Karina Cedeño   |   19/06/2024 12:56

EUA estão perdendo competitividade internacional, dizem especialistas

Longos tempos de espera pelo visto são alguns dos desafios enfrentados pelo país norte-americano


Raúl Nájera/Unsplash
País corre o risco de perdas de quota de mercado a longo prazo, afirmam executivos do setor
País corre o risco de perdas de quota de mercado a longo prazo, afirmam executivos do setor

À medida em que países de todo o mundo se esforçam por simplificar as viagens e atrair mais viajantes internacionais, alguns especialistas do setor dizem que os Estados Unidos estão ficando para trás e correm o risco de perdas de cota de mercado a longo prazo.

Durante a sessão Demanda Internacional, realizada na Conferência Internacional de Investimentos da Indústria de Hospitalidade da Nyu, Kevin McAleenan, ex-secretário interino do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos disse que os EUA estão ficando defasados no investimento em infraestrutura de viagens e não têm a visão necessária para melhorar as coisas. Segundo ele, adotar a tecnologia nas verificações de segurança é outra área em que o país está ficando para trás.

“Estamos vendo, por parte dos líderes internacionais, um uso realmente abrangente da biometria”, disse ele. "O viajante adaptou-se à biometria como uma oportunidade de ter um processo de viagem mais fluído. Ele se sente confortável com isso. O reconhecimento facial também emergiu como uma tecnologia chave neste espaço. Precisamos fornecer acesso onipresente a essas tecnologias, para que o processo de chegadas internacionais aumente".

Kevin Carey, CEO da American Hotels & Lodging Association, diz que a força das viagens internacionais é fundamental para a saúde a longo prazo da indústria hoteleira, em parte porque “os viajantes internacionais ficam mais tempo e gastam mais”.

Falta de mão de obra e longa espera para vistos são desafios

Mais de quatro anos após o início global da pandemia da covid-19, os EUA recuperaram 84% das suas chegadas internacionais pré-pandemia, de acordo com Geoff Freeman, presidente e CEO da U.S. Travel Association. Ele acrescenta que o obstáculo que o país enfrenta não é uma questão de demanda, já que “em geral, o interesse em visitar os Estados Unidos é tão grande como sempre”. Em vez disso, o problema está relacionado com a força do dólar, a falta de mão de obra, que leva a longas esperas nos postos de controle aduaneiro, e o tempo de espera para vistos.

“Temos problemas com vistos”, admite Freeman. “45% dos viajantes que vêm para os Estados Unidos precisam fazer uma entrevista para obter um visto. Se você estiver na Colômbia, neste momento, o tempo de espera para conseguir uma entrevista para obter esse visto é de 750 dias. Esse tempo de espera é similar no México. E não está melhor na Índia e no Brasil. Está melhorando, mas ainda a média de espera gira em torno de mais de 200 dias.”

Há vários países que estão fazendo esforços coordenados para garantir viagens sem visto, reduzindo significativamente os tempos de espera para obtenção de vistos, o que os torna destinos mais atraentes, segundo Freeman. Ele também afirma que os EUA têm desfrutado de um enorme benefício econômico por serem o principal destino de viagens internacionais durante décadas, mas agora, com tantas barreiras para os viajantes, outros países veem uma oportunidade financeira ao tentar atrair esses viajantes para longe dos destinos dos EUA.

“Os países estão se perguntando: 'onde estão nossas oportunidades de afastar os viajantes de outro mercado, inclusive dos EUA?'. No ano passado, o Canadá isentou 12 novos países do visto. Todos eram países que eram obrigados a obter um visto para vir para os Estados Unidos. Não é uma coincidência que o Canadá tenha feito isso". China e a Arábia Saudita também estão fazendo progressos para simplificar as viagens internacionais, acrescentou Freeman.

Fred Dixon, presidente e CEO da NYC Tourism and Conventions, que em breve assumirá o cargo de presidente e CEO da Brand USA, disse que também gostaria de ver os EUA se tornarem mais competitivos na atração internacional de grupos e reuniões, que ele observou ser de vital importância para os hotéis. Para que isso aconteça, os empresários precisam ter voz junto ao governo, para que ele saiba que se trata de uma prioridade.

“Precisamos, obviamente, de mais viagens sem atrito para que isso aconteça”, disse ele. "E um dos desafios que enfrentamos no passado são os longos tempos de espera pelos vistos. Portanto, isso exige um esforço coordenado. Acho importante estar em sintonia com a indústria [de viagens] e com nossos parceiros de associação em Washington, alinhando nossas mensagens de marketing... há muita coisa que pode acontecer aí."

Com informações do site CoStar.

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