Aeroportos enfrentam caos e filas gigantescas com shutdown nos EUA
Redução do efetivo já provoca reflexos na experiência dos passageiros em aeroportos por todo o país

A paralisação parcial (shutdown) do orçamento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) vem provocando impactos relevantes na operação aeroportuária de todo o país, com aumento das filas de inspeção e incertezas para passageiros em diversos hubs importantes.
O impasse político em Washington, que fez Donald Trump enviar agentes de imigração ICE para amenizar o caos nos aeroportos, levou senadores a acelerar negociações para aprovar um acordo emergencial de financiamento que garanta recursos para áreas críticas do órgão, especialmente a segurança aeroportuária.
Desde meados de fevereiro, o financiamento do DHS foi interrompido em meio a divergências entre republicanos e democratas sobre políticas migratórias. Como consequência, trabalhadores da Administração de Segurança nos Transportes (TSA) seguem atuando sem remuneração regular.
Dados do próprio departamento indicam que cerca de 11% dos agentes programados para trabalhar deixaram de comparecer aos turnos na última segunda-feira (23) - mais de 3,2 mil profissionais - enquanto pelo menos 458 pediram desligamento desde o início do impasse.
A redução do efetivo já provoca reflexos diretos na experiência dos passageiros. Aeroportos como Houston, Atlanta e Baltimore/Washington registraram filas prolongadas nos controles de segurança, com orientações para que viajantes cheguem com várias horas de antecedência aos embarques. Em Nova York, passageiros com voos a partir dos aeroportos de LaGuardia, John F. Kennedy e Newark também enfrentaram dificuldades para consultar os tempos de espera nos checkpoints.

Segundo a administradora interina da TSA, Ha McNeil, alguns aeroportos chegaram a registrar índices superiores a 40% de ausência entre agentes convocados para trabalhar. A executiva, inclusive, irá relatar ao Congresso que muitos funcionários enfrentam dificuldades financeiras após semanas sem pagamento.
Para destravar as negociações, senadores discutem uma proposta que prevê financiar grande parte do DHS, incluindo a TSA e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), mas deixando de fora uma das principais áreas do ICE, responsável pelas operações de detenção e deportação.
Um reflexo imediato da paralisação foi a decisão da Delta Air Lines de suspender serviços especiais oferecidos a membros do Congresso durante viagens oficiais. Com isso, parlamentares passam a ser atendidos conforme o status regular no programa SkyMiles, sem benefícios adicionais anteriormente disponíveis.
Enquanto negociações seguem em andamento, cresce no Congresso o senso de urgência para encerrar o impasse, especialmente diante da aproximação do período de maior movimentação, que ocorre no meio do ano. Senadores afirmam que a queda de uma boa experiência nos aeroportos e o impacto direto sobre passageiros aumentam a pressão política por uma solução rápida.
Com informações da TravelWeekly.