosidade inicial em confiança comercial. Segundo ele, muitos agentes de viagens preferiram aguardar a oportunidade de conhecer o produto antes de avançar com grupos e reservas. Agora, com o cruzeiro de fato já realizando viagens, a percepção começa a mudar dentro do trade.

Comissões e bebidas incluídas impulsionam vendas

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Navio Buenavista
Navio Buenavista

Entre os fatores que ajudam a acelerar a comercialização está a política de remuneração dos agentes. A R11 Travel trabalha com uma comissão adicional de 10% para as vendas da Corazul, incentivo que, segundo Amaral, representa uma oportunidade relevante para os profissionais do setor.

Outro diferencial está no conceito de bebidas incluídas na tarifa, que busca oferecer maior previsibilidade de gastos aos passageiros, já que não é necessário adquirir um pacote de bebidas a parte. Para Ricardo, o benefício simplifica a decisão de compra e evita que o consumidor precise avaliar posteriormente se vale a pena contratar um pacote adicional.

"A inclusão de bebidas é um diferencial importante dentro da proposta de conveniência. O passageiro não precisa se preocupar com o preço de cada cerveja, drinque, vinho ou champanhe consumido a bordo. Ele já compra o cruzeiro sabendo que tudo isso faz parte da experiência. Em outros produtos, muitas vezes o cliente precisa decidir posteriormente se contrata um pacote de bebidas e avaliar se o consumo vai compensar. Na Corazul, esse benefício já está incluído, tornando a experiência mais simples, transparente e alinhada ao que o público procura"

Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

O próximo desafio é ampliar o conhecimento do produto entre os profissionais do Turismo. A R11 Travel conta com mais de sete mil agências conectadas ao sistema de vendas da Corazul, mas a capacidade de receber agentes nas viagens de apresentação é limitada. Por isso, a empresa prepara uma tarifa especial para agentes de viagens, com o objetivo de permitir que mais profissionais conheçam a embarcação.

Corazul avalia estender temporada no Brasil

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Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel
Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

O bom desempenho comercial também pode influenciar a permanência da embarcação no País. Inicialmente, a operação brasileira está programada para ir até o final de março, mas existe a possibilidade de extensão da temporada, ainda sem confirmação oficial.

Sendo assim, as próximas três ou quatro semanas serão importantes para avaliar a resposta do mercado e definir os próximos passos. Ricardo reconhece que a previsibilidade é fundamental para que os agentes consigam organizar grupos, comercializar roteiros com antecedência e oferecer parcelamento aos clientes.

"A programação está definida de agora até o final de março, mas existe a necessidade de decidir sobre uma possível continuidade o quanto antes. É uma questão de mão dupla: para estender a operação, é preciso ter demanda, mas o mercado também precisa de previsibilidade para vender, organizar grupos e oferecer condições de parcelamento aos passageiros. Acredito que teremos uma sinalização importante nas próximas três ou quatro semanas. O mercado brasileiro está respondendo muito bem, há procura pelo produto e isso pode favorecer uma extensão natural da temporada. De qualquer forma, não há pressão. É preciso deixar o processo seguir seu curso"

Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

Novos roteiros e interporting

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Estratégia de expansão, entretanto, dependerá da evolução da primeira temporada e das decisões sobre a permanência do navio no Brasil
Estratégia de expansão, entretanto, dependerá da evolução da primeira temporada e das decisões sobre a permanência do navio no Brasil

A ampliação dos itinerários e a exploração de novos portos na América do Sul também estão no radar. Entre as alternativas estão operações na região do Prata, incluindo Montevidéu, além de escalas em destinos do Sul e do Nordeste, dependendo da infraestrutura disponível e do interesse comercial.

A programação hoje inclui roteiros de três e quatro noites, com embarques em Santos e escalas no Rio de Janeiro, em Búzios e em Balneário Camboriú. Um dos diferenciais é a possibilidade de interporting, que permite ao passageiro embarcar ou desembarcar em diferentes cidades ao longo de um mesmo itinerário.

"Uma possibilidade interessante é permitir diferentes pontos de embarque e desembarque ao longo do itinerário. Em um roteiro com saída de Santos e passagem pelo Rio de Janeiro, por exemplo, o passageiro carioca pode embarcar na cidade e aproveitar o cruzeiro sem precisar percorrer todo o trajeto desde o início. Essa flexibilidade amplia as oportunidades de comercialização e permite alcançar diferentes mercados", complementou Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel.

A estratégia de expansão, entretanto, dependerá da evolução da primeira temporada e das decisões sobre a permanência do navio no Brasil. Para Amaral, o momento agora é de consolidar a operação, ampliar a confiança dos agentes e transformar a curiosidade inicial em vendas recorrentes.

A PANROTAS viaja a convite da R11 Travel.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.