Especial para o Portal PANROTAS Alexandre Campbell   |   30/03/2026 10:43
Atualizada em 30/03/2026 10:46

Rendez Vous en France começa em Nice e exalta o cicloturismo em pré-tour

Antes da feira, são oferecidos 50 tours sobre cultura, gastronomia, natureza, luxo, enoturismo e mais


PANROTAS / Alexandre Campbell
Agentes de viagens observam as montanhas de ocre em Gargas, na Provence
Agentes de viagens observam as montanhas de ocre em Gargas, na Provence

NICE (FRANÇA) - Começa hoje, em Nice, mais um Rendez Vous en France, a feira anual de Turismo onde a França apresenta para o trade de todo o mundo as suas inúmeras atrações, as novidades que chegam para o ano e tudo que possa ajudar o agente de viagens e operadores de Turismo a venderem o destino, que continua sendo o mais visitado do planeta.

Mantendo a política de variar o local a cada ano, a região Provence Alpes Côte d’Azur, mais conhecida como Riviera Francesa, foi a escolhida desse ano. E, para que o trade conheça a região, são realizados diversos pré-tours nos dias que antecedem a feira.

Grupos de agentes de viagens, operadores e jornalistas são formados e partem para diferentes destinos divididos por temas diversos. São aproximadamente 50 tours que abordam cultura, gastronomia, enoturismo, patrimônio, natureza, bem-estar, astronomia, geologia, ciclismo, trilhas, outdoor, mar, montanha, rio, luxo, slow tourism, esporte, grandes eventos, MICE, life style, arte e moda. Um leque de opções que engloba quase tudo e que ajuda os profissionais tanto na hora de escolherem os produtos que a feira oferece, como depois nas vendas, que serão feitas com mais conhecimento do assunto.

A PANROTAS acompanhou o pré-tour “Cycling & Slow Travel Escape” com mais quatro profissionais do trade, dois da Suécia, um da Inglaterra e uma do Brasil, Cathy Worms, da Special Trip de São Paulo. O grupo fez uma viagem de bicicleta intercalada por alguns trajetos em van percorrendo cidades, pequenos vilarejos, rios e formações rochosas famosas da região da Provence, entre Marseille e Nice. Um modo novo de viajar, mais tranquilo, voltado para atividades com pouco impacto de CO2.

Cicloturismo, um nicho em ascensão

A diretora do Turismo da França (Atout France) na América do Sul, Caroline Putnoki, diz que a França tem como objetivo se manter no topo como o destino mais sustentável do mundo até 2030, por isso tem desenvolvido várias formas de Turismo sem impacto ambiental. E o cicloturismo, que é um dos pilares da promoção, se encaixa dentro desse perfil.

PANROTAS / Alexandre Campbell
Jari Heinonen, da France Tours, Philippe Leouffre, do Alpes de Haute Provence Tourism Agency, Alexandre Campbell, da PANROTAS, Anna Eriksson, da ExperiGo, Wenzel Glasauer, guia de Turismo da Atout France, Cathy Worms, da Special Trip Turismo, e Robin Segal, da French Leave Holidays, saindo para um passeio de bicicleta na Provence
Jari Heinonen, da France Tours, Philippe Leouffre, do Alpes de Haute Provence Tourism Agency, Alexandre Campbell, da PANROTAS, Anna Eriksson, da ExperiGo, Wenzel Glasauer, guia de Turismo da Atout France, Cathy Worms, da Special Trip Turismo, e Robin Segal, da French Leave Holidays, saindo para um passeio de bicicleta na Provence

“A França tem dezenas de milhares de quilômetros de pistas para ciclismo. As pistas pioneiras ficam no centro do país, no Vale do Loire, a região dos castelos, mas também temos perto de Bordeaux, no litoral Atlântico, na Dordogne, e nessa região Provence Alpes Côte d'Azur, dentre outras. Uma rede de pistas que, para os cicloturistas, é muito importante. Nós queremos muito promover o turismo de bicicleta, ele gera muita renda. Um cicloturista que quer pedalar na França, sobretudo o que chega de mercados de longa distância como o Brasil, gosta de ficar um tempo e percorrer vários lugares, se hospedar em pousadas, AirBnbs ou hotéis de qualidade. Ele é um turista que consome qualidade, e essa clientela nos interessa muito”.

“Muitas vezes o cicloturismo combina com viagens de trem, que é um meio de transporte que tem muito pouco impacto de carbono. Viajar o país de bicicleta é uma boa maneira de conhecer a França. A slow travel é um tipo de viagem que está presente nos dias atuais, pois devagar é possível ter mais contato com a população local e apreciar em detalhes as belas paisagens que aparecem no caminho. Os brasileiros estão descobrindo cada vez mais esse nicho”,

Caroline Putnoki, da Atout France América do Sul.

Pedalando pela Provence

O pré-tour de ciclismo durou três dias e começou com uma experiência gastronômica de alto nível. Jantar e pernoite no Hotel La Bonne Etape, do Relais & Châteaux, em Château Arnoux. O hotel, restaurante e bistrô, um negócio de família que percorre gerações, são administrados por Jany Gleize e sua filha Jane Gleize, ambos chefes de cozinha renomados que vêm mantendo a tradição de terem uma estrela, ininterruptamente, no Guia Michelin, há 63 anos.

Château Arnoux, cidade situada na margem direita do rio Durance, foi o ponto de partida para uma experiência de extrema tranquilidade e beleza.

Primeira parada, o geoparque Pénitents des Mées, em Les Mées, cidade vizinha, famoso pelas suas falésias rochosas inusitadas. Essas rochas, com cerca de 100 metros de altura cada e extensão de 2,5 km, parecem uma procissão de monges encapuçados, e formam uma paisagem natural impressionante.

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Agentes de viagens pedalam em frente à montanha rochosa Pénitents des Mées na Provence
Agentes de viagens pedalam em frente à montanha rochosa Pénitents des Mées na Provence

Existem 229 geoparques no mundo. Esse foi o primeiro a ser classificado, e isso aconteceu no ano 2000. Portanto, o conceito de geoparque é novo, visa conectar todos os patrimônios geológicos e usar os seus recursos naturais para promover a biodiversidade e o desenvolvimento econômico e cultural da região onde eles se situam.

O percurso continuou pelo vale do rio Durance até a cidade de Villeneuve, onde o grupo conheceu o Terre d’Oc, uma fábrica de chás, perfumes e óleos essenciais, e em Volx, o Ecomuseu l’Olivier, dedicado às oliveiras e ao azeite da Provence.

Instalado em uma antiga construção onde funcionava um forno de cal, produzido a partir de pedras de calcário, o prédio se transformou, na década de 80, na primeira fábrica da conhecida L'Occitane. Olivier Baussan, fundador da marca, recentemente comprou o prédio para transformá-lo em museu.

O passeio terminou na cidade de Manosque aonde o grupo dormiu. O segundo dia do pré-tour explorou outro atrativo natural da região, as montanhas de ocre, um pigmento natural colorido, extraído da mistura de argila com óxidos de ferro, utilizado em revestimentos e fachadas de casas, artes gráficas, pinturas artísticas e cerâmica.

As cidades de Gargas e Roussillon são as que se situam perto dessas montanhas. Gargas abriga as Mines de Bruoux, minas subterrâneas com galerias circulares de até 15 metros de altura que formam uma verdadeira catedral mineral. O maior depósito de camadas coloridas da terra leva o turista a uma imersão no mundo estético do ocre. Roussillon foi construída em cima de uma dessas montanhas e tem a maioria das suas casas pintadas de vermelho ocre.

Ainda nessa região, o grupo visitou a vinícola Les Davids, uma propriedade exuberante no distrito de Viens, que produz vinhos para o mercado francês e belga. A propriedade, construída nas terras do Château d’Autet, abrange 320 hectares, dos quais 35 são dedicados a vinhedos com 17 variedades de uvas cultivadas em policultura orgânica. A vinícola está aberta para degustações, workshop, possui uma pousada e um restaurante que funciona de abril a novembro.

O terceiro e último dia do pré-tour de ciclismo aconteceu entre as cidades de Bonnieux e Lacoste. Em Lacoste, um pequeno vilarejo com apenas 400 habitantes, o Savannah College of Art and Design - SCAD, foi apresentado aos agentes de viagem como uma novidade interessante.

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Cedric Maros, diretor do SCAD Lacoste, posa em frente a uma galeria de arte na cidade de Lacoste, Provence
Cedric Maros, diretor do SCAD Lacoste, posa em frente a uma galeria de arte na cidade de Lacoste, Provence

A universidade americana, uma das maiores do mundo dedicada à criação, se uniu à Lacoste School of the Arts em 2002 para fazer da cidade um campus. O SCAD Lacoste ocupa hoje 60% das casas do povoado e com isso conserva o patrimônio local. Essas casas viraram salas de aulas, ateliês, museus, galerias de arte, cinema, fazendo do lugar um celeiro de jovens artistas promissores.

O pré-tour, além do ciclismo, também abordou arte, cultura, patrimônio, natureza, geologia, gastronomia, enoturismo, bem-estar, e percorreu mais de dez cidades pequenas e médias, dando uma boa noção aos agentes de viagens de como um roteiro, mesmo com um tema definido, pode abranger um universo muito maior de possibilidades e enriquecer a viagem.

O relato de quem vende ciclismo

Cathy Worms, da Special Trip Turismo, a única agente de viagens brasileira a participar da viagem, achou extremamente interessante esses três dias circulando pela Provence. Embora tenha grande experiência no mercado, ascendência francesa, e seja especializada em vendas de roteiros de bicicleta para a França, ela teve a oportunidade de conhecer ainda mais o produto que mais vende. Novos caminhos, novas estradas, novas cidades, descobertas que serão repassadas para seus clientes como a vinícola familiar que visitou e a escola de arte que ocupa mais da metade de um vilarejo e o transformou em um laboratório criativo.

“Trabalho com Turismo de bicicleta há mais de quinze anos, é o carro-chefe da nossa agência, e vejo um crescimento enorme desse nicho. Normalmente eu proponho de cinco a seis noites em lugares que só a bicicleta pode alcançar. O ciclista prefere caminhos que não passem carros ou estradas pequenas e rurais, ele quer estar mais perto da natureza, aflorar os seus sentidos, apreciar a paisagem e sentir os perfumes da região”.

“Mapeamos o trajeto, que pode variar em torno de 40 a 80 km durante esses dias, escolhemos duas cidades para hospedagem com apenas uma troca de hotel, para não cansar o viajante, as malas são levadas de um hotel a outro caso necessário, e as bicicletas podem contar com assistência elétrica que ajuda a equilibrar o grupo, já que nem todos têm o mesmo preparo físico. Hoje em dia qualquer pessoa que tenha um pouquinho de equilíbrio sobe em uma bicicleta e acompanha. É possível fazer 55 km sem perceber, não por estar com bom condicionamento físico, mas porque a bicicleta ajudou”.

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Cathy Worms, da Special Trip Turismo posa em frente a Pont Julien na Provence
Cathy Worms, da Special Trip Turismo posa em frente a Pont Julien na Provence

“Nossas viagens de bicicleta são permeadas com visitas a vinícolas diferenciadas, a pequenos produtores de queijo, e podemos adaptar vários outros atrativos a partir do interesse do cliente. Nós procuramos mostrar a França profunda aos brasileiros”, completa Cathy.

A Special Trip Turismo também organiza viagens para amantes de cavalos puro sangue na França, facilitando o ingresso para uma das corridas mais famosas do mundo, o Grande Prêmio Arc de Triomphe, visita a haras na região de Versailles e Normandia, e acompanhamento em leilões especializados. Também se preocupa com o turista apaixonado por carros, com visitação a fábricas, ida a grandes prêmios, museus, inclusive com guias que falam português.


A PANROTAS viaja a convite do Atout France com seguro Intermac Assistance

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Alexandre Campbell

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